quarta-feira, 25 de julho de 2007

Chatice é hereditário

E pra falar de mim as pessoas normalmente dizem "muito simpática!" ou coisa do tipo. Não sei se é na base da sinceridade ou se é para se esquivar sobre comentários da minha beleza - ausente, no caso. Já fui intitulada "miss simpatia" e tudo; só nos dizeres, claro. Daí eu lembro de meu pai responder à Dona Tânia, que não soube colocar o termo "antipático" no devido lugar:
- Antipático, não! Eu sou chato!
É bom reconhecer isso, sabe? Melhor ainda é encontrar nas falas do seu progenitor algo que você repete para si mesmo, meio sem querer e com freqüência.

Típico não concordar com festas de aniversário e resmungar quando algo não dá certo.

E, não que eu esteja de mal-humor, mas se me irrita o modo como algumas pessoas falam comigo todos-os-dias, feito dementes, então não vai ser todo dia que eu responderei o cumprimento de igual para igual. Haverá dias que falarei normalmente, sem entusiasmo. E eu não tô com raiva, cara. É só por que eu sou chata (!). Eu aposto como ele também age assim!

Se eu falar rispidamente, também não é porque eu estou com raiva de algo. Sua pergunta foi leviana ou, quem sabe, burra, e eu não tenho tanta paciência para respondê-la com um sorriso e sem nenhuma arrogância. Difícil, hein.

E, ultimamente, nada tem me divertido mais que desligar o celular sempre que for começar a estudar. (O modelo do telefone móvel do meu pai ainda é o tijolão; talvez ele não tenha carregado a jeringonça uma única vez desde que comprou, e acha um saco ter de usá-lo de vez em quando.)

Culpa da genética tudo isso.

segunda-feira, 16 de julho de 2007

Caminho para o crescimento: o caos.

Começa sendo hilário mesmo... para então a gente se tocar e ver que é uma tragicomédia na prática bem mais trágica do que cômica.
Foi sexta-feira passada, na aula de Português do cursinho, meu professor falando sobre a roubalheira dos vereadores de Natal. Confesso que minhas anteninhas sobre informações políticas andam desligadas faz tempo; ouvir notícias do gênero sempre me deixam triste, e, por isso, pouco sei sobre o caso. Mas o básico, diga, o essencial, eu sei: corrupção, dinheiro por baixo de tapete (literalmente, num foi?), escândalo dos grandes.
E meu professor falava dos fatos, e do que andava passando na televisão... Comentou sobre as ligações telefônicas, transcritas nos principais jornais e na tv. Aí ele solta: tá vendo, que coisa chique? Isso era coisa que só acontecia em Brasília, em São Paulo... por essas bandas. Agora NATAL está tendo notícia desse tipo também! Olha só, gente, Natal, super importante!!

Não tenho certeza se as palavras foram exatamente essas, mas lembro bem das gargalhadas que sucederam ao comentário dele (quem conhece Rosemberg talvez consiga imaginar ele dizendo uma coisa dessas e rir consigo mesmo agora). Mas nem todo mundo parou pra pensar a que ponto chegamos.

A começar pelo ponto crucial de que notícias de corrupção são tão rotineiras quanto dormir e tomar banho; e a sensação de impotência e revolta nem coça mais no brasileiro. Pior: corrupção é rotina mesmo lá no Congresso Nacional, justamente o local que deveria repudiar explicitamente esse tipo de coisa. Vinda de lá, a corrupção é lugar-comum, e não sinônimo de absurdo. A fábrica de mentiras era para ser, em tese, a referência dos bons exemplos, cara. Porque é olhando para lá que se comportam os demais; e as "Excelências" sabem disso.

Depois, vem o fato de ser "novidade" em Natal. Pela primeira vez, acho que aconteceu algo tão escandaloso. Não devemos esquecer, é claro, do que está por baixo do tapete (dinheiro também, né, mas aqui falo no sentido figurado) há muitos anos. Mas, realmente, algo tão escraxado assim, não era todo mundo que esperava. Os tentáculos da corrupção ganharam força.

