sexta-feira, 29 de junho de 2007

O caminho para a heteronomia: palmada

Adestramento. É o que se faz com um filho ao bater nele. "Uma palmada para aprender". Então quer dizer que se aprende apanhando? Sendo violentado? Recebendo castigos físicos e hematomas que funcionamcomo um lembrete para que ele não repita o erro? Aprende-se a pancadas, diminuindo a auto-estima e demonizando os próprios pais por ter medo deles?! É brutal uma ideologia assim. Para não dizer animalesca.

Existe um princípio chamado "autonomia", que a filosofia se ocupa em explicar as etapas até ele. E uma delas chama-se "heteronomia", sempre associada a crianças de pouca idade (2 a 5 anos), que se comportam de acordo com o prêmio ou punição que podem receber. Elas vão comer o feijão, se souberem que vão ganhar sobremesa; vão guardar os brinquedos, se souberem que têm passeio; vão fazer a tarefa de casa, se for dito que vai ter tv ou videogame depois. "Se", percebe? Há sempre condições regendo seus atos. Acontece que essa é uma etapa natural pela qual todo ser humano passa. Não natural é passar dessa idade e continuar agindo assim.

Uma criança que apanha tende a se transformar num eterno heterônomo, e nunca num autônomo, pois quando educada pelos pais, antes de fazer algo, ela sempre pensava se ia ou não apanhar fazendo aquilo que queria. Ela sempre pensava na dor que ela, e somente ela, sentiria se fizesse tal coisa; não pensava se deveria ou não fazer, e se não, por que não deveria, e quais seriam as conseqüências da sua ação para os demais ou para o mundo. Estudava e fazia seus deveres, não porque julgava importante e necessário para o seu futuro, mas porque sabia que fazendo isso não iria apanhar. Se comportava na frente dos outros não por ver isso como educação, e sim para não levar umas boas palmadas. Da mesma forma, ela aprende a não mentir, não roubar, a respeitar os outros e tantos outros comportamentos não porque julga ético, mas porque sabe que as atitudes opostas lhe causariam castigos físicos.

Resultado: não houve criação de autonomia, de consciência. Torna-se um adulto que age de tal forma para não ser punido ou para ser premiado, um adulto aético, que nem pára para refletir sobre seus atos. Agora pare e imagine uma sociedade repleta de heterônomos ambulantes. Seria o caos. Um bando de ignorantes e cabeças-ocas fazendo ou deixando de fazer somente o que lhe conviesse, e não o que fosse certo ou adequado.

Os filhos que apanham são esse futuro. E é inadmissível deixar isso acontecer. Nós vivemos na sociedade do diálogo. Guerras têm sido evitadas por meio de tratados e acordos; por meio da conversa. Isso porque palavras e lições de moral podem ser muito dolorosas quando bem aplicadas.

Portanto, se você bate no seufilho ao invés de conversar com ele, isto é um atestado de inferioridade para sua retórica. E umpai que tem esse atestado não pode ser pai. Se há esse impasse, ele deve ser melhorado com urgência. Diálogos freqüentes, lições de moral a cada erro, exemplos traumáticos, e, principalmente: incentivos para o correto. A conseqüência desse comportamento é óbvia. E eu detesto dizer o óbvio. É tão inocente quando adestrar filhotinhos.

~


Essa daí, sem as correções do professor, me renderam um 9.0 (ufa).
Como foram só 6 vírgulas, 3 ponto-e-vírgula, duas palavras e a posição de um "se", eu postei com as correções feitas.

Quase choro com essa nota. Só que aí logo depois ganhei um 8,0 e um "isso é clichê, não use", que é a pior crítica que um professor pode fazer a sua redação, aí não deu mais pra ficar tão feliz.

(Postar a redação é desculpa para a gigante falta de tempo e correria)

JÚLIO, tô com saudade de você \o/

quinta-feira, 21 de junho de 2007

As pessoas são carentes.

