sábado, 29 de dezembro de 2007

O de sempre: texto de fim de ano.

Eu conheço uma característica comum a todos nós. (Lá vem eu, generalizando, e me contradizendo ao fazer uma das coisas que mais odeio. Hipócrita.) É a perspectiva de enxergar as coisas com fim e (re)começo; a possibilidade de “zerar” o jogo; dar início a uma nova vida. Diga aí, comum, não é? Eu acho.

Por isso a virada do ano está sempre envolta de misticismo (estão aí as minhas fitinhas amarradas na calcinha que não me deixam mentir), festejos, promessas, esperança. A maioria das pessoas acredita que o primeiro de janeiro pode significar uma reviravolta. Um mundo, uma vida, um destino completamente diferente. Nem preciso perguntar o por que.

Até porque não se trata de uma questão, mas de uma constatação. Se é o novo ano que chega, que chegue, então, tudo novo também.

Mas... é previsível que eu discorde. Eu tenho uma fama de do contra (com a qual eu não concordo), então vou fazer jus à ela.

O primeiro de janeiro é um dia seguinte ao 31 de dezembro, e só. É uma terça que se segue à uma segunda, ou uma sexta a uma quinta, como qualquer outras – com a diferença de ser um feriado. O famoso “um dia após o outro”, lema de quem vive com calma, sem pressa, aproveitando o que conseguir enxergar de melhor.

O ano que entra não se trata de um vídeo game Super Nintendo. Não há como zerar nada! Não há recomeço. Nem “nova vida, novo tempo”. Só há uma vida, um tempo, um só começo e um só fim. É uma seqüência única – e única para todos nós.

Pare, bicho. Pare de encarar o primeiro janeiro e os 364 (ou 365, para anos bissextos) dias subseqüentes como algo fora do normal. Não precisa, óbvio, entregar-se e deixar ser levado pela maré. Precisa é dar seqüência mesmo. Se tiver que ser de uma forma diferente, melhor, mais devagar ou mais ligeira, que seja! Tome a decisão de como conduzirá a seqüência nos dias que virão, e não há necessidade de pensar nessa decisão apenas em fins de dezembro. Tal qual comemorar aniversário, todo dia é dia para isso. Não deixe para uma vez única do ano!

Por isso, há tempos que esqueci as listas de promessas. Eu apenas continuo o caminho que já venho traçando desde algum tempo, ou inicio o traçado de um novo o qual só visualizei em pensamento. (Ops, contradição? Frisa-se que não faço isso somente no início de janeiro.)

Não sou nenhuma monja (?) tibetana, nenhum psiquiatra ou pessoa completamente experiente e bem vivida que tenha escrito um texto auto-reflexivo para um vídeo que circula no youtube há anos, mas, se há um conselho que eu julgue importante dar a vocês, é esse: dê seqüência! Esqueça reviravoltas, mudanças radicais, só porque é ano novo. Se tiver que mudar, que mude agora, ou numa terça-feira qualquer do mês de maio, ou no São João, Páscoa, em meio ao desfile de sete de setembro. Não espere! Mas também não tenha pressa demais. Ou tenha. Seja extremista ou mediano, você quem sabe.

O maior presente que podíamos ter recebido, nós o temos: o poder da escolha. Faça disso seu trunfo. Escolha como viver, quando quiser, e não nessa época específica. Pois é, a escolha de viver você não pôde fazer, mas a opção de como fazê-lo é toda sua. Feliz 2008.

sexta-feira, 28 de dezembro de 2007

Eu não escrevo para ninguém. Por ninguém. A pedido de ser algum.

Eu, sei lá, não tenho tanto prazer nem interesse em levar o que escrevo para as pessoas lerem. Não me agrada 'mostrar' minhas palavras à minha família, nem aos meus amigos, nem a quem não conheço. Se alguém vir, encontrar por aí, tudo bem, pode ler. Fique à vontade. Mas não me espere chegar na tua frente com um papel em branco e algumas coisas digitadas para você apreciar. Eca. Nunca.

Detesto a obrigação de escrever. Graças a Deus, não a tenho. A maior delas eram as redações semanais do cursinho... A maior não, a única. Não quero nada maior que isso.

Do meu feitio não é o "ter" que escrever. A obrigação de fazer um bom texto, uma boa crônica ou sei lá o que. Pior ainda é um assunto pré-determinado a redigir, um número contado de linhas e até de caracteres (os depoimentos do orkut já me irritam por isso!!)

Eu tenho pena de quem é jornalista. Fora de brincadeira. Em alguns casos, o chefe vai mandá-lo fazer um ótimo texto sobre um assunto que ele tenha escolhido. Como escrever bem sobre algo que você, por ventura, possa não conhecer, ou, pior, não gostar?! Eu prefiro ser a moça do cafezinho do jornal. Tenho pena, depois, pelo número contado de linhas; nem mínimo, nem máximo, contado. Sem falar no que vão dizer de você: sujeito sempre às piores críticas - porque pro ser humano (claro que aqui me incluo) é bem mais fácil punir que elogiar. Bem mais fácil.

Gosto mais daqui, desse blog. De escrever sem intenção de ser algo, ou para alguém. Vou digitando sem saber se o que faço é conto, crônica, ou meros monólogos. Se vou agradar ou não. Bom se agradar! Se não, graças a Deus não vou passar fome por isso. É, não há nenhum perigo de demissão ou bronca de patrão algum.

Bom, né. Ótimo. (Não cobrem de mim, não cobrem de mim. :~)


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Amanhã vou para la praia. Não sei quando volto, mas não demoro.

Odiei o último da série Harry Potter.
Júlio vai odiar esse post e, ou se contrapôr ao que eu disse com argumentos, ou dizer qualquer coisa que não vai trazer nada de novo à minha vida.
Eu tive uma queimadura solar mas já me recuperei.
Odeio meu cabelo escova progressiva e talvez deixe-o crescer por inteiro novamente - ô tristeza.
Feliz Ano Novo. Desejo saúde à vocês. Boas vibrações e amigos de verdade. Para aqueles que acreditam em "simpatia" ou coisa do tipo, lá vai uma: eu, e minhas amigas, amarramos fitinhas vermelhas e cor-de-rosa na calcinha para dar sorte no amor. Eu coloco duas vermelhas de um lado, duas rosas do outro. Deu certo comigo, com Rafaela, Marcela, Stephanie e Mariana. Todas começaram a namorar no ano que se seguiu. :P

terça-feira, 25 de dezembro de 2007

Quem sou eu:

Eu sou pura saudade. Eu sou o choro distante, o sorriso perdido, a imagem fora de foco e os elementos que fazem lembrar histórias: uma lancheira, um tênis (que piscava), um patins, uma(s) cicatriz(es). Eu sou o livro preenchido, o caderno escrito em todas as folhas, frente e verso, a foto empoeirada, "aquela música" e o "lembra aquela vez em que...".

Sou tudo isso. Sou mais a comida que não se vende mais tão igual, o refrigerante em garrafa de vidro, o cheiro das coisas, a baixa estatura, a voz fina e aguda. Os tantos olhares que carregavam seu brilho, a oração que tinha outros pedidos e outros agradecimentos, o caminho diferente, o banco de trás do carro e o cabelo arrumado por outra pessoa.

Sou mais um monte de abraços. Que se foram ou que se repetiram, sou eles também. Sou a dança engraçada, o pedido de brinquedos, a vontade de escola e de parque após o sanduíche com batata frita (ideais para um crescimento saudável). Sou o leite com nescau de todo dia! As panquecas de carne, a recusa às verduras, o suco por cima da toalhinha, o 'eca' para a sopa de feijão. E depois disso sou o elástico e o bambolê, as bóias apertadas nos braços e o medo de altura.

Acredito que eu seja mais que saudade, lembranças e história. Sou, eu sei, aquela que se opõe ao popular "o presente é o que importa", porque não sei o que seria de mim sem meu passado, nem muito menos sem meu medo e minha ansiedade do futuro. Quem foi o louco que só deu importância à uma das bases do tripé e saiu espalhando essa história?

Creia no que eu digo, então! Sou a presunção, ainda mais, olha só.

segunda-feira, 17 de dezembro de 2007

Um absurdo.

Um completo absurdo. Se tem uma coisa que eu simplesmente não entendo, e que considero injustificável, é a permissão para se fumar nos lugares fechados de Natal.

Quinta-feira passada fui ao Seven, assistir ao show da banda João Teimoso, a qual estava comemorando seu aniversário de um ano. Eu já sabia que ia existir uns seres desprovidos de bom senso no papel de chaminés. A todo vapor. Era para eu ter contado quantos eram, mas num lugar com tantos poucos metros quadradros e que abriga tanta gente junta, uma única Maria Fumaça já incomoda muita gente.

O olho lacrimeja. As pessoas ficam com alergia. Enxerga-se pior ainda, por causa do fumacê. Dá vontade de tussir (tossir?), espirrar, e causa um desconforto geral. A fumaça daquela merda chamada "cigarro", "careta", ou "merda" mesmo - para mim - contém gás carbônico, e num lugar pequeno e com gente demais, o gás carbônico já é o maioral do pedaço (o oxigênio, coitado, só faz ser consumido). Não preciso dizer mais né? Tem horas que chegou a ser "sufocante" estar ali.

Não é exagero. Não é frescura. É falta de respeito permitirem que em pubs se fume. Podem me chamar de uma coisa que não sou: careta. Mas é verdade.

Mais injustificável ainda é tomar gosto por esse hábito maravilhoso que é fumar. Eu já provei e sei que a boa sensação é ínfima (um quadradinho de chocolate vagabundo a substitui com louvor). Amarela os dentes. Fede. Fede, fede muito. Acaba com seu preparo físico, e, claro, com seus pulmões. Melhor perder a festa, e viver um pouco mais - e melhor.

Não fume perto de mim. Principalmente perto do meu cabelo! Argh.

quarta-feira, 12 de dezembro de 2007

Odeio(-me).

Odeio ela. "Odeio ela" mesmo, com meus erros de português, os quais ela sempre corrigia. Odeio quando ela me corrige, e reafirma, pela enésima vez, que o certo é "a vi" ou "o vi". Que bosta é essa? Você não sabe o que eu quis dizer?! É o que importa.

Odeio seu cabelo enorme, sempre amarrado. "Solta isso, menina!" "ai não, deixa aí, vai, nem o penteei hoje." Largadona. Demais até. Aquelas calças não-justas, aquelas sandálias baratas e aquele ar de revoltada com a vida e ao mesmo tempo de paz e amor. Urgh. Odeio esse jeito hiponga (é assim que se escreve essa merda?).

Lembro demais dos convites para o camping. Deus me livre! Barraca, areia, selva, 400 mosquitos para cada rosto e nenhuma cama. Quero meu conforto, minha louça lavada, meus pais me sustentando por algum tempo.

Ah, falando nisso, não dá pra esquecer seu brado de independência diário. Seu desligamento que, aparentemente, foi desde o corte do cordão umbilical. Já disse que não vou sair de casa também! Não quero, não gosto. Odeio essa idéia dela de "se virar" na vida. Odeio mais ainda é a de fazer isso "viajando por aí" com uma mochila nas costas, como ela mesma dizia. Isso não é comigo.

Odeio os filmes cult, os livros de literatura nórdica amontoados sobre o criado-mudo. O papo constante de salvar o meio ambiente, o mundo, e eu mesmo. Eu, perdido?! Já me encontrei, sei muito bem quem sou, a louca aqui é ela, não eu.

Odeio as músicas que ela ouve. Reggae e roque demais. Demais! Sua veneração ao rei [Bob] me desesperava. Eu hein.

Odeio as praias desertas e paradonas para as quais ela me leva, os lugares com pessoas iguaizinhas à ela, os "tapinhas" que ela dava de vez em quando. Odeio mais quando me chamava de 'careta'! Não, não gosto.

Aquela comida natural, odeio. Aqueles textos viajantes, aquela teoria de que o amor é sua religião, também odeio tudo isso.

Odeio a forma como ela se declara pra mim, odeio o espírito aventureiro, a aversão à tecnologias, a fobia à cidade grande. Odeio.

Odeio seu cheiro, seu corpo, suas feições de prazer.

E por que não a deixo? Por que alguma coisa dentro de mim ainda me força a responder com um (sei lá se sincero) "também te amo". Me odeio, me odeio.



Ass.: Um qualquer.

quinta-feira, 6 de dezembro de 2007

Bsb beach.

E não demorou muito eu cheguei. Com escala em Recife e uma aeronave lotada, cheguei. Desembarco na cidade dos ternos e gravatas, das pastas pretas e dos cenhos (?) cerrados, do olhar pro relógio com curtos intervalos de tempo, das mulheres bonitas de salto alto os quais fazem poc-toc em alto volume em todos os pisos (não precisam ser de madeira).

Cheguei à cidade sem bairro, onde há mais números que letras nos endereços, e nenhuma onda salgada onde se possa tomar um banho. À cidade do cafezinho caro, de tanto shopping e tanto trânsito, mas com um monte de área verde. Salientando aqueles galhos tortuosos e de cascas grossas. "Por que a vegetação é assim, tu sabes?" "Porque é o bioma daqui!" "Burro! O solo é ácido, infeliz."

