quinta-feira, 23 de agosto de 2007

Wishlist de aniversário

* Menos ganância e egocentrismo;
* Que as pessoas parem de desperdiçar água e de jogar lixo pela janela;
* A temperatura do planeta estacionar onde está;
* Emprego. Estudo. Comida todo dia - para todos;
* Sorrisos sinceros;
* Consciência: gastar menos energia, menos gasolina;
* Não-iminência de assaltos e seqüestros. Poder andar na rua sem medo; poder voltar da balada a pé;
* Incontinência de verdade e sinceridade;
* Consideração, seja por quem for;
* Abraços apertados;
* Menos dióxido de carbono (e de enxofre também!) na atmosfera;
* Menos saudade;
* "Lítio", do Patrício Jr.;
* Árvores;
* Cessão do desmatamento, das queimadas, do capitalismo abocanhando faunas e floras;
* Amenização do solo rochoso que nada dá no Sertão;
* Humildade;
* Vergonha na cara e honestidade naqueles lá, em quem a maioria do povo perdeu uma preciosa parte do seu domingo votando nas urnas;
* Novas composições de Los Hermanos (o não-fim deles, quero dizer);
* Esperança.





Provavelmente esqueci de muita, muita coisa. Aliás, eu devia ter pedido "tempo" nessa lista, porque a correria tá complicando. Mas existem outras coisas mais urgentes. Outras coisas que o próprio tempo deveria trazer com urgência, tipo a maioria dessas aí.


Odeio aniversários, e isso não é novidade pra ninguém. Portanto não espere que o amigo de vocês, o Orkut, vos lembre. Apaguei da memória dele, apaguei.

segunda-feira, 20 de agosto de 2007

Num reality show

"Bia! Você come amendoim?! Eu não sabia! É super calórico!..."; "Você tá pensando em comer um pastel? Frito? Tem certeza? VOCÊ?"; "Tu vai comer isso?! Esse salgadinho?! Mas é frituraaa!"; "Ahn? Como assim Bia comendo um salgado (parêntese só para dizer que era só pão e queijo, e não uma coxinha ou algo escorrendo óleo) da cantina? Meu Deus, o mundo vai se acabar!"; Pego uma trufa no armário e "Você tá saindo do regime é?" (sorriso enigmático de quem disse isso, sabe lá se era de felicidade verdadeira ou de tamanha estranheza e tentativa de amedrontar para a possível conseqüência dos quilos a mais); "Não te conheci assim não... Comendo crepe e doces!".

Só porque eu tomei uma medicação no ano passado, que me deu quilos a mais e não me cabia nas roupas que eu tinha, eu TIVE que emagrecer quando parei de tomar o remédio e fiz um regime sério. Por 5 meses, porque eu não tenho tendência pra emagrecer. 5 meses é uma vida para as pessoas, por certo. Se eu passei esse tempo me privando de algumas coisas (porque ainda estava nas conseqüências do REMÉDIO), para as pessoas isto significa que eu tenha que me privar destas coisas para sempre. Sou vigiada, então. Me censuram se o que eu estiver mastigando não for algo natural, de soja, ou proveniente de uma embalagem que tenha escrito "light" ou "0% de gordura" em letras garrafais gigantes.

O cúmulo aconteceu no início dessa semana que se passou, em que eu fui tomar um sorvete e precisei me esconder para tal. E eu só fui tomar essa gordura trans porque o dentista tinha apertado meu aparelho como nunca, e eu precisava de alguma coisa gelada para anestesiar.

Perdi o prazer do paladar. Se entrar uma fritura pela minha boca, eu lembro dos olhos espantados e das frases que nas entrelinhas têm: mas você vai engordar, Bia! Lembra o quanto você é complexada com isso?!

Isso é a prova viva de que assistir bê-bê-bê é, de fato, uma perda de tempo. Se você viver, já será o mesmo. As câmeras são os olhos alheios; os telespectadores, teus próprios amigos (aspas aqui?).

terça-feira, 14 de agosto de 2007

Amor

Têm uns desocupados (leigos, insanos, enfim) por aí definindo o que é Amor. Um disse assim: forte inclinação por pessoa de outro sexo; afeição, grande amizade. Um outro quis ser mais complexo falando que era "viva afeição que nos impele para o objecto dos nossos desejos", e ainda se ocupou em definir os tipos de amor: plantônico, captativo, conjugal, oblativo, possessivo... Lista extensa.

Hoje, no meio da aula de Química, estava eu sentada do lado de duas pessoas que não são meus amigos e que travavam um diálogo que pra mim é ligeiramente vazio: discerniam paixão de amor. O menino falou objetivamente; a menina negou a possibilidade de definição.

Vazio não seria exatamente a palavra. A expressão certa é "em vão". Sou da turma na qual crê que definir sentimento não existe; é como definir "vida", "morte", "sonhos". É subjetivo; é seu. O que é amor pra você, nunca será para o outro. O que for viver ou morrer pra você, nunca será para o outro. "Felicidade" é outra coisa que a galera anda querendo definir já faz tempo, e que também nunca terá um conceito próprio.