Você passa a semana inteira vendo alguém todas as tardes, e ao chegar a um aniversário, numa sexta-feira, tendo estado durante toda a tarde daquele dia próxima àquela pessoa e ter conversado com ela algumas vezes, ela acha um absurdo você não cumprimentá-la com dois beijinhos frescos e um sorriso de quem não a vê há algum tempo;
Você também não pode ir embora dessa mesma festa sem se despedir dessas pessoas! Sim... você as viu segunda, terça, quarta, quinta, sei lá, a semana toda, todas as tardes ou manhãs, está vendo agora à noite, e sabe que as verá no dia seguinte, mas, enfim, dê tchau, cara, "seja educado".
Olhe nos olhos de cada uma delas na hora dos cumprimentos de chegada e de saída, viu? Se der um "oi" geral não vale; elas novamente acham um absurdo, olham pra você e em tom irônico dizem: Oi, Fulano! (Aqui existe a alfinetada: 'fala não é?').
Te cobram cartas de aniversário. Te COBRAM, cara. CARTAS, bróder. Te cobram palavras de carinho e expressões que as emocionem; te cobram um estado de espírito específico que você só tem de forma espontânea; mas elas cobram esse estado de você para que você possa escrever os dizeres. Bicho, dessa forma nunca será especial. Mas elas querem se sentir especiais recebendo cartinhas ou presentes e por isso cobram esses frufrus incansavelmente.
Se você não sorrir é porque ou tu tá de mau-humor ou está triste com elas! A-hã, você não tem o direito de ter um problema particular, tá?

E depois eu que sou a problemática.

segunda-feira, 18 de junho de 2007

Redação, parte 2

Foi apenas horrível receber um 6,5 na redação de hoje. Frustrante, porque foi mais uma que fiz com afinco.
Nas observações do professor se eu não me engano tinha: idéias boas e bem articuladas, mas muitos erros de pontuação e de gramática.

Que bom que eu estudo pra nada!
Minha capacidade de aprendizado é só de 50%: vai apenas até a parte da apreensão, pôr em prática é um quesito que a minha dislexia compromete.
(E eu pensando que isso ficava só para a Física...)

Sei não, acho melhor me conformar e me converter à multidão: ser apenas mais um vestibulando, mais um candidato comum, de redação comum, igual, previsível e aceitável pelos medíocres corretores.
Eca, eu vou ter nojo de mim se seguir às regras desse jeito... A começar que eu nem vou conseguir, mas tentar pelo menos vou ter que fazer sim. É o jeito.





Eu quero SOL!

Preciso aprender geometria analítica.

O Roacutam vai bem. Mas minha pele sofre, sofre...

sábado, 16 de junho de 2007

Eu vou desistir de tentar tirar uma nota boa em redação.

É, porque quanto mais eu me esforço, mais eu estaciono no 7 vírgula alguma coisa.

Não me venham com o sermãozinho de que tô sendo mal agradecida com essa nota porque nos parâmetros do vestibular, ela e nada é praticamente a mesma coisa. Ou não.

Enfim, o fato é que pra quem gosta de escrever, receber boas notas do professor do cursinho não é uma utopia. Mas está se tornando. Às vezes sinto que meu esforço é em vão; e que eu deveria me contentar em ter a mesma nota que a maioria dos meus concorrentes.

Existe uma série de regras, formas, modelos, restrições a seguir.
Há formas enumeradas sobre como começar um artigo de opinião; são expostas a título de "sugestão", mas é uma sugestão entre aspas mesmo, porque o aluno sente a alfinetada: comece o seu texto assim.
Há um "conselho" para pôr, dentro do próprio parágrafo, introdução, desenvolvimento e conclusão. Conselho entre aspas; nova alfinetada.
Os professores dizem que não é muito aconselhável terminar um parágrafo meio que com uma pergunta no ar, a ser respondida no parágrafo seguinte... O vestibulando que teve sua redação publicada no Atualidades Vestibular fez isso. Mas, sabe, é arriscado por demais. ("Não faça, não arrisque, seja linear, previsível, comum").
Também é importante seguir o método indutivo ou então o dedutivo.
Seja simples, claro, coeso, seja assim, seja assado.

