domingo, 8 de julho de 2007

Uma péssima companhia.

Foi o que o cara cresceu acreditando ser.
E isso vinha desde os tempos de jardim de infância, em que seus cabelos desgrenhados e seu jeito diferente afastava os outros. Era o último a ser escolhido pro time de futebol, representante do tipo "vai-esse-já-que-não-tem-outro-melhor-mesmo"; o último a sobrar para as duplinhas das brincadeiras; o único sozinho no pátio, na hora do recreio. Era uma péssima companhia, ele sabia. Mas não sabia o por quê.
Passou para os convites de festa e de peladas do fim de semana. Seu convite era sempre por conveniência, e ele reconhecia isso. Lembra que até que fazia sucesso com as meninas (ainda faz um pouco), mas ainda assim, elas não o aturavam por muito tempo. Era, era, uma péssima companhia...
Não tarda as demais circunstâncias da vida, era sempre o preterido da história. Daqueles que recebem uma ligação em cima da hora sempre: ei, você vai? ... Como, se ninguém tinha exatamente o convidado? Combinado qualquer coisa com ele algum tempo antes?
Todo mundo era mais amigo entre si do que amigo dele. E era notável. Lembrava-se do seu celular para uma dúvida sobre a prova do dia seguinte, ou para pedir aquele vinil raro emprestado. E o tanto que ele se esforçava de nada valia. Era mesmo uma péssima companhia.

Por que, hein?

Procuro entender... e explicar.

O garoto se perdeu, por aí.

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