À cidade moldada pelas mãos do Nienmeyer, que só existe por causa das idéias megalomaníacas de um governante que vendeu o país.

Virei estrelinha em frente ao Alvorada, bati foto com aquele soldado à lá soldados britânicos ("ah, ele pisca!"), comi quando não tinha o que fazer, reclamei de tanta chuva e de tanto mosquito, vi o sol de pôr às 19h30 (sem bater palmas), tomei chocolate quente pra agüentar os 18°C (pra mim é muito, tá). As provas foram aquela coisa, né? Deixaram uma incógnita.

Ah, Brasília. Até não sei quando mais. (Gosto de ti, mas é que às vezes bate uma dúvida se tu és legal mesmo.)

domingo, 18 de novembro de 2007

Então é Natal!

Apesar de ainda ser a primeira semana de novembro, já é Natal. Você sai de casa no dia de Finados, choroso pela nostalgia, e, de repente, uns papais-noéis começam a escalar muros de lojas, os shoppings estão cheios de guirlandas, e algumas casas ensaiam uma coreografia de vaga-lumes na parte da frente.

É hora também de a prefeitura gastar, de novo, alguns milhões colocando luzes coloridas e enfeites desproporcionais em todas as árvores da cidade, num raio de sei-lá-quantos quilômetros. Que mané saúde, educação, água limpa e saneamento básico! O momento é de comprar lâmpadas e pinheiros gigantes, isso sim! Não é hora para problemas menos importantes, me poupe.

Também é tempo de os órgãos públicos e de o cidadão comum exercer sua hipocrisia de forma plena. Reunir as roupas velhas (trouxa que no último Natal foi maior – está diminuindo a cada ano, talvez ano que vem, ih, nem sobre nada de muito velho), dar de “presente” aquela batedeira velha à sua empregada, mesmo podendo tê-la dado antes, já que há uns cinco anos o objeto foi trocado por outro bem mais funcional e moderno, mas, cê sabe né, bom mesmo é esperar o Natal para que o presente tenha um ar maior de generosidade. E não se pára por aí! Talvez você vá festas de caridade, visite asilos, faça doações ao “Natal Sem Fome” (ainda existe?), engorde a esmola e as gorgetas, e, até sorria um pouco mais. Ah, vai, é Natal. “Entre no espírito! Seja bom! Seja generoso! Abrace seus amigos, parentes, colegas, e também os desconhecidos da rua! Seja outra pessoa! E dia 26 de dezembro volte ao normal!”.

E então vem a lembrança dos presentes. Isso já ocorre naquela manhã de Dia de Finados, na qual você se assustou com a nascente decoração natalina na sua cidade. As multidões alucinadas por compras vão correr para os shoppings, para as lojas de magazines e para o centro da cidade. Presentes para toda a família, afinal, é Natal!, a data em que se comemora o nascimento de Jesus Cristo, o qual deixou escrito, em algum lugar que eu nunca vi, que no dia 24 de dezembro as famílias devem se reunir para comer e beber mais que comeram e beberam o ano inteiro, e também trocar presentes – simplesmente por trocar.

Natal é tempo de festa, de presentes caros, de comprar uma roupa nova para usá-la na noite de 24 de dezembro, mesmo que você não vá botar o pé de fora de casa (ou, se botar, esticá-lo só até a casa dos seus avós). E o mais relevante, é que também é tempo de ser um falso bom-samaritano, sorrir à toa, fazer caridades, abraços a mais, planejamento, de agradecer a Deus (essa fica para os menos fúteis da história). O resto do ano não é tempo disso não. O resto do ano você faz tudo ao contrário, para não “quebrar o encanto” da data.

sábado, 17 de novembro de 2007

Inverdade

- E aí, Bia, preparada para o vestibular?
- Tô!

- O vestibular tá chegando, né... Tá preparada?
- Tô sim!
- Vai passar?
- Vou! (com propriedade)

- Nervosa?
- Não, não, tranqüila... Confiante.

- Estudando muito? (desde o começo do ano)
- Estou.


Eu não estou tranqüila, calma, confiante nem preparada. Eu estou com mais medo do que todos os vestibulandos de primeira viagem juntos (e os de segunda, terceira e quarta também). Minha auto-estima e autoconfiança não são nem baixas, nem nulas, são negativas (o que significa que além de não as ter, eu reúno uns sentimentos mais auto-depreciativos ainda), e eu não escolhi isso pra mim. Odeio, em meio a uma crise de pré-vestibulanda, alguém dizer: não fique nervosa, você é capaz, você vai passar porque isso, porque aquilo porque aquilo outro... Isso não ajuda, tá? Não adianta me mandar não ficar nervosa, não chorar no primeiro dia, não me desesperar nem ter vontade de arrancar todos os meus cabelos com bem muita força: isso vai acontecer inexoravelmente.
E mais inexorável ainda, é o fato de, vez por outra, eu simplesmente não conseguir me imaginar passando, e me pegar planejando os isolados do ano que vem. Não seja burro me mandando não pensar nisso; ou você não entende o que é inexorável?
Argh.
Pois é. Não estou tranqüila. Acho que não sei de nada. Acho que não vou passar, na maioria das vezes. Juro que luto pra afastar o pensamento. Mas é assim que estão as coisas, fazer o que?
E, ah, não estudei muito. Nem de longe. Por isso o medo e todos os outros sentimentos que falei aí.

Satisfeito?

Assunto "vestibular" terminantemente proibido.

E, por favor, não me perguntem nos dias posteriores às provas se eu gostei delas ou não. Esse parecer só virá depois do resultado final - e se este for positivo.

Adeus.

quarta-feira, 14 de novembro de 2007

Buraco na camada de ozônio é bobagem.

Foi o que disse meu professor de Química, que não é nenhum Al Gore mas à quem pode ser atribuído alguma credibilidade. E já tem meses que ele me disse isso, me atrasei a vir aqui postar nem lembro por quê. Preguiça, esquecimento, avessão a polêmicas de tal porte.

Ele anda dizendo isso aos alunos, e quem disse isso à ele foi um professor livre-docente, que leciona(va?) em Universidades inglesas e veio morar em Natal (não me pergunte atrás do que ele veio para cá). Charlton deu a entender que o cara é brasileiro mesmo; presidente da Associação de alguma coisa a ver com Química. Eu esqueci, gente. Não me chutem.

O fato é que disse o tal livre-docente que, nos seus círculos de amizade científicos das bandas da ilha britânica, buraco na camada de ozônio é piada das boas.

Lembra que reza a lenda o seguinte: os gases CFC atingem a camada de ozônio na atmosfera e provocam reações que desintegram as ligações na molécura e etcétera, etcétera, etcétera..? Pois é. Adivinhe você que os gases CFC são densos, e incapazes de atingir a atmosfera. São tão densos que eles ficam aqui por baixo, nos fazendo companhia. E, abracadabra!, se desintegram. Coitados dos clorofluorcarbonetinhos, minha gente, inofensivos como podem, acusados de esburacar nosso "céu". Continuem usando seus laquês, titias e vós (como se eu não usasse para algumas festas, de vez em quando), eles nem prejudicam mais as ligações no ozônio.

Por que, então, conta-se que são os CFC's desintegradores da camada em questão? Perguntei ao Senhor Professor, que responde: acredita-se que algum grupo empresarial, prejudicado por algum outro grupo, dono de indústrias emissoras desses gases, tenham financiado cientistas para que esses divulgassem a idéia equivocada. Eu perguntei, na maior inocência, se aquilo realmente valeria a pena, já que um financiamento desses, com certeza atinge seus milhões fácil fácil. Charlton respondeu algo como: ah, Bia, você não conhece muito o capitalismo...

Nojento (o mundo capitalista).

O mesmo professor me explica a formação dessa camada, aparentemente indestrutível pela ação antrópica. Sabe os raios solares? Claro, né. Sabe os raios UVA, UVB e UVC trazidos por essa irradiação solar? Também sabe. O UVC é o pior de todos, e, não chega até nós; o A e o B são filtrados e chegam às nossas peles, e é justamente por causa deles que devemos usar os fatores 30 da vida. É o próprio raio solar que forma a camada de ozônio, disse Charlton. E adivinha com quem? Com os UVC, principalmente! Essa porcaria, completamente fatal à nós, é quem constrói a camadinha, sem a qual, sei lá, nem existiríamos. E aí, fica redundante explicar por que o buraco da camada de ozônio é tão exagerado nos pólos: porque aí chega pouca irradiação solar né, fi. E isso sempre foi assim.

Então não adianta. Não vá tentar destruir a camada de ozônio que você não vai conseguir. Os raios UVC vencerão.












(Sei que a explicação está bem ruim, mas é o pouco que eu lembro um semestre após a informação recebida. Qualquer coisa procura meu professor transcedental, que ele vai ter prazer em o fazer desaprender tudo que você aprendeu sobre isso anteriormente.)
(Mas claro que, se algo parecido cair na UFRN, eu sou a primeira a dizer: culpa dos CFC's!!! Foi o próprio professor quem me avisou quanto a isso. :T)

quarta-feira, 7 de novembro de 2007

Joana e Amiga 2 (parte II)

Ah, essas culpas. Tanto que uma quis mostrar à outra (várias vezes) que “as coisas não são como você pensa que são”. O juízo que essa fazia era errado, quase sempre errado. Ela tinha culpa e a colocava nos outros, uma mania horrível da qual nunca se livrou. Mas sua companheira não cansava de ensinar e de repetir. Não achava ruim; tinha paciência de Jó e já havia agüentado e confortado muito choro.

Mas tinha um detalhe que uma delas não insistia em mudar na outra: a aversão por aniversário. Pelo próprio aniversário, é lógico. Achava vazio comemorá-lo, simplesmente porque tinha como filosofia existencial comemorar a vida todos os dias, e não apenas um dia ao ano. Você também não acha isso um pouco idiota e... pequeno demais? Todos os amigo compreendiam e é tanto que, no aniversário dessa, restringiam-se aos pequenos gestos, aos “eu sei que você odeia esse dia, mas feliz aniversário, amo você”. Porém, ela lembrava que nessa data viria um dos melhores abraços, e os melhores dizeres: o da sua amiga-diferente.

Eram os melhores dizeres porque eram os mais sinceros de todos. Os mais verdadeiros. Ela falava aquelas coisas bonitas das quais todo mundo (ou pelo menos a maioria do mundo) tem vergonha de dizer ao pé do ouvido, ou olhando nos olhos, e sem estar bêbado. Dizia com a maior naturalidade e isso confortava as duas, mas principalmente a aniversariante. Era esse era um dos poucos motivos que faziam-na acordar no dia do seu nascimento, no ano que fosse, e aguardar por aqueles dizeres melhores. Era uma das poucas expectativas que criava. Afinal, para ela era a melhor parte do dia (ouvir os votos mais sinceros).

Até que houve o ano em que a amiga esqueceu do aniversário dessa outra. Não houve abraço apertado nem agradecimentos ao pé do ouvido. Ficou um vazio enorme, um parênteses sem palavras, literalmente. Sumiram os sorrisos. Não se falaram mais.

terça-feira, 6 de novembro de 2007

Joana e Amiga 2 (parte I)

Sobre elas é mais difícil falar. Ou não. O que acontece, de fato, é que eram diferentes demais. Em nada se assemelhavam (exterior ou interiormente), exceto pelo companheirismo mútuo. Isso sim as unia.

Soa estranho, mas tinha vezes em que Joana não a agüentava, e a mandava “calar a boca”, fazendo isso com um sorriso, é claro. Achava engraçada a mania da outra de falar besteiras, aliás, a mania de falar sem pensar. Era engraçado mesmo, todo mundo dizia.

Antagônicas na razão, no pensar, nas opiniões e nas amizades. O que uma tinha como qualidade faltava na outra, e o que alguém tinha sob a forma de defeito não tinha igual na respectiva também. “Ah, mas isso sim é que é complementação”. Não acho. Mas talvez seja.

Chegavam a sair juntas, sim, mas não era freqüente. O antagonismo vigente deixava suspensa uma espécie de amizade que não tem muita manifestação. Mas que é amizade, e daquelas duradouras mesmo. Não se era necessário enormes abraços e saídas propositais para se provar o sentimento nobre que tinha ali. Bastava saber que a outra existia, e, sem afirmação alguma, ambas sabiam que o sentimento era o de sempre.

Estranho isso, né?

Uma madura demais, a outra aparentemente madura de menos (será?). Uma que não conhecia auto-estima, e a outra que a tinha de sobra; e tinha tanto que, claro, forçava a barra para mostrar-lhe o quanto isso era necessário. Uma amante da trivialidade, e outra daquilo com mais conteúdo (incluindo os debates sérios sobre tudo o que existir). Uma com testa franzida, e outra de sorriso aberto e conquistador. Uma consciente dos atos, a outra merecedora de culpas as quais nunca reconhecia.

quarta-feira, 31 de outubro de 2007

Joana e Amiga 1 (parte II)

Continuavam na mesma escola, nas mesmas aulas, no mesmo círculo de amigos, e a distância veio. "E" é conjunção coordenada adversativa aí, claro que sim, tão incoerente que isso foi. E, pior, não foi aos poucos, não recebeu explicação, não foi indolor nem passou despercebido.