Todas essas regras são pra mim uma grande ofensa. A impressão que eu tenho é que o vestibular quer um tipo único de redação; textos iguais, lineares e previsíveis, como eu disse. Milhares de pulsos mecânicos, que escrevem sempre de um jeito igual, sobre assuntos variados. Uma seqüência única, medíocre, e boba.

Talvez por isso eu me contente com o 7,algumacoisa. Sabendo que meu texto não é ruim, é apenas diferente do texto de todo mundo.

segunda-feira, 11 de junho de 2007

"Eu só acho que a gente vai morrer tudo queimado,

com o aquecimento global".

Não fui eu quem disse isso não, hein?

O assunto da reunião do Oratório ontem foi "Amazônia", totalmente inesperado isso, visto que as reflexões sempre são feitas em torno de Deus, família, amigos, solidariedade, etc. O que era de se esperar era o silêncio, poucas pessoas falando, e uma quase totalidade de cabeças dizendo que não tinha gostado do assunto.
Ninguém compreende que isso é a nossa vida, literalmente. É o seu dia-a-dia, e também o seu futuro. A floresta tá acabando, né? Pois então. Seu futuro também tá.

A gente enveredou pelo assunto do aquecimento global e uma observação foi feita no meio da reunião. Chaves notou que todos falavam alguma coisa sobre o tema e depois diziam: mas, pois é, é isso que tá acontecendo e é isso que vai acontecer (chuvas torrenciais, inundações, desastres e revoltas naturais que não temos nem idéia...).
Ele notou um conformismo exacerbado e uma preocupação hipócrita. Sã demais uma mente assim viu.
A gente muito fala, muito sabe (ou não) e pouco faz, né? Nos dizemos preocupados e escrevemos nas nossas redações do colégio que o capitalismo tem culpa exacerbada; que os Estados Unidos gastam energia pra caralho e que a melhor coisa que poderia acontecer era Bush morrer (?!). Umas idéias pueris assim - todas da minha cabeça, uhu.

Essa idéia de impotência me preocupa. Aliás, a impotência em si me preocupa tipo... muito.
Conversando com Vanessa* dia desses (ainda não sei onde tá o comando de ocultar o link por trás do nome da pessoa), perguntei o que que nós, não-presidentes americanos e não-donos de empresas altamente poluidoras, poderíamos fazer. E a resposta foi a mais simples possível: economizar energia.

Sabe o computador teu que vive ligado? Vamos brincar de só ligá-lo na hora de usar.
O banho morno ao meio-dia (e em muitas outras horas do seu dia também) tá bom de esquecer. Tente ao máximo não usar o chuveiro elétrico.
O máximo de lâmpadas desligadas, sempre. Ame o dia.
Tem certeza que você precisa tanto do seu carro? Certeza certeza, mesmo? Lembra das tuas pernas inteiras e do hábito saudável de caminhar? Emagrece e evita a celulite, meninas. A gente devia pôr mais em prática. (Tá, tá, pra não bancar a toda "faça o que eu digo mas não faça o que eu faço", eu dou uma sugestão de algo que ando fazendo: rodízio de caronas. Se alguém mora perto de você e trabalha/estuda no mesmo lugar ou a caminho de onde você vai, sei lá, caronas diárias são uma boa pedida).
Se você for rico troque seu carro por um de motor total-flex (se este já não for, é claro).
Plantar uma árvore tá valendo, lógico.
E não fume! A fumaça desse troço horrível emite gás carbônico!

Hoje fez 52°C na Ásia. E tem gente morrendo por lá de insolação e desidratação.
Teus filhos (e talvez você) morrerão assim também!
Se uma onda gigante não invadir tua casa depois de amanhã, é claro...