sexta-feira, 16 de março de 2018

ler ver

- comecei a ler crime e castigo, já que uma das disciplinas que vou pagar na unb é bakhtin, o teórico que postulou toda uma teoria baseada em dostoievski, o melhor escritor do mundo pra ele,
e também porque, né, passei pelo curso de letras e não li dostoievski. é bem vergonhoso isso.
o livro é lento e bom. pensei que seria mais difícil. só preciso melhorar meu ritmo de leitura.

- assisti ao filme de van gogh.
lindíssimo, estética e intimamente. dá uma compaixão danada dele. vontade de abraçá-lo (sou dessas, gosto demais de abraço). e a gente fica o tempo todo se perguntando MAS COMO fizeram esse filme todo pintado a mão mddscéu que trabalho impossível não tem como isso etc etc etc.


recomendo o livro aí e o filme aí :D

semestre

- vim pra brasília fazer um semestre do doutorado aqui. consegui matricular-me como aluna especial em duas disciplinas do doutorado em literatura, duas disciplinas que me vão ser bem úteis para a tese, e vim.
sem emoção e sem ansiedade.
vim porque reconheço a oportunidade acadêmica e o privilégio que tenho em fazer isso. e, sim, acho que vai ser bem bom academicamente esse semestre. já está sendo.

- é um semestre que tenho para me dedicar exclusivamente ao doutorado. minha graduação acabou, e o concurso da prefeitura ainda não me convocou (um deles está bem perto), então eu estou aproveitando essa brecha. tô conseguindo estudar, mas nem sempre a rotina colabora, porque também ajudo com a sobrinha, e não gosto tanto de me deslocar todos os dias para ir até a biblioteca estudar. (acho que perco um tempão - uma hora pra ir, uma hora pra voltar, tem feito muito calor e tem caído muita chuva, a biblioteca não tem ar-condicionado).
mas bora. isso tudo é detalhe. eu acho que já estou conseguindo aproveitar os estudos.


- a psiquiatra dobrou minha dosagem da medicação no mês anterior ao que vim. isso me preocupa um pouco. tem dias que me sinto triste mas não consigo expressar nada, sequer chorar. também não sinto "falta" da terapia semanal. então me sinto dopada. sei que estou exagerando dizendo isso, mas, pra mim, parece um pouco assim.
mas ela garantiu que não é uma dosagem elevada. que está tudo sob controle sim.

- fico aqui até julho mas em maio vou a natal pra um casamento e pra uma consulta com ela. espero conseguir ir na psicóloga também.
aqui ninguém sabe desses meandros todos, então talvez eu venha aqui escrever sempre só sobre isso, :p
espero escrever mais. esse embotamento afetivo me freia um pouco, também. é ruim.

- luiza terminou de ilustrar o livro infantil que escrevemos juntas. "os monstros estão aqui". tá absurdo de lindo.
foi uma das coisas que fiz na vida que mais fizeram sentido pra mim. uma sensação esquisita de "então foi pra isso que vivi até aqui, tá justificado". soa bizarro, eu sei, mas é um pouco isso. algo que faz muito sentido, é tão bom.
a editora lançará em abril, mas eu não estarei em natal; eu lançarei com luiza em julho.
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- hoje tava pensando que já passei do está gio de "quero morrer" pra "tanto faz morrer ou viver ta ok" então talvez isso já seja bem bom.
também acho que passei do "tenho certeza de que não vou ser feliz nunca mais" para "não sei se vou ser feliz ainda um dia mas vou levando". apesar de que a notícia do assassinato da vereadora foi uma pedrada no coração de todo mundo. ficou mais difícil de acreditar que o futuro pode ser bom. 

domingo, 18 de fevereiro de 2018

hojes

acho que o remédio estabilizou depois da mudança de dosagem. tudo mais estável e ok. às vezes dá pra acreditar que vou ficar bem :)

~
terminei de assistir a one day at a time.
espero que tenha próximas temporadas. e logo.
masss eu deveria ver menos séries e ver mais filmes. e ler mais livros. e ser mais produtiva. e menos millenial, enfim.

~
18 de fevereiro e eu comprei a agenda um dia desses e ainda nem abri, sequer.
virginiana mais fajuta.

~
uma menstruação sem cólicas até agora graças a deus nem lembrava mais como isso era possível.

~
comendo pouco,
mas melhor. :)

~
com saudade antecipada da minha mãe.

sexta-feira, 16 de fevereiro de 2018

salvando

em semanas de crise aguda, minha mãe toma providências que me ajudam de um jeito brando. os céticos são contra, mas eu não. :)
ela aplica reiki,
coloca determinados aromas, de óleos essenciais,
também já tinha colocado uma luz colorida no meu quarto, que você pode colocar numa cor que esteja "precisando", como o azul, pra acalmar,
manda manipular florais de bach (me ajudam muito),
e hoje ela foi para uma espécie de retiro onde faz um trabalho espiritual nas pessoas, presencialmente ou a distância. ela fez em três diferentes pessoas, e uma delas era eu, que nem sabia que ela tinha ido fazer isso. e, sim, hoje foi um dia bem mais leve, menos penoso, mais pé no chão e brando, assim como ela tem sido comigo. só foi difícil a hora da terapia, mas foi necessário ser.


virá

a tv da sala quebrou ha alguns dias e não temos como comprar outra agora. quando meu pai vem aqui a gente vai logo jantar e demora mais na mesa e passa muito tempo conversando sobre coisas que se inventam na hora. falando de pessoas aleatórias e de pessoas que já morreram. falando sem pressa e sem distração.

até que tem sido bom.