O círculo de amizades mudou. Joana foi para um que já tinha desde seus, hm, 8 anos de idade. Nunca havia acreditado neste círculo, mas foi o que sobrou. E em se tratando de amizade, a sobra não é o resto, mas o tudo. A Amiga ficou naquele outro, aparentemente mais divertido e unido. As pessoas se importavam com ela, e ela com eles. Até que chegou o ponto em que Joana não importava mais, em que os cumprimentos pareciam de quem mal se falava, em que não havia mais confissões ou segredos. De vez em quando alguém forçava a barra, mas nada voltou a ser o que era antes.

Sem cartinhas, sem textos nem pretextos. O tempo passou mesmo e a vida as ensinou de que os caminhos e os amigos estão aí para serem escolhidos, e tudo depende (única e somente) de nós. Hoje Joana a ouve combinando as viagens, as festas, e as dormidas de fim de balada com os novos amigos. Segura o choro e abre um sorriso. Em seguida pergunta: e aí, como é que você tá?

Há quem diga que as sobrancelhas espessas e as personalidades inigualáveis continuem iguais, mas sem se encontrar. Andando em retas paralelas, como diria o professor de Matemática (ah!, era ele quem sempre trocava o nome das duas!).










(Cabou.)

segunda-feira, 29 de outubro de 2007

Joana e Amiga 1

Uma sempre soube quem era a outra desde tempos antigos assim. Até que se cumprimentavam, não se odiavam, mas também não sonhavam em ser amigas ou coisa do tipo. Uma lá e outra cá, até o dia em que as circunstâncias de um sonho as uniu. As circunstâncias e a vontade de realizá-lo também.

Elas duas e mais um monte de gente querendo algo em comum. Foi bom enquanto durou. Adivinhe você que o desejado nem veio, mas que a amizade perdurou.

Uma espécie de metade da laranja foi uma se tornando para a outra. Tinha gente que as confundia! Mas eu particularmente acho que, fisionomicamente falando, não tinham nada a ver. "Eram as sobrancelhas espessas", algum observador verificava. E era mesmo.

Mas imagine alguém que odeie tudo que você também odeia, que tenha valores idênticos e sonhos parecidos. Imagine a complementaridade suprema de conselhos e repreensões; de ajuda mútua. Joana aprendia com sua amiga num espaço de poucos meses o que amizades de anos não haviam lhe ensinado - ou completado.

Bebida gelada, xingamentos, palavrões, comidas calóricas, sim!, dançar até não aguentar mais, um convite para beber e um outro para o cinema - hobbies preferidos de ambas. Tinham tudo para ser melhores amigas, mas não o foram. A Amiga já tinha uma melhor amiga dos tempos de infância, coisa que Joana nunca conseguira conservar igual.

Os dias seguiam. Joana nem achava necessário perguntar "como é que você está?", mas sim "o que é que houve?". O semblante da outra dizia tudo sem que escorresse uma lágrima ou aparecesse um sorriso amarelado (daqueles falsos). As personalidades fortes faziam um duelo lindo, e os outros assistiam sorrindo àquela amizade que mais parecia sinestesia - sensações se fundindo o tempo todo. Era tudo muito intenso.





(Continua, sim)

sábado, 27 de outubro de 2007

A usualidade da afirmação.

Tem gente que prefere dizer logo o que pensa ao invés de perguntar. Do nada, soltam sua opinião em tom de verdade absoluta, sem nem ao menos indagar sobre a verdade do assunto em questão. Ou pelo menos uma indagação disfarçada, com o tom interrogativo não tão claro. Tá valendo também, pô.

Pessoas que me encontram duas vezes ao ano e mal sabem como eu sou, quem eu sou, têm a audácia de dizer: por que você está com medo do vestibular? Você nem fica nervosa!

Digaí que grande acerto. De fato, não sou eu que tenho crise de choro no portão da escola da prova. Também não choro por semanas seguidas, assim, de praxe, por causa do cansaço. Não tenho desespero algum na hora que não consigo resolver mais de dez questões seguidas. Nem insônia, gastrite, intestino funcionando pessimamente (desarranjos e a tal das 'gases'), monte de enjôos. Não enlouqueço com Física, nem as Geometrias Espacial e Plana. Eu saco tudo disso, tão bem que você nem imagina. Minha cabeça não quer explodir no fim do dia. Minha vontade nem é desistir de tudo, e sair correndo da sala de aula na maioria das vezes.

Sabia não, que eu era assim? Pois é. Aprenda, por obséquio, que as aparências enganam, e que deixar-se levar por elas é sinônimo de burrice (para não dizer imbecilidade). Aprenda que o que você pensa muitas vezes não é o que realmente é, e que não se faz pré-julgamento.

Fico só um pouco irritada com isso. (Acontece sempre. Sempre.)

quarta-feira, 24 de outubro de 2007

(continuação)

Foram os dois que desistiram um do outro, sabe. Isso era mais que previsível, ao mesmo tempo que incompreensível se olhasse para trás. Uma história de bons momentos, entendimentos de verdade, uma espécie de "sei exatamente como você se sente quanto a isso". Eles eram iguais em muita coisa.

E por serem tão iguais, parece que o lance que a Eletrostática tem de "corpos de mesma carga se repelem" se aplicou à eles também. Foi paulatino e inexplicável. Ele começou a mudar de repente; tanto ela labutou, e nada.

Foi exatamente o que eu te disse. A falta de consideração de repente, o "por-favor-não-exista" da parte dele e tudo o mais. Ambos não queriam mais um ao outro. Mas foi ele quem não quis primeiro.

terça-feira, 23 de outubro de 2007

Ele a deixava para trás, literalmente. Descia do carro e, pá, pum, desaparecia. Um "obrigado" seco dizia antes, daqueles carregados de um sentimento de obrigação, nunca de gratidão. Virava as costas, não esperava jamais. Saía correndo porque queria se ver livre dela o mais rápido possível.
As mais arrogantes palavras, sempre. Com todo mundo, sabe, mas com ela dava pra sentir que era pior. De propósito? Ela se perguntava isso também. Nunca soube, mas sempre desconfiou que sim.
Descaso tamanho, falta de consideração que doía. Conhece aquela vontade de chorar sem parar por causa da maior das besteiras? Mas falta de consideração para ela não era besteira, era coisa séria. E isso tirava-lhe o sorriso diário.
Quem dera ele ela não existir! Quem dera ele ela agüentar aquilo tudo, como se tivesse obrigação de apanhar um pouco na vida. Pra aprender. (O que, hein?)
Até que chegou o dia em que ele saiu correndo (de novo), o mais rápido possível. Subiu na bicicleta e não esperou-a, como bem haviam combinado e como bem era comum voltarem sempre juntos. Levou (ou deixou?) consigo a indiferença.
Dias depois descobriu, ela, que as palavras trocadas não passavam de obrigação por causa de um trato que eles haviam feito. Ele agora respira aliviado por ela ter desistido do acordo, e nem a cumprimenta mais.

segunda-feira, 15 de outubro de 2007

Assaltante rouba relógio de brasileiro em São Paulo.

Com esse título digam todos: ooooohhh!

Adianto que não vou ficar do lado dos que acusam do que Luciano Huck é (elite, mauricinho, mimado, playboy, ex-trancafiado de bolha de isolamento (coisa de gente rica, sabe), etcétera), nem ficarei do lado daqueles que o defendem com seu grito de gurra de que ele-é-igual-a-todo-mundo-e-por-isso-pode-reclamar-cadê-a-democracia-? Não. "Vai ficar em cima do muro, Bia?" Quem sabe. Vamos brincar de analisar? Pseudopsicologizar.

De fato, o Luciano é cidadão brasileiro e tem todo o direito de espernear após terem roubado seu relógio de camelô (presente da esposa; dependendo do modelo, pode ter custado seus cinqüenta mil). Se ele teve o meio, isto é, onde espernear, bom pra ele. Está lá, na Folha de São Paulo, ele mandando chamar o Capitão Nascimento e dizendo que no outro dia acordou envergonhado de ser... o que foi mesmo que ele disse hein?

Lembro não. Eu esqueci aquele artigo e esqueci de propósito. Porque ele é ruim, é bobo, é pueril demais. Vem cá, aquele cara saiu de casa pela primeira vez em mais de 30 anos foi? Não, por favor me diga que sim. (E essa é a parte que mais me entristece.) O texto-manifesto do rapaz parece tratar de algo nunca visto, uma aberração, algo atípico, absurdo tamanho. A gente sabe que não é.

A gente sabe que, infelizmente, roubar relógio e muitas outras coisas no Brasil, é rotina. Relógio, celular, carteira, carro, bancos, casas... vidas. Roubar, furtar, assaltar, talvez sejam os verbos mais citados nos jornais locais. Luciano não lê?! Não sabe disso?! Outra não-surpresa.

É infeliz que se escute a notícia de um roubo sem levar o menor susto. Assim como é infeliz ouvir que as favelas do Rio continuam sua guerra de traficantes; assim como é infeliz ler nas tarjas do canal 60 a nova quantidade de mortos na guerra do Iraque; assim como dói no coração de alguns brasileiros com consciente operante e um pouco de cidadania saber que, todos os dias, os políticos estão tirando mais uma pá de dinheiro nosso e usando em prol dos seus bens, das suas vidas e dos seus ternos e carros importados. Tudo isso é doloroso - pelo menos pra mim - e não é novidade.

Eis que não me incluo nem no grupo dos que estão do lado dele porque acham que isso é aplicação democrática e um cara como ele (?) deve fazer isso, como também não me incluo no grupo daqueles que falam uns desaforos e acham que o cara não deve reclamar porque já tem muito ou porque ele acha que por ser quem é, está imune a esse tipo de coisa. Meu grupo é o dos que ficaram pasmados com o "desabafo" huckiano: ei, por que o susto, Luciano? Todos os dias, milhares de brasileiros passam por situação pior ou mais traumática que a sua. Nunca paraste pra pensar nisso? Num é você que é dono de ONG?

Manda o marido da Angélica ver noticiário, comprar o jornal do dia, ter mais consciência das coisas. Manda o cara virar adulto e parar de chamar a tropa de elite ou a tropa da elite. Manda ele, e todo cidadão brasileiro, se assustar e se indignar mais ainda a cada roubo, assalto, ou morte. A gente não merece isso, NINGUÉM merece isso - seja quem seja e venha de onde vier. Vamos brincar agora de outra coisa: de ser conscientes, de parar de criticar quem roubou e quem foi roubado, quem tem direito ao o que aqui. O buraco desse país é mais em baixo. Esqueçam o rolex, o artigo, e o chororô do narigudo. Pense como anda a sua vontade de fazer a diferença. Perdoem o clichê, mas é desse tipo de reflexão que a gente anda precisando.

sexta-feira, 12 de outubro de 2007

O doze de outubro que haveria de ser o décimo

Se não erro nas contas, seriam hoje 10 anos completos. Ainda me passa pela cabeça a possibilidade do que "poderia ter sido". Uma festa de aniversário e umas pessoas te aplaudindo, literalmente. Aplausos sempre foi o que você mereceu.

Devaneio sobre como serias hoje. Se seu cabelo ainda teria aquele bicolor castanho na raiz e loiro nas pontas, ou se teria já começado a escurecer - o que normalmente acontece; se seus olhos ainda seriam daquele castanho claro, ou se teriam puxado pro mel ou pra qualquer outro tom de castanho, mas aposto que continuariam vivos e grandes, com aquele brilho de menina apaixonada; será que estarias enorme, próxima do meu tamanho, ou pequenina e sem me assustar com um crescimento acelerado que eu notaria a cada encontro? Eu ia até te perguntar sobre os paqueras, os namorados, porque cê sabe né, as crianças hoje são precoces (mais do que as do meu tempo - eu! - já eram).

Queria multiplicar as lembranças nossas. Recordo só de um sorvete no calçadão, uma pizza, uma piscina, um "banho de banheira" improvisado; lagoa, varanda de apartamento e "namorar os surfistas", uma festa de aniversário (que de tão grande parecia teu 15 anos, já), e uns encontros com umas risadas exageradas. Risadas minhas, claro. Eu achava graça de coisas que tu não entendias, que, aliás, tu fazias na maior inocência e eu interpretava com olhar de adulta (puf, coitada de mim).

A saudade aperta, não pense que atenua com o tempo. O conforto não é total, e o conformismo muito menos. Nos devaneios inserem-se as perguntas se isso foi "o que tinha que ser", ou se poderia ter sido de outra forma, se há realmente o "poderia ter sido" de que falo, o qual às vezes me desmonta. Do fundo do coração, a maior vontade que tenho no doze de outubro é cantar parabéns pra ti, junto com mais um monte de gente que te ama e que precisa de você, batendo palmas bem alto, te aplaudindo de verdade, porque é isto que você ainda merece e sempre mereceu.

quinta-feira, 4 de outubro de 2007

E pros amigos sinceros deixo a razão. Sim, a razão, e não a emoção. Deixo a razão porque acredito que a emoção mova aquelas amizades de bares e boates, de gargalhadas e histórias divertidas. A emoção, a adrenalina, e a vontade de divertimento sempre nos mandam pra pessoas assim. A razão não. A razão perdura, se resguarda, não se manifesta enquanto não for preciso, e deixa a emoção fazer a festa, rolar solta e comandar as relações interpessoais. A razão é a mais observadora de todas as observadoras.

