segunda-feira, 16 de julho de 2007

Caminho para o crescimento: o caos.

Começa sendo hilário mesmo... para então a gente se tocar e ver que é uma tragicomédia na prática bem mais trágica do que cômica.
Foi sexta-feira passada, na aula de Português do cursinho, meu professor falando sobre a roubalheira dos vereadores de Natal. Confesso que minhas anteninhas sobre informações políticas andam desligadas faz tempo; ouvir notícias do gênero sempre me deixam triste, e, por isso, pouco sei sobre o caso. Mas o básico, diga, o essencial, eu sei: corrupção, dinheiro por baixo de tapete (literalmente, num foi?), escândalo dos grandes.
E meu professor falava dos fatos, e do que andava passando na televisão... Comentou sobre as ligações telefônicas, transcritas nos principais jornais e na tv. Aí ele solta: tá vendo, que coisa chique? Isso era coisa que só acontecia em Brasília, em São Paulo... por essas bandas. Agora NATAL está tendo notícia desse tipo também! Olha só, gente, Natal, super importante!!

Não tenho certeza se as palavras foram exatamente essas, mas lembro bem das gargalhadas que sucederam ao comentário dele (quem conhece Rosemberg talvez consiga imaginar ele dizendo uma coisa dessas e rir consigo mesmo agora). Mas nem todo mundo parou pra pensar a que ponto chegamos.

A começar pelo ponto crucial de que notícias de corrupção são tão rotineiras quanto dormir e tomar banho; e a sensação de impotência e revolta nem coça mais no brasileiro. Pior: corrupção é rotina mesmo lá no Congresso Nacional, justamente o local que deveria repudiar explicitamente esse tipo de coisa. Vinda de lá, a corrupção é lugar-comum, e não sinônimo de absurdo. A fábrica de mentiras era para ser, em tese, a referência dos bons exemplos, cara. Porque é olhando para lá que se comportam os demais; e as "Excelências" sabem disso.

Depois, vem o fato de ser "novidade" em Natal. Pela primeira vez, acho que aconteceu algo tão escandaloso. Não devemos esquecer, é claro, do que está por baixo do tapete (dinheiro também, né, mas aqui falo no sentido figurado) há muitos anos. Mas, realmente, algo tão escraxado assim, não era todo mundo que esperava. Os tentáculos da corrupção ganharam força.

E refletindo ainda sobre o comentário do professor, a gente consegue ver que, de fato, Natal cresce. Cresce em muitos sentidos.
Vejo essa "esticada" no trânsito insuportável, por volta das 19h, nas principais avenidas. O engarrafamento ao qual muitos já se acostumaram a ficar presos, andando de pouquinho em pouquinho, demorando no percurso pelo menos quatro vezes mais do que demoraria se não houvesse tanta gente e tanto carro num lugar tão pequeno e, sabe-se, mal planejado.
E nos ônibus lotados!, também em hora de pico, observo um monte de braços erguidos e rostos cansados - sinal de crescimento, sim.
A quantidade de camelôs aumentam no centro da cidade, e a de mendigo multiplica-se em toda cidade (se você parar pra ver, há uma geração atrás era com menos freqüência que se era atacado na rua e para implorar pela sua barra de cereal ou por um vale-transporte; e hoje isso nem surpreende mais, veja só).
Os assaltos, seqüestros e bandidagem em geral atinge a burguesia ainda mais. Fuzis e metralhadoras entram em prédios de mais de 10 andares, e a idéia de que edifícios são seguros foi deixada pra trás.

E tudo isso é sinal de crescimento, são coisas tidas como simples "conseqüências", etapas a serem passadas.
A cidade cresce, e crescem junto os problemas, a violência, a população, a corrupção dos políticos... e isso não é novidade pra ninguém, certo? Mas o que me preocupa, é que o que cresce arrasadoramente é a banalização desses problemas, virando coisas triviais e assunto que não se discute, apenas comenta-se.
Pra mim, é desesperador. Para a maioria, multidão inútil, fatos do cotidiano.
Taí, a que pontos chegamos. Ao crescimento exagerado da nossa cidade, que se faz através de um caos generalizado.

Nojo dessa futura São Paulo do trânsito, Rio de Janeiro da violência, Brasília da desonestidade.
(É, Rosemberg tava certo, as referências são sempre essas mesmo.)

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