sexta-feira, 4 de agosto de 2006

Caravana quem?

Ah, e no dia que o casal 20 da televisão brasileira (não falo de Tarcísio Meira e Glória Pires, nem de Celulari e sua Raia) anunciou, no melhor horário de se assistir noticiário, uma tal de Caravana JN viajando Brasil adentro eu achei o máximo. Ostentação da emissora, lógico. Mas a idéia era boa... Um grupo de jornalistas (aparentemente bem capacitados), um ônibus que eu faria questão de morar dentro, e uma estrutura que talvez inveje até CNN (gosto dos exageros). Tudo isso para descobrir, pesquisar, compreender, visitar brasileiros apreensivos (é essa visão que tenho de nós, pobres coitados) no ano de eleição. Que, por ventura, está longe de ser uma eleição qualquer, e os motivos não serão explicitados devido serem tão óbvios, certo?
Imaginei, de primeira, brasileiros fazendo sugestões inteligentes, ou simples reclamações ao nosso Presidente e aos seus concorrentes. Imaginei também cenas fortes, lugarejos que sofrem com problemas aparentemente impossíveis de resolver, e sonhos sinceros de pessoas comuns... Imaginei tanta coisa.
E a decepção foi totalmente inconseqüente. De repente, umas imagens tão bonitas... O JORNAL NACIONAL (em caps lock decepciona duas vezes) perdeu toda credibilidade quando se preocupou em mostrar, por longos minutos, um pessoal que assistiu ao programa ao vivo, numa cidade fria onde (aparentemente) não há problemas. Em outro dia, japoneses bonitinhos que sobreviveram ao ataque da bomba atômica e ainda conseguiram o sino de bronze (NOSSA) da cidade que destruiu-se com o ataque americano. Eles vivem bem demais, vocês viram? Plantam pêssegos, maçãs, e têm uma casa que mais parece um hotel-fazenda na serra.
Pena só me lembrar desses dois agora.
Mas caiu na ridicularidade um projeto que a princípio me pareceu tão sério e transformou-se no Mochilão que a Fernanda Lima fazia pra MTV (que, me perdoem, é bem melhor e mais sério que a tal caravana).

E então, Pedro Bial, toda sua sagacidade e inteligência só servem mesmo para fazer crônicas e locuções?
E se divirta, William Bonner. Você merece. Afinal, você é o chefe.

Sinceramente, se eu soubesse que ser jornalista no Brasil se assimilasse ao trabalho de um guia turístico super bem pago, eu não teria desistido dessa profissão há tanto tempo atrás.

Será que quando chegarem no Nordeste vão fugir do semi-árido e da educação de péssima qualidade para mostrarem as praias do Ceará e as dunas do nosso estado?
Aguarde os próximos capítulos.