Acredite que estás rodeado de pessoas para as quais a emoção te guiou. A emoção de um encontro casual, daqueles bem épicos, sabe? Que a gente acha que vai contar pros nossos netos lembrando-se de um "velho amigo". Besta, talvez não passe de um ente que estudou contigo e que talvez te deixe uma lembrança aprazível. E só. Pros seus netos você vai contar daquele amigo que você amava e não dizia (e provavelmente ainda ame), que você sentia falta, saudade, distância e também não falava (e provavelmente ainda sinta tudo isso), que te entristecia com umas mudanças repentinas, que você queria ter passado mais tempo junto e depois se arrependeu por não ter tentado.

Não me acuse de mentirosa! É fato que a gente pouco reconhece os amigos de verdade. Os confundimos tanto! Pomos nessa categoria (e como eu odeio categorizar as coisas!...) quem não devia estar; dá um nó na nossa cabeça, que só se desfaz nos piores momentos. Aliás, às vezes não chega nunca a se desfazer. Às vezes passamos uma vida inteira com essa confusão estacionada, que nem nos parece confusão. E ela perdura (tal qual a razão) porque os nossos amigos reais preferem não se manifestar, preferem não precisar dizer o quanto você é importante pra eles, porque eles sabem disso e acham que isso basta (inocência!); porque eles têm plena convicção que não é uma semana, um mês, um ano afastado e mudando de círculo social que vai abalar alguma coisa. Eles ainda guardam com carinho o verdadeiro amigo que com o tempo passou mais a parecer colega de turma. (Mas não é! Eu sei!)

O saber desses amigos verdadeiros, a razão deles, é que é bom de conservar. É uma razão assim que eu quero deixar pros meus amigos de verdade.

A confusão na minha mente se faz e se refaz... mas eu guardo umas certezas quanto a isso. Umas certezas assim, inexplicáveis, imutáveis. Que perduram, portanto.

terça-feira, 2 de outubro de 2007

Não gostei.

Esse ano não tem sido uma constante eu circular em ônibus, ao contrário do meu 2006. Acho que, hoje, 02 de outubro, não somam nem 10 ou 12 as vezes que embarquei nesse transporte desde janeiro. Mas agora, voltando ao Eucaliptus quase diário (e aguardando o desbloqueamento da carteira de estudante para poder comprar meus tiques), tomei um susto.

Segunda-feira, dez pra uma da tarde, mal chego na parada e lá vem o azulzinho, "Via Alecrim". Ergo o braço direito e conservo uma mania estranha de balançar o punho nessa hora - não sei por que faço isso, demonstrando uma espécie de agonia (que eu não tinha). O ônibus pára e eu me deparo com duas portas, uma praticamente do lado da outra. Como se fosse uma estrangeira, ou então qualquer grã-fina daquelas que nunca haviam subido num ônibus e que desconhecem a propriedade da cordinha, eu pergunto ao motorista: entra por essa ou pela outra? E ele, com aquele ar de satisfação enorme pelo vultoso salário que deve receber no fim do mês, somada a vontade de dirigir pelo trânsito organizadissímo da planejada Natal, responde: por essa!

Segue outro susto: o motorista é quem recebe meu vale-transporte. Cadê o cobrador? Até então só tinha visto isso nos microônibus, em ônibus normal jamais. A roleta mudou de posição, está tipo em diagonal, e logo na entrada. Atravesso-a com dificuldade (mochila + fichário + pasta + livro de 400 páginas do meu pai que deve ser manuseado com muito cuidado), encontro duas amigas antigas, que juntamente com umas outras 3 (na hora parecia mais), estão bloqueando a passagem de quem chega, e aos trancos e barrancos me dirijo ao banco. É quando me pergunto: que porra é essa?

Não peço desculpas pelo termo, porque eu me revoltei. Quer dizer que os ônibus novos não têm mais cobrador? Desemprego. Massa. Bacana. O motorista, além de se preocupar com quem desce e com quem sobe, onde deve ou não parar, com os carros que odeiam o veículo que ele dirige, com pedestres no meio da rua, sinais de trânsito, e sei lá o que tanto mais, agora também deve atentar para o vale-transporte (e colá-lo no papelzinho), tickets (e conferir se bate com a carteirinha), troco (que envolve moedas minúsculas de 5 e 10 centavos), e, como algo recente também, autorizar a passagem da pessoa de acordo com o pagamento. Dependendo de como você estiver usufruindo do transporte, ele autoriza num sensorzinho lá, pra poder liberar a passagem pra você. É quando uma voz de aeromoça frustrada anuncia: "estudante!" ou "inteira!" (eu observo, sim, um tom exclamativo na frase; você não?). Isso atrasa, e muito. Atrasa quem espera o motorista fazer isso pra poder passar pela catraca; atrasa quem está no ônibus com pressa, porque agora o motorista demora mais pra sair da parada; atrasa o trânsito, pois agora o coletivo fica mais tempo estacionado que andando. (Eu não quero nem imaginar como deve ser quando falta troco.)

Mas tem mais! A porta de sair é LOGO DEPOIS da de entrar. Quem tá chegando se esbarra com quem tá saindo, provocando uma sensação claustrofóbica de vaquejada que tem banda cearense como atração principal. Aqueles que estão de saída se acumulam ali, esperando a próxima descida; quem chega tá doido pra se sentar e passar direto pro seu banco - esse processo agora se complicou.

Não vejo justificativa para todas essas mudanças. Talvez argumente-se que seja pensando nos idosos, que antes tinham de correr lá pra trás do ônibus, pra poder subir. ("Ei, motorista, gratuidade, oh!"; "Por trás."; corrida desajeitada, sobe resfolegando e senta - quando dá.) E nos deficientes ou em outras pessoas em mesma situação. Mas não custava colocar a porta no meio, ao invés de por as duas no começo. Aliás, não custava nada fazer a máquina funcionar pro gratuidade (essa de agora funciona?) e pra qualquer outra circunstância em que o cidadão merecesse usar o transporte público sem desembolsar nada. Por que mudanças tão ridicularmente estúpidas?

Pela primeira vez, desejo que me esclareçam tudo isso em forma de humilhação. Normalmente eu argumento contra algo e depois vem outro e justifica tudo, me deixando no chão. Claro que detesto isso. Mas agora é isso que eu quero. Porque eu preciso que me convençam de que esse sistema é o melhor e o mais correto. Preciso que me calem, e que me façam compreender que R$1,75 é um preço justo por uma calamidade dessas.












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Ai, sim, ei, me dá umas dicas de música bacana preu baixar. Se possível alguma coisa instigante. Estou voltando a correr. =)

segunda-feira, 24 de setembro de 2007

De noventa e nove a quase zero.

É impossível ter certeza absoluta de alguma coisa na vida. Nem gosto dos termos "impossível", "nunca", "sempre" e similares. Sou do tipo imparcial quanto a isso, ou pelo menos tento ser de quando em vez. Mas é fato. As certezas (tirando a da finitude da nossa existência), quando muito, atingem os seus 99%, mas a porcentagem nunca se completa.

Felizardos são esses que atingem os tais noventa e nove por cento. Queria estar inclusa nos que têm dois noves de certeza na escolha profissional. Ah, sei lá, vou dizer que esse "é o meu sonho". E digo mesmo. Digo porque na adolescência, todo mundo sabe, as idéias são confusas, os planos são numerosos demais, as incertezas são praticamente absolutas. E aí venha com o papo de faculdade que o nó aperta de vez.

Meus 99% estavam lá, quetinhos, seguros e contentes por uns dois anos, desde quando fiz a escolha. Nunca nem tremeram na base para um 98,99%, te juro. Isso aconteceu até o dia que o ano de concluinte chegou e o da inscrição se aproximava. É inversamente proporcional, né? Quanto mais o tempo passa, mais a certeza diminui. Virou regra, porque é justamente nesse momento que a gente pára e se pergunta: eu tô fazendo a escolha certa, né? Tô, num tô? Não, porque... É, estou. Devo estar, devo estar.

Bate uma vontade louca de trocar a Medicina pela Engenharia Civil, a Psicologia por Ecologia ou Ciências Biológicas, fazer Geografia porque gosta da matéria, pensar em fazer Nutrição, quem sabe. Espero que até aí eu seja normal, igual a todos os outros adolescentes - conjunto de hormônios em erupção ambulantes.

Não fosse, porém, o agravante da família bacana que, desde que nasci, vem me hipnotizando: você vai fazer Direito, você vai fazer Direito, ou Medicina, mas você vai fazer um desses dois cursos na sua vida... É desolador, cara. Viram pra ti, e com um ar de "preste-atenção-na-merda-que-você-está-fazendo" perguntam: por que Psicologia, hein? Uma espécie de "qual o propósito de você fazer isso, pelo amor de Deus? Te criei tão bem, com tanto carinho e com tanta esperança... te vi, desde a maternidade, com um livro de Direito Penal debaixo do braço ou vestindo uma bata branca e sendo chama de Dra....". Diria até que soa deboche essa pergunta, mas na verdade é mais preocupação mesmo. O mais bacana de tudo é o bombardeio de perguntas desse tipo vir depois de eu ter feito a inscrição (lembro o quanto feliz e segura eu estava nesse dia, estava sim!), o que aumenta ainda mais a insegurança: será que eu acertei mesmo?

Até agora, a certeza que dá pra achar que tenho, é a de que não há como saber se eu acertei. É uma resposta que virá a longo prazo, e que se vir negativa, vai, no mínimo, me colocar no fundo do poço, porque eu vou sentir os genitores me olhando com cara de reprovação e dizendo sem dizer palavra: eu bem que avisei...! (Mesmo que por hoje eles mintam e falem que vão me apoiar caso eu queira voltar atrás lá da frente.) E a conseqüência mais imediata até então foi o total desestímulo e a completa desilusão com o caminho que tracei pra mim, que eu escolhi sozinha, e sobre o qual vou ter que andar solitária nos próximos anos - me apoiando sabe lá em quê.

Pelo menos eu vou tentar. E se eu me arrepender, tenho certeza (!?!) que a única a ser culpada vou ser eu. Pelo menos isso.




~
(Júlio, não me mande para o jornalismo (outra vez!).)

Ei e eu errei uma coisinha no post passado. Escova progressiva não leva formol! Minha possível rotulação tem que mudar de 'formolizada' para alguma outra coisa mais coerente então...
(Puf. Não falo sério quando a palavra "rotulação" sai da minha boca. Por favor...)

quarta-feira, 19 de setembro de 2007

Sou outra pessoa.

Em anos recentes seria mais fácil eu chamar alguém pro próximo show no DoSol Roque Bar, e não para o próximo Asa de Águia que fosse ter.
Antigamente o final de semana chegando me empolgava pela perspectiva de sair e beber; hoje, pela vontade de dormir (e quanto dá).
Minha galera era outra, totalmente diferente. Abominava os gostos, as roupas e as conversas de muitos que hoje são meus amigos. Me sinto uma hipócrita aqui. Eu sou como eu não queria ser, aparentemente falando.
Talvez por dentro também tenha eu mudado. Não na essência, porque esse caráter, de fato, não é mutante. Mas o falar baixo e calmo que não era meu; os abraços constantes, que minha mãe diz ser sintoma de carência; o olhar perdido e o desprezo pelas discussões: sou hoje a favor do brando, do delicado, da calmaria. Põe as revoltas pra longe de mim. (Antigamente quem comandava a histeria era eu. Sempre eu.)

Às vezes confundo tudo e saio mesclando. Uma crise de pré-adolescente (aos 17, sim!) que acha que aparência diz muita coisa; eu hoje sei que não diz, mas às vezes não sei se não diz. Sou igual a uma legião de garotas, muitas radicalmente vazias, porque a indumentária e os cabelos formolizados me põem em par de igualdade com elas. Na boca as mesmas gírias e os poucos palavrões, porque "é feio". Eu não era assim e às vezes assim sou. Também não me decido. Fico em cima do muro. Sei mesmo é que mudei. Só ainda não concluí quem sou eu.

quinta-feira, 13 de setembro de 2007

A última que morre

E eu poderia consumir alguns minutos meus e de quem for ler esse post, dizendo que o que aconteceu hoje legitima a impunidade no Brasil, ou dizendo que falta ética, moral e caráter nos nossos governantes, falta peso na consciência etcétera e tal. Ou, melhor ainda, poderia dizer que "é preciso fazer alguma coisa!". Mas não. Lugar-comum, clichê. Quem me conhece sabe que abomino isso. Não vou perder meu tempo dizendo o óbvio, mesmo que vez por outra eu faça isso sem intenção.