E refletindo ainda sobre o comentário do professor, a gente consegue ver que, de fato, Natal cresce. Cresce em muitos sentidos.
Vejo essa "esticada" no trânsito insuportável, por volta das 19h, nas principais avenidas. O engarrafamento ao qual muitos já se acostumaram a ficar presos, andando de pouquinho em pouquinho, demorando no percurso pelo menos quatro vezes mais do que demoraria se não houvesse tanta gente e tanto carro num lugar tão pequeno e, sabe-se, mal planejado.
E nos ônibus lotados!, também em hora de pico, observo um monte de braços erguidos e rostos cansados - sinal de crescimento, sim.
A quantidade de camelôs aumentam no centro da cidade, e a de mendigo multiplica-se em toda cidade (se você parar pra ver, há uma geração atrás era com menos freqüência que se era atacado na rua e para implorar pela sua barra de cereal ou por um vale-transporte; e hoje isso nem surpreende mais, veja só).
Os assaltos, seqüestros e bandidagem em geral atinge a burguesia ainda mais. Fuzis e metralhadoras entram em prédios de mais de 10 andares, e a idéia de que edifícios são seguros foi deixada pra trás.

E tudo isso é sinal de crescimento, são coisas tidas como simples "conseqüências", etapas a serem passadas.
A cidade cresce, e crescem junto os problemas, a violência, a população, a corrupção dos políticos... e isso não é novidade pra ninguém, certo? Mas o que me preocupa, é que o que cresce arrasadoramente é a banalização desses problemas, virando coisas triviais e assunto que não se discute, apenas comenta-se.
Pra mim, é desesperador. Para a maioria, multidão inútil, fatos do cotidiano.
Taí, a que pontos chegamos. Ao crescimento exagerado da nossa cidade, que se faz através de um caos generalizado.

Nojo dessa futura São Paulo do trânsito, Rio de Janeiro da violência, Brasília da desonestidade.
(É, Rosemberg tava certo, as referências são sempre essas mesmo.)

domingo, 8 de julho de 2007

Uma péssima companhia.

Foi o que o cara cresceu acreditando ser.
E isso vinha desde os tempos de jardim de infância, em que seus cabelos desgrenhados e seu jeito diferente afastava os outros. Era o último a ser escolhido pro time de futebol, representante do tipo "vai-esse-já-que-não-tem-outro-melhor-mesmo"; o último a sobrar para as duplinhas das brincadeiras; o único sozinho no pátio, na hora do recreio. Era uma péssima companhia, ele sabia. Mas não sabia o por quê.
Passou para os convites de festa e de peladas do fim de semana. Seu convite era sempre por conveniência, e ele reconhecia isso. Lembra que até que fazia sucesso com as meninas (ainda faz um pouco), mas ainda assim, elas não o aturavam por muito tempo. Era, era, uma péssima companhia...
Não tarda as demais circunstâncias da vida, era sempre o preterido da história. Daqueles que recebem uma ligação em cima da hora sempre: ei, você vai? ... Como, se ninguém tinha exatamente o convidado? Combinado qualquer coisa com ele algum tempo antes?
Todo mundo era mais amigo entre si do que amigo dele. E era notável. Lembrava-se do seu celular para uma dúvida sobre a prova do dia seguinte, ou para pedir aquele vinil raro emprestado. E o tanto que ele se esforçava de nada valia. Era mesmo uma péssima companhia.

Por que, hein?

Procuro entender... e explicar.

O garoto se perdeu, por aí.

sábado, 7 de julho de 2007

Quem foi que definiu que tinha que ser assim?

Quem foi que disse que o certo seria entrar na escola aos 3, sair aos 17?
Quem foi que disse que o certo é "aproveitar a vida enquanto se é jovem"? A velhice não conta não?
Da onde vem a idéia pronta de que depois que se passa dos 20, 20 e poucos, os relacionamentos se aproximam de uma maior seriedade do que os que se teve aos 16? Maturidade não é a resposta.
E a visão fixa de que o futuro é sempre: arrumar bom emprego-casar-ter filhos-envelhecer junto e ... fim? Quem foi que disse que tinha que ser desse jeito?
E a rotina depois dos 30 foi também fixada por algum infeliz: trabalhar, alimentar os filhos, manter o casamento. E continuar vivendo. Ou continuar existindo - não precisando nem salientar o abismo de diferença que há entre esses dois termos.
Mulher tem que agir assim, homem tem que agir assado. É a biologia ou a cultura que dita, cara? A cultura, na maioria das vezes.
Quem foi que disse, também, que os palavrões são palavras feias? Eu acho "exógeno" uma palavra mais horrível que "merda". Te juro.
Quem foi que inventou o terrível e monótono percurso linear da vida? É previsível demais. É chato, enfadonho. Na maioria das vezes eu não o quero pra mim.

Mas, aí, quem foi que disse que tinha que ser desse jeito?

(Era bem capaz de eu terminar o post dizendo que essa é uma pergunta sem resposta. Mas pra mim é conveniente dizer o clichê "você é o que você pensa", e é a sua idéia que faz o seu futuro.)

Bacana seria tentar tudo ao avesso...