~

ontem fui pra sessão de meditação no budismo e chorei mais que meditei. foi péssimo.
espero que amanhã dê certo. eu medite. pelo menos o nariz não escorre nem incomodo ninguém.

~
quinze dias faltam para eu viajar pra brasília e estou com o coração muito apertado com isso.
em deixar minha mãe aqui, em ficar longe dela e da minha cachorra. é só um semestre, mas é muito, é um tempo longo. e eu não estou bem, então ficar longe de casa é mais difícil ainda. é como se fosse uma distância muito muito maior.
ainda mais que vou pra casa do meu irmão, e aí terei outra rotina, outros afazeres, e todos os desafios de frequentar aulas em uma universidade diferente, pela primeira vez em dez anos.

fico gritando pra mim 'deixa de frescura e vai, beatriz'.
mas meu coração segue apertado.
eu sigo com medo, com um pouco de angústia, e sentindo as dores de sempre por dentro do coração.


etc

estou lendo o livro "cartas" de graciliano, cartas que ele escreveu para amigos, família e esposa ao longo da vida, principalmente para a esposa.
ele é bastante mal-humorado em muitas delas. de um jeito bastante cômico até. e nas cartas para a esposa é absolutamente romântico, entregue. é lindo.
tem uma carta que ele se queixa à esposa de um amigo dele, que postou uma carta no correio três meses depois de a ter escrito. então ele já escreveu a resposta, mas vai esperar três meses para enviar a carta de volta. só por isso. em carta escrita ao pai, ainda antes de ele escrever seus romances, ele diz que foi um bocado doido, que nunca fez nada que preste, que é burro como o diabo. e para a esposa, com quem casou-se poucos meses depois de a conhecer, escrevendo, nesses poucos meses, várias cartas apaixonadas: "não te quero enganar. sou muitíssimo pobre. receio fazer-te infeliz. entretanto, se quiseres ser infeliz comigo, procuraremos transformar a infelicidade em felicidade."
uma das coisas mais bonitas que já li. :)

~ estou assistindo à serie "one day at a time".
uma família de imigrantes cubanos vivendo nos estados unidos. mãe divorciada, dois filhos adolescentes, uma delas assumidamente lésbica, e a mãe da mãe, já viúva.
é leve sem ser boba. eu tenho gostado.

~ acho que minhas séries preferidas de todos os tempos são handmaid's tale e please like me.
não lembro quem me indicou please like me. deve ter sido júlio.

~~

talvez seja preciso desistir de terminar o livro, o romance que estive escrevendo.
perdi o prazo do prêmio sesc já, e suspendi a escrita desse livro porque ela não me faz tão bem, em específico. o processo de escrevê-lo. quero e acho necessário, mas me dói.

também tenho pensado nisso ultimamente, de um jeito mais amplo,
no quão eu sou ~millenial, e fico empurrando as coisas e dando desculpas sempre apoiadas na saúde mental e física, na necessidade de tempo livre, etc e mais. eu deveria sentar e fazer. ir e fazer. trabalhar mais. estudar mais.
eu sou devagar e muito pouco produtiva, muito acomodada.

colei grau dez dias atrás, terminei uma sequência de duas graduações. aí estou no doutorado, sem planos de trabalhar logo. "ah porque eu tenho a bolsa, não posso trabalhar". mas sei que no fundo estou acomodada.
eu deveria me mexer mais.
e aí esse semestre eu vou pra brasília e pagar duas matérias do doutorado lá. massa. meses totais dedicados ao estudo e a tese. que bom que tenho essa chance, essa oportunidade. e aí nos dois semestres seguintes eu devo cumprir a docência assistida, já que sou bolsista e tenho essa obrigação com a capes. e aí postergo a minha ideia de trabalhar formalmente depois desse período. ou seja, daqui a três semestres. porque fico pensando que "é muita coisa para se dedicar ao mesmo tempo".

eu sou muito é fresca.

preciso, pelo menos, levar mais a sério esse meu trabalho que é estudar. fazer com mais afinco, com mais seriedade, com mais horas durante o dia.
tenho duas semanas até viajar para brasília e devo acelerar essa dedicação. ir mais à biblioteca e dar cabimento ao dinheiro público que me pagam. produzir, publicar.

com ou sem depressão.
fico também na culpa de "depressão é minha cabeça desocupada, tempo livre demais, trabalho de menos, se tivesse casa pra sustentar não ia ficar sofrendo por x e y, etc etc etc".

E AÍ DEVO SEGUIR E TERMINAR DE ESCREVER O LIVRO. ORA.