Minha preocupação não está no fato de que o cara foi absolvido; não está no erro de que a sessão foi secreta, e de que para isso a segurança do Senado foi completamente mobilizada, com direito à armas que disparam choques elétricos e tudo mais. Foge. Minha indignação é outra.

As rugas na testa são causadas pelos 6 senadores que, diante de problema tal, disseram "por mim tanto faz". E as rugas vão ficando mais fundas, o semblante se acentuando, quando eu escuto: "ah, você tá revoltada com ISSO (ênfase ao pronome demonstrativo que carrega uma surpresa, como se estivéssemos tratando da liquidação que acabou antes do que eu desejava)?"; "Isso não me surpreende mais, foi só mais um."

Tudo bem que não surpreenda mais, mas... não faz nem cócegas em você saber que o dinheiro que você ou que seus pais suam para ganhar, ao invés de voltar pra vocês próprios e pra quem precisa, vai parar nos bolsos de quem já esbanja filhodaputamente? Em mim dá uma dor no juízo ver o descaso que os políticos brasileiros olham para quem os elegeu, colocando debaixo do próprio colchão o dinheiro que ia pro "leite dur minino" de um monte de pai de família vivendo abaixo da linha da miséria; de outro monte que queria estudar, trabalhar, e não precisar roubar e matar pra poder comer.

A galera se decepcionou e perdeu o poder de se indignar. Cruzou os braços para sempre, achando que fazer isso e chegar no domingo de outubro votando nulo é ato de protesto. Estamos TODOS desacreditados, não é só você não, meu fi, mas acontece se você perder o último poder de que ainda pode ter em mãos... é, de fato, o futuro (incerto ou não) se torna um tanto mais catastrófico.

Não se desfaça do poder de revoltar-se, porque é isso que os políticos querem e torcem! (Foi bem pra isso que Renan saiu do plenário dizendo que ia "rezar"...) Revolte-se mesmo que seja no seu íntimo, mesmo que seja numa mesa de bar, conversando seriamente sobre futuro dos filhos que você ainda não tem. Não perca de vista o grupinho que se tranca feito maçonaria para resolver problemas que interessam ao povo todo; eles estão errando e você precisa saber disso! Não deixe esvair a esperança... Acredite naquele ditado (clicherizado) que fala sobre a esperança, e pense no que ainda há por fazer de nossa parte. Não julgue se é cedo ou tarde demais. Esse poder você não tem.

quinta-feira, 6 de setembro de 2007

"Agarra-me! Agarra-me!"

Está lá, no conto de Drummond, quando ele tem Dasdores como protagonista, e o relógio da sala como antagonista. Observou bem demais, esse poeta e prosador, que, quanto ao tempo e ao objeto pendurado na parede da sala de Dasdores, "se nos esquecermos dele, talvez pule meia hora, como um prestidigitador furta um ovo, mas, se nos pusermos a contemplá-lo, os números gelam, o ponteiro imobiliza-se, a vida parou rigorosamente".

Então sempre foi assim. (Suspiro um pouco aliviado). Levemente aliviado. Quase nada aliviado. Por que urge dessa forma, hein? Por que os crepúsculos e as primaveras acontecem e a gente, quando se dá conta, tem só as lembranças do que já foi? Lembranças, lembranças, e mais lembranças. "O filme que passa", "a música que fala por momentos", "o cheiro que traz à tona velhas histórias". É sempre assim também. E odeio dizer "sempre".

A mãe de um professor meu dizia, quando viva: o homem tem a impressão de que o tempo está passando cada vez mais rápido porque, a cada dia que passa, ele se ocupa com mais e mais coisas. Então é assim? Quando eu ficar velhinha, e estiver somente me dedicando às costuras e às panelas (suposição, claro), vou saborear mais vagarosamente cada pôr-do-sol e cada estação? Esses momentos não serão exatamente só lembranças? Será que é assim mesmo?

Acredito que não. Se Drummond, quando falava de Dasdores, que tinha como grandes preocupações a missa e o presépio daquele Natal, já aplicava à sua personagem a raiva (concluo eu) que ela tinha da velocidade dos ponteiros do relógio, numa época em que não se falava em internet e os veículos eram escassos, então é porque essa sensação é intrínseca do ser humano, que tem medo do fim da linha.

Eu tenho medo (mentira, eu morro de medo) do fim dessa linha. Não acho tão aventuroso assim o fato de não saber quando ele chega, ao mesmo tempo que acho que esse é o melhor modo de se viver. (E mesmo que este achismo não existisse, eu não teria opção.) Tenho pedido à Deus, nas minhas orações diárias de toda noite, que afaste de mim o pensamento constante sobre a efemeridade da vida e do tempo. As perguntas sem resposta estão começando a me dar insônia, e umas apreensões gigantes. E depois, como é que fica? E depois ainda serei eu, Bia Madruga, olhando para trás e fazendo análises do que passou? E depois haverá consciência e as mesmas sensações que tenho hoje? Por que é desse jeito? Qual o sentido, por que não me dizem antes/logo?

É triste. Avassalador, sabe? Não dá pra afastar por vontade própria, nem preenchendo a cabeça com qualquer futilidade divertida. Pior é chegar a conclusão de que tudo foi conceituado (um minuto equivaler a 60 segundos, um dia corresponder a 24 horas, um ano ser 12 meses, e cada mês 30 dias), e que mesmo assim esses conceitos de nada servem: é tudo abstrato e subjetivo demais.

Está passando, está correndo... Não posso mais me questionar sobre nada, que não há tempo para isso. (Um estalo de 'literalidade'.)

quinta-feira, 23 de agosto de 2007

Wishlist de aniversário

* Menos ganância e egocentrismo;
* Que as pessoas parem de desperdiçar água e de jogar lixo pela janela;
* A temperatura do planeta estacionar onde está;
* Emprego. Estudo. Comida todo dia - para todos;
* Sorrisos sinceros;
* Consciência: gastar menos energia, menos gasolina;
* Não-iminência de assaltos e seqüestros. Poder andar na rua sem medo; poder voltar da balada a pé;
* Incontinência de verdade e sinceridade;
* Consideração, seja por quem for;
* Abraços apertados;
* Menos dióxido de carbono (e de enxofre também!) na atmosfera;
* Menos saudade;
* "Lítio", do Patrício Jr.;
* Árvores;
* Cessão do desmatamento, das queimadas, do capitalismo abocanhando faunas e floras;
* Amenização do solo rochoso que nada dá no Sertão;
* Humildade;
* Vergonha na cara e honestidade naqueles lá, em quem a maioria do povo perdeu uma preciosa parte do seu domingo votando nas urnas;
* Novas composições de Los Hermanos (o não-fim deles, quero dizer);
* Esperança.





Provavelmente esqueci de muita, muita coisa. Aliás, eu devia ter pedido "tempo" nessa lista, porque a correria tá complicando. Mas existem outras coisas mais urgentes. Outras coisas que o próprio tempo deveria trazer com urgência, tipo a maioria dessas aí.


Odeio aniversários, e isso não é novidade pra ninguém. Portanto não espere que o amigo de vocês, o Orkut, vos lembre. Apaguei da memória dele, apaguei.

segunda-feira, 20 de agosto de 2007

Num reality show

"Bia! Você come amendoim?! Eu não sabia! É super calórico!..."; "Você tá pensando em comer um pastel? Frito? Tem certeza? VOCÊ?"; "Tu vai comer isso?! Esse salgadinho?! Mas é frituraaa!"; "Ahn? Como assim Bia comendo um salgado (parêntese só para dizer que era só pão e queijo, e não uma coxinha ou algo escorrendo óleo) da cantina? Meu Deus, o mundo vai se acabar!"; Pego uma trufa no armário e "Você tá saindo do regime é?" (sorriso enigmático de quem disse isso, sabe lá se era de felicidade verdadeira ou de tamanha estranheza e tentativa de amedrontar para a possível conseqüência dos quilos a mais); "Não te conheci assim não... Comendo crepe e doces!".

Só porque eu tomei uma medicação no ano passado, que me deu quilos a mais e não me cabia nas roupas que eu tinha, eu TIVE que emagrecer quando parei de tomar o remédio e fiz um regime sério. Por 5 meses, porque eu não tenho tendência pra emagrecer. 5 meses é uma vida para as pessoas, por certo. Se eu passei esse tempo me privando de algumas coisas (porque ainda estava nas conseqüências do REMÉDIO), para as pessoas isto significa que eu tenha que me privar destas coisas para sempre. Sou vigiada, então. Me censuram se o que eu estiver mastigando não for algo natural, de soja, ou proveniente de uma embalagem que tenha escrito "light" ou "0% de gordura" em letras garrafais gigantes.

O cúmulo aconteceu no início dessa semana que se passou, em que eu fui tomar um sorvete e precisei me esconder para tal. E eu só fui tomar essa gordura trans porque o dentista tinha apertado meu aparelho como nunca, e eu precisava de alguma coisa gelada para anestesiar.

Perdi o prazer do paladar. Se entrar uma fritura pela minha boca, eu lembro dos olhos espantados e das frases que nas entrelinhas têm: mas você vai engordar, Bia! Lembra o quanto você é complexada com isso?!

Isso é a prova viva de que assistir bê-bê-bê é, de fato, uma perda de tempo. Se você viver, já será o mesmo. As câmeras são os olhos alheios; os telespectadores, teus próprios amigos (aspas aqui?).

terça-feira, 14 de agosto de 2007

Amor

Têm uns desocupados (leigos, insanos, enfim) por aí definindo o que é Amor. Um disse assim: forte inclinação por pessoa de outro sexo; afeição, grande amizade. Um outro quis ser mais complexo falando que era "viva afeição que nos impele para o objecto dos nossos desejos", e ainda se ocupou em definir os tipos de amor: plantônico, captativo, conjugal, oblativo, possessivo... Lista extensa.

Hoje, no meio da aula de Química, estava eu sentada do lado de duas pessoas que não são meus amigos e que travavam um diálogo que pra mim é ligeiramente vazio: discerniam paixão de amor. O menino falou objetivamente; a menina negou a possibilidade de definição.

Vazio não seria exatamente a palavra. A expressão certa é "em vão". Sou da turma na qual crê que definir sentimento não existe; é como definir "vida", "morte", "sonhos". É subjetivo; é seu. O que é amor pra você, nunca será para o outro. O que for viver ou morrer pra você, nunca será para o outro. "Felicidade" é outra coisa que a galera anda querendo definir já faz tempo, e que também nunca terá um conceito próprio.

Aquilo que se sente não se define. Porque não se vê! E só você está sentindo daquele jeito... ou será que você nunca parou pra pensar na exclusividade dos sentimentos? É por isso que num casal, sempre há a imagem de que um gosta mais de um do que o outro. Equívoco! Só seria possível quantizar as coisas se o sentimento fosse o mesmo sempre. Mas não é. Cada um sente do seu jeito... cada um expressa da sua forma e se perde nas próprias definições (inexistentes) particularmente também.

Não se ocupe em definir nem conceituar. Não perca tempo calculando nem tentando equalizar as coisas. Desista de responder à tais 'perguntas difíceis'. Não haverá ser humano capaz disso.
Esqueça. Apenas sinta. Sinta do seu jeito, que é singular, ainda mais indefinível e indecifrável exatamente por ser seu.





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A madrugada foi feita para o café e para a produtividade.
Por que as pessoas dormem, hein? :T

quarta-feira, 8 de agosto de 2007

Tem umas coisas na nossa sociedade

que eu acho massa, sabe.

Dia desses umas conversas estranhas entre minha mãe e o síndico daqui do prédio colocaram umas pulgas atrás da minha orelha, e eu batalhei muito tentando entender do que se tratava antes de perguntar à patroa (é que nem sempre ela tá super a fim de responder às perguntas idiotas da sua filha altista e alheia aos problemas domésticos). Mas findei perguntando. Era uma história da janela, da varanda, do janelão, sei lá o quê (tá vendo? "Alheismo" total). Só sei que a confusão era que a proprietária do apartamento não tava a fim de bancar algum tipo de reforma, que por envolver a infra-estrutura do prédio, sei lá (de novo?), ela que teria que pagar, e não minha mãe. Mas daí do nada mamãe soltou "porque ela tá querendo voltar pra cá". A mulher assim, deixou no ar que, a qualquer momento, caso ela surte ou queira "sair da rotina" e dar uma variada na vida, vai mudar-se de volta pra cá e despejar a gente.

Olha que massa, bicho. Você tem um imóvel, põe ele pra uma família alugar, e vai morar em outro, PRÓPRIO. Mas aí, a pobre família que alugar teu imóvel, estará sempre à mercê (escreve assim?) das suas vontades loucas de querer voltar um dia a morar no seu antigo pedaço de concreto. Eu estranhei, cara, porque foi aí que eu prestei atenção no descaso que se é dado.

É tipo assim: oh, tô te alugando, tá? Mas a qualquer hora pode ser que eu não queira mais brincar de receber teu aluguel e daí queira voltar pra cá. Você? Você se vira! Não tenho nada a ver com a sua vida, porra.
Eu saquei assim. E não é possível que assim não seja.
Sociedade do séc. XXI = individualismo pride. Individualismo, narcisismo, egocentrismo, egoísmo. Elevados à infinita potência. Humanismo zero.

