segunda-feira, 20 de junho de 2005

Ausência

Mas só porque eu precisei de você ontem, não estavas mais aqui.
Sabe o jantar e as contas? Pois é, ela esqueceu. Das caronas ela não gostou muito que eu pedisse. Sabe como é, ela também nunca sai. Não havia uma carteira ao meu alcance nem o dvd daquele filme que eu queria ver na sala de estar. Ela também disputa o computador comigo, mas eu não gosto muito de dividi-lo com ela. Você sabe como é o discurso né? Bem pior. Pega minha maquiagem sempre que vai sair, mas eu não sou egoísta nessa hora, apesar de ser na maioria das vezes, como você mesmo me dizia quatro vezes por dia. É que nessas horas eu sinto falta de brigar pelo shampoo e pelo sabonete de espinha, do qual éramos escravos.
Receio em pedir coisas à ela, sempre penso que o dinheiro pouco no fim do mês é culpa minha, não dela. Por isso não existem mais mimos. Agora são vários ônibus por dia e nenhum macarrão com camarão. No máximo um miojo ou vitamina sem açúcar, porque ela cisma que eu sou gorda, talvez.
Eu prefiro teus amigos aos dela, que são velhos, tolos e fumam perto de mim. Os teus não. São engraçados, simpáticos ou bastante nerds, e sempre me param na rua e me perguntam se eu saí com a sua autorização.
Eu prefiro também tua louça suja fazendo montanha em cima da pia às reclamações “Põe água no copo e tira a mesa, Beatriz!”. Odeio.
Fiquei com o teu quarto. Não, eu não troquei de quarto. Apenas me mudei para o seu, mas continuo com todos os pertences no meu quarto antigo. É que teu colchão é mais macio e tens vários livros bons na estante.
Continuo estudando na sala de jantar, mas morro de medo de ficar lá sozinha de madrugada, sabendo que você não está no meu quarto ao computador.
A Coca Light ficou semanas intocada na geladeira perguntando por você. E não sei que fim ela teve.
O que eu devo dizer é que Hanna não gostou muito dessas mudanças todas... Muito menos eu.
Saudades.




Bia, 19/07/05

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