A lei é essa!
Aliás, a galera tem brincado de pisar nos outros não é de hoje. Eu ia dizer que era desde, por exemplo, o Renascimento e as Revoluções Burguesas, mas aí foi só quando esses podres apareceram explicitamente mesmo. (Capitalismo, aparício). É tão intrínseco ao ser humano essas características... Mas a compaixão também é (ou pelo menos deveria ser). O sentimento de irmandade, bróder, cadê?
Aquelas coisas ruins lá são do ser humano mas não precisam necessariamente ser da sociedade. Porque as coisas boas também são do homem por natureza, e no nosso convívio social andam faltando. No nosso Mundo.

Por que sempre você antes dos outros e não os dois juntos?

Não esqueça que, nesse mesmo Mundo, nós também somos simples inquilinos. Assim como na vida. Assim como no tempo.

segunda-feira, 6 de agosto de 2007

Doença social o *&#@&

Um sociólogo vai à televisão explicar que imbecis que atiram ovos podres, garrafas e vassouras nos transeuntes de Ipanema como divertimento têm o que chama-se de "doença social". Ok, então a explicação é essa.
Eu pensei que fosse falta de respeito descarado, ausência completa de valores morais, problemas mentais crônicos, não-compaixão, burrice - incapacidade de raciocinar que poderia ser você, ali, andando, ou retrocesso mental dos piores.

Depois eu pensei mais e vi que essa merda toda não tem explicação. Que a sociedade brasileira vai se desfazendo mais a cada dia, se esfacelando como pode, o máximo que pode. Percebi que enquanto meu queixo descia e minha indignação aumentava, uma galera "nome-sobrenome-sou-rico-e-posso-tudo" ri literalmente da desgraça alheia. Acha massa um bom sujeito que passa ali, apressado para o seu trabalho, de onde tira dinheiro honesto, receber um ovo na testa, ou em qualquer outra parte do corpo, chegar ao trabalho com esse cheiro jóia e ter de passaar o dia assim; acha bacana ver mulheres recebendo ovadas, até por que elas são "vagabundas" né?; e o bom mesmo é se esconder! é ter certeza de que o que está fazendo é errado, e que justamente por isso é engraçado. Ficar imaginando, assim, em quem conseguiu acertar (ou machucar, ferir) uma vassoura ou uma garrafa deve ser sinônimo de excitação para eles.

Vou suspirar de alívio se alguém me disser que nenhum daqueles filhos-da-puta andam saindo na rua com medo de objetos voadores.
Por favor, digam que isso é fato! :~







(Quanto(2?) palavrão... feio né?
E o que esse povo faz, é o que?)

quarta-feira, 25 de julho de 2007

Chatice é hereditário

E pra falar de mim as pessoas normalmente dizem "muito simpática!" ou coisa do tipo. Não sei se é na base da sinceridade ou se é para se esquivar sobre comentários da minha beleza - ausente, no caso. Já fui intitulada "miss simpatia" e tudo; só nos dizeres, claro. Daí eu lembro de meu pai responder à Dona Tânia, que não soube colocar o termo "antipático" no devido lugar:
- Antipático, não! Eu sou chato!
É bom reconhecer isso, sabe? Melhor ainda é encontrar nas falas do seu progenitor algo que você repete para si mesmo, meio sem querer e com freqüência.

Típico não concordar com festas de aniversário e resmungar quando algo não dá certo.

E, não que eu esteja de mal-humor, mas se me irrita o modo como algumas pessoas falam comigo todos-os-dias, feito dementes, então não vai ser todo dia que eu responderei o cumprimento de igual para igual. Haverá dias que falarei normalmente, sem entusiasmo. E eu não tô com raiva, cara. É só por que eu sou chata (!). Eu aposto como ele também age assim!

Se eu falar rispidamente, também não é porque eu estou com raiva de algo. Sua pergunta foi leviana ou, quem sabe, burra, e eu não tenho tanta paciência para respondê-la com um sorriso e sem nenhuma arrogância. Difícil, hein.

E, ultimamente, nada tem me divertido mais que desligar o celular sempre que for começar a estudar. (O modelo do telefone móvel do meu pai ainda é o tijolão; talvez ele não tenha carregado a jeringonça uma única vez desde que comprou, e acha um saco ter de usá-lo de vez em quando.)

Culpa da genética tudo isso.

segunda-feira, 16 de julho de 2007

Caminho para o crescimento: o caos.

Começa sendo hilário mesmo... para então a gente se tocar e ver que é uma tragicomédia na prática bem mais trágica do que cômica.
Foi sexta-feira passada, na aula de Português do cursinho, meu professor falando sobre a roubalheira dos vereadores de Natal. Confesso que minhas anteninhas sobre informações políticas andam desligadas faz tempo; ouvir notícias do gênero sempre me deixam triste, e, por isso, pouco sei sobre o caso. Mas o básico, diga, o essencial, eu sei: corrupção, dinheiro por baixo de tapete (literalmente, num foi?), escândalo dos grandes.
E meu professor falava dos fatos, e do que andava passando na televisão... Comentou sobre as ligações telefônicas, transcritas nos principais jornais e na tv. Aí ele solta: tá vendo, que coisa chique? Isso era coisa que só acontecia em Brasília, em São Paulo... por essas bandas. Agora NATAL está tendo notícia desse tipo também! Olha só, gente, Natal, super importante!!

Não tenho certeza se as palavras foram exatamente essas, mas lembro bem das gargalhadas que sucederam ao comentário dele (quem conhece Rosemberg talvez consiga imaginar ele dizendo uma coisa dessas e rir consigo mesmo agora). Mas nem todo mundo parou pra pensar a que ponto chegamos.

A começar pelo ponto crucial de que notícias de corrupção são tão rotineiras quanto dormir e tomar banho; e a sensação de impotência e revolta nem coça mais no brasileiro. Pior: corrupção é rotina mesmo lá no Congresso Nacional, justamente o local que deveria repudiar explicitamente esse tipo de coisa. Vinda de lá, a corrupção é lugar-comum, e não sinônimo de absurdo. A fábrica de mentiras era para ser, em tese, a referência dos bons exemplos, cara. Porque é olhando para lá que se comportam os demais; e as "Excelências" sabem disso.

Depois, vem o fato de ser "novidade" em Natal. Pela primeira vez, acho que aconteceu algo tão escandaloso. Não devemos esquecer, é claro, do que está por baixo do tapete (dinheiro também, né, mas aqui falo no sentido figurado) há muitos anos. Mas, realmente, algo tão escraxado assim, não era todo mundo que esperava. Os tentáculos da corrupção ganharam força.

E refletindo ainda sobre o comentário do professor, a gente consegue ver que, de fato, Natal cresce. Cresce em muitos sentidos.
Vejo essa "esticada" no trânsito insuportável, por volta das 19h, nas principais avenidas. O engarrafamento ao qual muitos já se acostumaram a ficar presos, andando de pouquinho em pouquinho, demorando no percurso pelo menos quatro vezes mais do que demoraria se não houvesse tanta gente e tanto carro num lugar tão pequeno e, sabe-se, mal planejado.
E nos ônibus lotados!, também em hora de pico, observo um monte de braços erguidos e rostos cansados - sinal de crescimento, sim.
A quantidade de camelôs aumentam no centro da cidade, e a de mendigo multiplica-se em toda cidade (se você parar pra ver, há uma geração atrás era com menos freqüência que se era atacado na rua e para implorar pela sua barra de cereal ou por um vale-transporte; e hoje isso nem surpreende mais, veja só).
Os assaltos, seqüestros e bandidagem em geral atinge a burguesia ainda mais. Fuzis e metralhadoras entram em prédios de mais de 10 andares, e a idéia de que edifícios são seguros foi deixada pra trás.

E tudo isso é sinal de crescimento, são coisas tidas como simples "conseqüências", etapas a serem passadas.
A cidade cresce, e crescem junto os problemas, a violência, a população, a corrupção dos políticos... e isso não é novidade pra ninguém, certo? Mas o que me preocupa, é que o que cresce arrasadoramente é a banalização desses problemas, virando coisas triviais e assunto que não se discute, apenas comenta-se.
Pra mim, é desesperador. Para a maioria, multidão inútil, fatos do cotidiano.
Taí, a que pontos chegamos. Ao crescimento exagerado da nossa cidade, que se faz através de um caos generalizado.

Nojo dessa futura São Paulo do trânsito, Rio de Janeiro da violência, Brasília da desonestidade.
(É, Rosemberg tava certo, as referências são sempre essas mesmo.)

domingo, 8 de julho de 2007

Uma péssima companhia.

Foi o que o cara cresceu acreditando ser.
E isso vinha desde os tempos de jardim de infância, em que seus cabelos desgrenhados e seu jeito diferente afastava os outros. Era o último a ser escolhido pro time de futebol, representante do tipo "vai-esse-já-que-não-tem-outro-melhor-mesmo"; o último a sobrar para as duplinhas das brincadeiras; o único sozinho no pátio, na hora do recreio. Era uma péssima companhia, ele sabia. Mas não sabia o por quê.
Passou para os convites de festa e de peladas do fim de semana. Seu convite era sempre por conveniência, e ele reconhecia isso. Lembra que até que fazia sucesso com as meninas (ainda faz um pouco), mas ainda assim, elas não o aturavam por muito tempo. Era, era, uma péssima companhia...
Não tarda as demais circunstâncias da vida, era sempre o preterido da história. Daqueles que recebem uma ligação em cima da hora sempre: ei, você vai? ... Como, se ninguém tinha exatamente o convidado? Combinado qualquer coisa com ele algum tempo antes?
Todo mundo era mais amigo entre si do que amigo dele. E era notável. Lembrava-se do seu celular para uma dúvida sobre a prova do dia seguinte, ou para pedir aquele vinil raro emprestado. E o tanto que ele se esforçava de nada valia. Era mesmo uma péssima companhia.

Por que, hein?

Procuro entender... e explicar.

O garoto se perdeu, por aí.

sábado, 7 de julho de 2007

Quem foi que definiu que tinha que ser assim?

Quem foi que disse que o certo seria entrar na escola aos 3, sair aos 17?
Quem foi que disse que o certo é "aproveitar a vida enquanto se é jovem"? A velhice não conta não?
Da onde vem a idéia pronta de que depois que se passa dos 20, 20 e poucos, os relacionamentos se aproximam de uma maior seriedade do que os que se teve aos 16? Maturidade não é a resposta.
E a visão fixa de que o futuro é sempre: arrumar bom emprego-casar-ter filhos-envelhecer junto e ... fim? Quem foi que disse que tinha que ser desse jeito?
E a rotina depois dos 30 foi também fixada por algum infeliz: trabalhar, alimentar os filhos, manter o casamento. E continuar vivendo. Ou continuar existindo - não precisando nem salientar o abismo de diferença que há entre esses dois termos.
Mulher tem que agir assim, homem tem que agir assado. É a biologia ou a cultura que dita, cara? A cultura, na maioria das vezes.
Quem foi que disse, também, que os palavrões são palavras feias? Eu acho "exógeno" uma palavra mais horrível que "merda". Te juro.
Quem foi que inventou o terrível e monótono percurso linear da vida? É previsível demais. É chato, enfadonho. Na maioria das vezes eu não o quero pra mim.

Mas, aí, quem foi que disse que tinha que ser desse jeito?

(Era bem capaz de eu terminar o post dizendo que essa é uma pergunta sem resposta. Mas pra mim é conveniente dizer o clichê "você é o que você pensa", e é a sua idéia que faz o seu futuro.)

Bacana seria tentar tudo ao avesso...

sexta-feira, 29 de junho de 2007

O caminho para a heteronomia: palmada

Adestramento. É o que se faz com um filho ao bater nele. "Uma palmada para aprender". Então quer dizer que se aprende apanhando? Sendo violentado? Recebendo castigos físicos e hematomas que funcionamcomo um lembrete para que ele não repita o erro? Aprende-se a pancadas, diminuindo a auto-estima e demonizando os próprios pais por ter medo deles?! É brutal uma ideologia assim. Para não dizer animalesca.

Existe um princípio chamado "autonomia", que a filosofia se ocupa em explicar as etapas até ele. E uma delas chama-se "heteronomia", sempre associada a crianças de pouca idade (2 a 5 anos), que se comportam de acordo com o prêmio ou punição que podem receber. Elas vão comer o feijão, se souberem que vão ganhar sobremesa; vão guardar os brinquedos, se souberem que têm passeio; vão fazer a tarefa de casa, se for dito que vai ter tv ou videogame depois. "Se", percebe? Há sempre condições regendo seus atos. Acontece que essa é uma etapa natural pela qual todo ser humano passa. Não natural é passar dessa idade e continuar agindo assim.

Uma criança que apanha tende a se transformar num eterno heterônomo, e nunca num autônomo, pois quando educada pelos pais, antes de fazer algo, ela sempre pensava se ia ou não apanhar fazendo aquilo que queria. Ela sempre pensava na dor que ela, e somente ela, sentiria se fizesse tal coisa; não pensava se deveria ou não fazer, e se não, por que não deveria, e quais seriam as conseqüências da sua ação para os demais ou para o mundo. Estudava e fazia seus deveres, não porque julgava importante e necessário para o seu futuro, mas porque sabia que fazendo isso não iria apanhar. Se comportava na frente dos outros não por ver isso como educação, e sim para não levar umas boas palmadas. Da mesma forma, ela aprende a não mentir, não roubar, a respeitar os outros e tantos outros comportamentos não porque julga ético, mas porque sabe que as atitudes opostas lhe causariam castigos físicos.

Resultado: não houve criação de autonomia, de consciência. Torna-se um adulto que age de tal forma para não ser punido ou para ser premiado, um adulto aético, que nem pára para refletir sobre seus atos. Agora pare e imagine uma sociedade repleta de heterônomos ambulantes. Seria o caos. Um bando de ignorantes e cabeças-ocas fazendo ou deixando de fazer somente o que lhe conviesse, e não o que fosse certo ou adequado.

Os filhos que apanham são esse futuro. E é inadmissível deixar isso acontecer. Nós vivemos na sociedade do diálogo. Guerras têm sido evitadas por meio de tratados e acordos; por meio da conversa. Isso porque palavras e lições de moral podem ser muito dolorosas quando bem aplicadas.

Portanto, se você bate no seufilho ao invés de conversar com ele, isto é um atestado de inferioridade para sua retórica. E umpai que tem esse atestado não pode ser pai. Se há esse impasse, ele deve ser melhorado com urgência. Diálogos freqüentes, lições de moral a cada erro, exemplos traumáticos, e, principalmente: incentivos para o correto. A conseqüência desse comportamento é óbvia. E eu detesto dizer o óbvio. É tão inocente quando adestrar filhotinhos.

~


Essa daí, sem as correções do professor, me renderam um 9.0 (ufa).
Como foram só 6 vírgulas, 3 ponto-e-vírgula, duas palavras e a posição de um "se", eu postei com as correções feitas.

Quase choro com essa nota. Só que aí logo depois ganhei um 8,0 e um "isso é clichê, não use", que é a pior crítica que um professor pode fazer a sua redação, aí não deu mais pra ficar tão feliz.

(Postar a redação é desculpa para a gigante falta de tempo e correria)

JÚLIO, tô com saudade de você \o/

quinta-feira, 21 de junho de 2007

As pessoas são carentes.

Você passa a semana inteira vendo alguém todas as tardes, e ao chegar a um aniversário, numa sexta-feira, tendo estado durante toda a tarde daquele dia próxima àquela pessoa e ter conversado com ela algumas vezes, ela acha um absurdo você não cumprimentá-la com dois beijinhos frescos e um sorriso de quem não a vê há algum tempo;
Você também não pode ir embora dessa mesma festa sem se despedir dessas pessoas! Sim... você as viu segunda, terça, quarta, quinta, sei lá, a semana toda, todas as tardes ou manhãs, está vendo agora à noite, e sabe que as verá no dia seguinte, mas, enfim, dê tchau, cara, "seja educado".
Olhe nos olhos de cada uma delas na hora dos cumprimentos de chegada e de saída, viu? Se der um "oi" geral não vale; elas novamente acham um absurdo, olham pra você e em tom irônico dizem: Oi, Fulano! (Aqui existe a alfinetada: 'fala não é?').
Te cobram cartas de aniversário. Te COBRAM, cara. CARTAS, bróder. Te cobram palavras de carinho e expressões que as emocionem; te cobram um estado de espírito específico que você só tem de forma espontânea; mas elas cobram esse estado de você para que você possa escrever os dizeres. Bicho, dessa forma nunca será especial. Mas elas querem se sentir especiais recebendo cartinhas ou presentes e por isso cobram esses frufrus incansavelmente.
Se você não sorrir é porque ou tu tá de mau-humor ou está triste com elas! A-hã, você não tem o direito de ter um problema particular, tá?

E depois eu que sou a problemática.

segunda-feira, 18 de junho de 2007

Redação, parte 2

Foi apenas horrível receber um 6,5 na redação de hoje. Frustrante, porque foi mais uma que fiz com afinco.
Nas observações do professor se eu não me engano tinha: idéias boas e bem articuladas, mas muitos erros de pontuação e de gramática.

Que bom que eu estudo pra nada!
Minha capacidade de aprendizado é só de 50%: vai apenas até a parte da apreensão, pôr em prática é um quesito que a minha dislexia compromete.
(E eu pensando que isso ficava só para a Física...)

Sei não, acho melhor me conformar e me converter à multidão: ser apenas mais um vestibulando, mais um candidato comum, de redação comum, igual, previsível e aceitável pelos medíocres corretores.
Eca, eu vou ter nojo de mim se seguir às regras desse jeito... A começar que eu nem vou conseguir, mas tentar pelo menos vou ter que fazer sim. É o jeito.





Eu quero SOL!

Preciso aprender geometria analítica.

O Roacutam vai bem. Mas minha pele sofre, sofre...

sábado, 16 de junho de 2007

Eu vou desistir de tentar tirar uma nota boa em redação.

É, porque quanto mais eu me esforço, mais eu estaciono no 7 vírgula alguma coisa.

Não me venham com o sermãozinho de que tô sendo mal agradecida com essa nota porque nos parâmetros do vestibular, ela e nada é praticamente a mesma coisa. Ou não.

Enfim, o fato é que pra quem gosta de escrever, receber boas notas do professor do cursinho não é uma utopia. Mas está se tornando. Às vezes sinto que meu esforço é em vão; e que eu deveria me contentar em ter a mesma nota que a maioria dos meus concorrentes.

Existe uma série de regras, formas, modelos, restrições a seguir.
Há formas enumeradas sobre como começar um artigo de opinião; são expostas a título de "sugestão", mas é uma sugestão entre aspas mesmo, porque o aluno sente a alfinetada: comece o seu texto assim.
Há um "conselho" para pôr, dentro do próprio parágrafo, introdução, desenvolvimento e conclusão. Conselho entre aspas; nova alfinetada.
Os professores dizem que não é muito aconselhável terminar um parágrafo meio que com uma pergunta no ar, a ser respondida no parágrafo seguinte... O vestibulando que teve sua redação publicada no Atualidades Vestibular fez isso. Mas, sabe, é arriscado por demais. ("Não faça, não arrisque, seja linear, previsível, comum").
Também é importante seguir o método indutivo ou então o dedutivo.
Seja simples, claro, coeso, seja assim, seja assado.

Todas essas regras são pra mim uma grande ofensa. A impressão que eu tenho é que o vestibular quer um tipo único de redação; textos iguais, lineares e previsíveis, como eu disse. Milhares de pulsos mecânicos, que escrevem sempre de um jeito igual, sobre assuntos variados. Uma seqüência única, medíocre, e boba.

Talvez por isso eu me contente com o 7,algumacoisa. Sabendo que meu texto não é ruim, é apenas diferente do texto de todo mundo.

segunda-feira, 11 de junho de 2007

"Eu só acho que a gente vai morrer tudo queimado,

com o aquecimento global".

Não fui eu quem disse isso não, hein?

O assunto da reunião do Oratório ontem foi "Amazônia", totalmente inesperado isso, visto que as reflexões sempre são feitas em torno de Deus, família, amigos, solidariedade, etc. O que era de se esperar era o silêncio, poucas pessoas falando, e uma quase totalidade de cabeças dizendo que não tinha gostado do assunto.
Ninguém compreende que isso é a nossa vida, literalmente. É o seu dia-a-dia, e também o seu futuro. A floresta tá acabando, né? Pois então. Seu futuro também tá.

A gente enveredou pelo assunto do aquecimento global e uma observação foi feita no meio da reunião. Chaves notou que todos falavam alguma coisa sobre o tema e depois diziam: mas, pois é, é isso que tá acontecendo e é isso que vai acontecer (chuvas torrenciais, inundações, desastres e revoltas naturais que não temos nem idéia...).
Ele notou um conformismo exacerbado e uma preocupação hipócrita. Sã demais uma mente assim viu.
A gente muito fala, muito sabe (ou não) e pouco faz, né? Nos dizemos preocupados e escrevemos nas nossas redações do colégio que o capitalismo tem culpa exacerbada; que os Estados Unidos gastam energia pra caralho e que a melhor coisa que poderia acontecer era Bush morrer (?!). Umas idéias pueris assim - todas da minha cabeça, uhu.

Essa idéia de impotência me preocupa. Aliás, a impotência em si me preocupa tipo... muito.
Conversando com Vanessa* dia desses (ainda não sei onde tá o comando de ocultar o link por trás do nome da pessoa), perguntei o que que nós, não-presidentes americanos e não-donos de empresas altamente poluidoras, poderíamos fazer. E a resposta foi a mais simples possível: economizar energia.

Sabe o computador teu que vive ligado? Vamos brincar de só ligá-lo na hora de usar.
O banho morno ao meio-dia (e em muitas outras horas do seu dia também) tá bom de esquecer. Tente ao máximo não usar o chuveiro elétrico.
O máximo de lâmpadas desligadas, sempre. Ame o dia.
Tem certeza que você precisa tanto do seu carro? Certeza certeza, mesmo? Lembra das tuas pernas inteiras e do hábito saudável de caminhar? Emagrece e evita a celulite, meninas. A gente devia pôr mais em prática. (Tá, tá, pra não bancar a toda "faça o que eu digo mas não faça o que eu faço", eu dou uma sugestão de algo que ando fazendo: rodízio de caronas. Se alguém mora perto de você e trabalha/estuda no mesmo lugar ou a caminho de onde você vai, sei lá, caronas diárias são uma boa pedida).
Se você for rico troque seu carro por um de motor total-flex (se este já não for, é claro).
Plantar uma árvore tá valendo, lógico.
E não fume! A fumaça desse troço horrível emite gás carbônico!

Hoje fez 52°C na Ásia. E tem gente morrendo por lá de insolação e desidratação.
Teus filhos (e talvez você) morrerão assim também!
Se uma onda gigante não invadir tua casa depois de amanhã, é claro...

terça-feira, 29 de maio de 2007

Inspiração muçulmana

Eu tenho um professor de História que considero inteligentíssimo, apesar da enorme propensão que tem a fugir do assunto da aula para dizer coisas engraçadas (teimando que está fazendo uma analogia compreensível). Hoje, quando a aula era para se falar sobre a história do povo árabe, ele falou bem mais sobre a religião muçulmana (não sintam pontuação de crítica aqui).
E dentre os costumes e normas dessa religião, digamos, incomum, falou-se claro, na lei de arrancar fora a mão do ladrão.

"Já pensou, hein, uma lei dessa aqui no Brasil? Ia ser os deputado tudo moneta [acho que é essa a palavra]. A gente conhecia um político rapidinho na hora que ele levantasse os braço."

Combinaria bem com os ternos escuros e os relógios caros, essa galera toda sem as mãozinhas.

E eu nos últimos dias me admirei com as pessoas que se admiraram (!) com os recentes escândalos; com os novos (?) hipócritas envolvidos.
"O presidente do Senado?!?! Até ele?! :OOO"
Sinceramente, qual a surpresa, hein? Depois de anos tão recheados de denúncias e investigações que nunca dão em nada, as pessoas ainda têm guardada uma certa assombração diante dos fatos.

Não sei porque escrevo esse post. Não saco nada de política, e não me culpo por isso. Uma coisa tão podre não é de se interessar a ninguém. Mas eu nunca vou me esquecer do que vi e ouvi na semana passada: pessoas decepcionadas com o que aconteceu.
Desculpa, mas, o tempo da decepção já se foi. Eu tô esperando companhias pra votar pela instituição da lei muçulmana aqui no Brasil. Ou pelo menos lá pelas bandas do Congresso.
E com o corte feito à navalha, senão não tem graça.





~ meus "parênteses inúteis" irritam à vocês? Lembro que um anônimo me criticava no fotolog por causa deles. :)
~ o professor é Wellington Albano. Ele até disse que tinha um blog, oh, mas terminou sem divulgar a url. ¬¬

domingo, 27 de maio de 2007

Tô procurando concentração,

paciência e disposição. Onde é que compra?

Ô saco, hein.
Às vezes eu queria que o dia tivesse 30 horas, a semana 10 dias, e o mês 5 semanas. Mas só às vezes. Pra dar tempo de tudo, sabe?

As últimas duas semanas foram de cão. Noite Cultural quase como prioridade. Mas eu acho que valeu a pena; principalmente na hora de o ginásio inteiro ter rido enquanto eu lia que a coxinha e o refrigerante da cantina custavam só um real.


Bah, sem assunto total, bróder.
A inspiração foi embora depois de 4 textos frustrantes que fiz pra Noite Cultural. Também não tenho visto tv nem lido revista (sou uma alienada, yeah). Então nem tenho do que falar mal.

Até. (:

terça-feira, 15 de maio de 2007

Em último plano.

"Tá, tá, prometo que mais tarde trago o que você me pediu! (...) Lógico, tá garantido! Nem se preocupe!"
"Ai não... não trouxe. Esqueci porque estava me divertindo com meus amigos ontem à noite! Desculpa, não sabia que você ia ficar tão desapontada..."

"Tá bom, eu não esqueço de trazer o remédio pra sua boca que não pára de ameaçar se rachar no meio. Amanhã você já vai poder articular as palavras sem tanta dor."
"Não, não trouxe não... Tava de carona, aí, sabe como é né."

"Eu? Eu não! Você que tinha que ligar! Minha consciência está limpa [por eu não ter te ajudado]. Me poupe! Tenho muito mais o que fazer, viu?"

Vocês foram quando pro Mid?
"Ontem à noite."
(Ponto final enfático de quem não dá a mínima para o que acaba de dizer nem tem a menor noção do quão depressivo pode se sentir seu interlocutor nessa hora.)

"Ah, é, vamos combinar tudo. Eu, você, Fulana e Fulana. Pronto. Você quem decide essa parte daí, afinal, é seu aniversário."
(Finge que não existe a pessoa que acaba de chegar à conversação. Aliás, isso nunca foi dificuldade nenhuma não).

Ah, você quer ir? Se tiver senha sobrando te chamo!
(Sabe como é né, primeiro os outros; depois é que eu me lembro que sou sua amiga!)

"Eu vou falar com ela e te ligo se a carona der certo ou não. Te ligo de todo o jeito!"
(Madrugada passa)
"O show foi óóóótimo! Por que você não foi?!"
(...)

"Vixi... tem bem uns 10 dias que não falo com ela. Mas quem liga? É só mais uma filha largada no mundo."




Meus pêsames se você leu o post até aqui.

domingo, 13 de maio de 2007

Amenidades.

Ano de pré é realmente uma correria. E não, eu não "vivo estudando". Eu odeio meus amigos que ficam dizendo que eu estudo muito; que mentira. Isso só me pressiona.
Mas enfim, a ausência de posts não é só porque a criatividade de vez em quando se despede. É também porque é tempo é curto demais.

Essa semana que passou tive 8 provas. Em 2 dias. Quatro em um dia, quatro em outro. 10 questões objetivas para cada matéria. Quando tive que fazer 20 questões de cálculo em 1 hora e meia no último dia, alguma coisa mais irritante que uma gastrite nervosa me atacou. Essas crises acontecem sempre na hora da prova; duram por mais uma hora depois que eu saio da sala. É um inferno.

Falando em saúde, comecei o Roacutam. Serão 5 meses, apenas. Sem dizer "mas, Bia, você não precisa!".
Bah.

(Nojo da prefeita falando em Dia das Mães agora na televisão. Eu ia até fazer um post sobre essa data capitalista horrorosa; mas as pessoas ficam dizendo que eu só sei criticar. Então tá. E minha parcela de palavras diárias já se foi na redação do colégio.)

Se você tiver dinheiro sobrando na sua carteira, me compre todos os livros do Jovens Escribas. Ou pelo menos o do Patrício Júnior, "Lítio".

Só bobagens por hoje. Vou dormir que amanhã tem cursinho bombante de Matemática. Ai, meu saco. Matemática têm feito meus cabelos cair ultimamente...

segunda-feira, 7 de maio de 2007

Mais mesquinho impossível.

Por favor, nunca compare notas na minha frente. Eu tenho nojo de quem compara suas notas às dos outros. Como se NOTA medisse conhecimento de alguém!
Eu tenho mania de chamar os outros de mesquinhos e medíocres, quase de forma viciante. Mas são sempre defeitos dessa ordem que eu fico notando (na verdade procurando) por aí.

Às vezes eu tiro uma nota muito boa, e uma outra pessoa tira uma nota inferior à minha, só que essa pessoa sabe mais daquela matéria do que eu - por incrível que pareça. E isso é fato. É até idiota eu falar isso aqui; o senso comum sabe disso.

Eu já tirei tantas notas boas e na verdade não aprendi nada daquele assunto, cara. Já peguei provas minhas e li respostas que provavelmente eu não daria se me fossem perguntadas hoje. Né absurdo? E nem acho vergonhoso falar isso. Na verdade acho, um pouco. Mas o assunto "falsas notas altas" já foi assunto de um post passado. (Não sei onde tá. Procure.)

Os idiotas, ops, desculpe, os meus colegas, ficam por aí perguntando "pô, fechou alguma prova?", "qual tua menor nota?", numa tentativa de sondar em que patamar ele está. No patamar da mediocridade, repito.

Aquele número podre, riscado, circulado e julgado por uma pessoa, não define o quanto você sabe sobre tal assunto, e sim o quanto você foi capaz de redigir sobre ele num ínfimo momento de sua enorme vida (ela é enorme sim, comparada ao tempo da prova. Pelo amor de Deus, sem reparar até nisso). Será que ele é capaz de realmente dizer alguma coisa?

A prova, o boletim, as avaliações que os professores fazem e colocam na caderneta, são 'coisificações' do aluno. Elas não dizem absolutamente nada. Porque conhecimento, idéia, pensamento, é muito mais do que isso; é abstração. Ele nunca será capaz de ser medido. Pelo menos não usando os critérios esdrúxulos que muitos acreditam ser o mais indicado para expôr o pombão "mais inteligente da sala". O cara normalmente é bom mesmo; o pombão é você, que acredita que ele é o melhor e mais inteligente aluno só por conta dos seus 10 no fim do trimestre.

Urgh. Nojo.

domingo, 29 de abril de 2007

Então o post de hoje vai ser sobre aniversário.

A ironia da vida nem me surpeende mais. Entrei no msn pra falar com o Júlio pra que ele falasse alguma coisa mundana e eu tivesse uma idéia sobre o que escrever aqui. (Nossas conversas às vezes rendem mais que qualquer outra coisa)

Aí eu cometo o maior deslize da minha vida e esqueço que é aniversário dele. Não queria dizer que ele teve que me lembrar que hoje fazia anos; mas, bem, seria bom dizer pra que eu pudesse me arrepender sempre que lesse esse post.
Mas não, Júlio, eu não vou falar sobre você. Vou falar sobre esse dia único do ano que as pessoas têm o costume de comemorar.

Sempre fui revoltada com aniversários. Tá, eu sei que fiz festinha de 15 anos até, mas mesmo nessa época eu já não gostava muito da data. Não sei ao certo porque; mas eu lembro que exatamente depois desse ano eu passei a odiar ainda mais.
Depois desse dia concluí que o volume de pessoas interesseiras no mundo é muito maior do que eu imaginava; e que a quantidade de pessoas pobres a fim de comida e bebida de graça é mais imensurável ainda.

Foi com isso que eu comecei a pensar no motivo de se comemorar aniversário. Atingi a conclusão de que não há nada mais ridículo.
As pessoas são medíocres ao ponto de "esperar" um dia no ano para aplaudir a própria vida ou a do outro; para agradecer e pedir saúde para alguém; para abraçar o amigo e desejar que este seja feliz; para presentear (seja com bens materiais ou não); para dizer palavras de bom agrado ou para dar atenção demasiada a alguma pessoa.
Mesmo com tanto vídeos estilo "filtro solar" por aí, as pessoas não conseguem pôr ações desse tipo em prática no seu cotidiano. Continuam na mediocridade das festas, das bebidas, esperando um motivo para comemorações.

Desculpa, mas, hoje não é só aniversário do Júlio. É o meu, o seu, o de todo mundo. Da mesma forma que Júlio não faz aniversário só hoje. Fez todos os dias que se passaram na vida dele; todos os minutos; todos os instantes. Somos eternos aniversariantes. Temos motivo de sobra pra comemorar e não conseguimos fazer isso com a devida freqüência.

Portanto lembre-se que todo dia é seu aniversário, e também o de todas as pessoas que estão ao seu redor. Comemore junto com elas, então! Por mais clichê que isso pareça, comemore a vida. Não espere aquele diazinho que restou no ano, que foi o qual você nasceu. E feliz aniversário - pra todos nós.

(Tá, tá, especial pra você Júlio. E sem mais felicitações. Não vou me contradizer com o que disse. Eu desejo coisas boas à você todos os dias, mesmo que em silêncio. Assim deveria fazer os demais. Mesmo que de forma disfarçada, comemore a vida do próximo, se tiver vergonha de dizer todos os dias palavras que o mundo banalizou (a frase "eu te amo" está aqui)).

domingo, 22 de abril de 2007

Assistencialismo operando? Sim senhor!

Chega mesmo a ser cômico. Um rapaz que estudou a vida inteira em escola pública, no Recife, consegue ser aprovado na Universidade Federal do Estado. E isso merece reportagem no Fantástico, um dos telejornais interativos mais bem vistos do país. O destaque não ficou por conta disso. A demagogia televisiva achou normal (na verdade necessário) dar ênfase à miséria na qual vivia a família do estudante. Dizer que a mãe era vendedora ambulante, e repetir durante toda a reportagem que ele NUNCA tinha pisado numa escola particular MAS que tinha passado numa universidade pública! (Não deixem de reparar na conjunção adversativa, por favor).

Peno por saber que o brasileiro realmente acha isso normal, até mesmo bonito. Uma situação dessas é classificada como algo improvável, no Nordeste especialmente. O fato de um estudante de escola pública passar num vestibular onde a concorrência pro seu curso era em torno de 15 candidatos para uma vaga, foi o cerne da definição de felicidade da matéria do Fantástico. Ai, poupo os palavrões aqui. Mas essa ainda não é a parte que me deixa mais p... irritada. O menino foi APLAUDIDO quando entrou na sala. E foi recebido pelo Reitor... que o abraçou e deu umas palmadinhas na costa, em tom de satisfação (ou não). O estudante considerou o acontecimento uma honra. Localizam o paradoxo? Em teoria, ele tão inteligente, mas na prática, parece não perceber a que ponto o seu país chegou.

"Um estudante de escola pública passou na Federal?" "Nooooossa". "Pobre? Humilde? Negro? A mãe era vendedora ambulante?" "Putz! Isso merece 20 minutos de reportagem no horário nobre! Capa de jornal! Ah, agora sim ele é FELIZ. Ele é o máximo. O 'cara'."

A rede pública desmorona. E não é novidade pra ninguém que o 9 dedos pouco faz. Pôr os melhores professores, dar incentivo ao ato de estudar, fixar na cabeça dos moleques que estudo e trabalho são na verdade a única solução, e não a melhor? Nada! Ele prefere criar umas cotas aí, outras acolá, dar o gás no assistencialismo, e depois mandar as instituições responsáveis pelo vestibular facilitarem as coisas, tudo pra que as pessoas que não têm ensino de qualidade (isso é sinônimo de: que estudam na rede pública) possam entrar nas universidades federais.

Foi assim que a Comperve decidiu mudar todo o seu sistema de avaliação. Decidiu tirar a prova discursiva de Português e de Literatura pra definitivamente não medir o conhecimento de língua portuguesa e literária de ninguém; decidiu também colocar 12 questões discursivas para serem feitas em 4 horas e meia, como quem diz que vai aprovar "quem for mais rápido!", desceu absurdamente o nível da prova nos últimos anos, e anui com a cabeça quando o assunto é argumento de inclusão.

Então é justo ficar pra nós, da rede privada, considerados privilegiados (e somos!) e filhos de papai (nem sempre - tem muito pai que rala e se desdobra pra fazer com que o filho estude pagando mensalidade), a parte do "te vira"(?). Realmente, pro cara que mora no Palácio da Alvorada, pra regular a disparidade social, é melhor que se privilegie os mais pobres; mas não com ensino, e sim com favores.

domingo, 8 de abril de 2007

Ei! Sorria...

Mas não se esconda atrás desse sorriso...Mostre aquilo que você é, sem medo.Existem pessoas que sonham com o seu sorriso, assim como eu.

Viva! Tente! A vida não passa de uma tentativa.

Ei! Ame acima de tudo, ame a tudo e a todos. Não feche os olhos para a sujeira do mundo, não ignore a fome! Esqueça a bomba, mas antes, faça algo para combatê-la,mesmo que se sinta incapaz. Procure o que há de bom em tudo e em todos. Não faça dos defeitos uma distância, e sim, uma aproximação.

Aceite! A vida, as pessoas, faça delas a sua razão de viver.

Entenda! Entenda as pessoas que pensam diferente de você, não as reprove.

Ei! Olhe... Olhe a sua volta, quantos amigos...Você já tornou alguém feliz hoje? Ou fez alguém sofrer com o seu egoísmo?

Ei! Não corra. Para que tanta pressa? Corra apenas para dentro de você.

Sonhe! Mas não prejudique ninguém e não transforme seu sonho em fuga.

Acredite! Espere! Sempre haverá uma saída, sempre brilhará uma estrela.

Chore! Lute! Faça aquilo que gosta, sinta o que há dentro de você.

Ei! Ouça... Escute o que as outras pessoas têm a dizer, é importante.

Suba... faça dos obstáculos degraus para aquilo que você acha supremo, ms não esqueça daqueles que não conseguem subir a escada da vida. i! Descubra! Descubra aquilo que há de bom dentro de você. Procure acima de tudo ser gente, eu também vou tentar.

(Charles Chaplin)

Texto bobo que é bom de postar quando não se tem assunto.
Eu gosto dele.

(Minhas unhas dos polegares pararam de crescer! o.O :~~~~~~~)