Aquilo que se sente não se define. Porque não se vê! E só você está sentindo daquele jeito... ou será que você nunca parou pra pensar na exclusividade dos sentimentos? É por isso que num casal, sempre há a imagem de que um gosta mais de um do que o outro. Equívoco! Só seria possível quantizar as coisas se o sentimento fosse o mesmo sempre. Mas não é. Cada um sente do seu jeito... cada um expressa da sua forma e se perde nas próprias definições (inexistentes) particularmente também.

Não se ocupe em definir nem conceituar. Não perca tempo calculando nem tentando equalizar as coisas. Desista de responder à tais 'perguntas difíceis'. Não haverá ser humano capaz disso.
Esqueça. Apenas sinta. Sinta do seu jeito, que é singular, ainda mais indefinível e indecifrável exatamente por ser seu.





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A madrugada foi feita para o café e para a produtividade.
Por que as pessoas dormem, hein? :T

quarta-feira, 8 de agosto de 2007

Tem umas coisas na nossa sociedade

que eu acho massa, sabe.

Dia desses umas conversas estranhas entre minha mãe e o síndico daqui do prédio colocaram umas pulgas atrás da minha orelha, e eu batalhei muito tentando entender do que se tratava antes de perguntar à patroa (é que nem sempre ela tá super a fim de responder às perguntas idiotas da sua filha altista e alheia aos problemas domésticos). Mas findei perguntando. Era uma história da janela, da varanda, do janelão, sei lá o quê (tá vendo? "Alheismo" total). Só sei que a confusão era que a proprietária do apartamento não tava a fim de bancar algum tipo de reforma, que por envolver a infra-estrutura do prédio, sei lá (de novo?), ela que teria que pagar, e não minha mãe. Mas daí do nada mamãe soltou "porque ela tá querendo voltar pra cá". A mulher assim, deixou no ar que, a qualquer momento, caso ela surte ou queira "sair da rotina" e dar uma variada na vida, vai mudar-se de volta pra cá e despejar a gente.

Olha que massa, bicho. Você tem um imóvel, põe ele pra uma família alugar, e vai morar em outro, PRÓPRIO. Mas aí, a pobre família que alugar teu imóvel, estará sempre à mercê (escreve assim?) das suas vontades loucas de querer voltar um dia a morar no seu antigo pedaço de concreto. Eu estranhei, cara, porque foi aí que eu prestei atenção no descaso que se é dado.

É tipo assim: oh, tô te alugando, tá? Mas a qualquer hora pode ser que eu não queira mais brincar de receber teu aluguel e daí queira voltar pra cá. Você? Você se vira! Não tenho nada a ver com a sua vida, porra.
Eu saquei assim. E não é possível que assim não seja.
Sociedade do séc. XXI = individualismo pride. Individualismo, narcisismo, egocentrismo, egoísmo. Elevados à infinita potência. Humanismo zero.

A lei é essa!
Aliás, a galera tem brincado de pisar nos outros não é de hoje. Eu ia dizer que era desde, por exemplo, o Renascimento e as Revoluções Burguesas, mas aí foi só quando esses podres apareceram explicitamente mesmo. (Capitalismo, aparício). É tão intrínseco ao ser humano essas características... Mas a compaixão também é (ou pelo menos deveria ser). O sentimento de irmandade, bróder, cadê?
Aquelas coisas ruins lá são do ser humano mas não precisam necessariamente ser da sociedade. Porque as coisas boas também são do homem por natureza, e no nosso convívio social andam faltando. No nosso Mundo.

Por que sempre você antes dos outros e não os dois juntos?

Não esqueça que, nesse mesmo Mundo, nós também somos simples inquilinos. Assim como na vida. Assim como no tempo.

segunda-feira, 6 de agosto de 2007

Doença social o *&#@&

Um sociólogo vai à televisão explicar que imbecis que atiram ovos podres, garrafas e vassouras nos transeuntes de Ipanema como divertimento têm o que chama-se de "doença social". Ok, então a explicação é essa.
Eu pensei que fosse falta de respeito descarado, ausência completa de valores morais, problemas mentais crônicos, não-compaixão, burrice - incapacidade de raciocinar que poderia ser você, ali, andando, ou retrocesso mental dos piores.

Depois eu pensei mais e vi que essa merda toda não tem explicação. Que a sociedade brasileira vai se desfazendo mais a cada dia, se esfacelando como pode, o máximo que pode. Percebi que enquanto meu queixo descia e minha indignação aumentava, uma galera "nome-sobrenome-sou-rico-e-posso-tudo" ri literalmente da desgraça alheia. Acha massa um bom sujeito que passa ali, apressado para o seu trabalho, de onde tira dinheiro honesto, receber um ovo na testa, ou em qualquer outra parte do corpo, chegar ao trabalho com esse cheiro jóia e ter de passaar o dia assim; acha bacana ver mulheres recebendo ovadas, até por que elas são "vagabundas" né?; e o bom mesmo é se esconder! é ter certeza de que o que está fazendo é errado, e que justamente por isso é engraçado. Ficar imaginando, assim, em quem conseguiu acertar (ou machucar, ferir) uma vassoura ou uma garrafa deve ser sinônimo de excitação para eles.

Vou suspirar de alívio se alguém me disser que nenhum daqueles filhos-da-puta andam saindo na rua com medo de objetos voadores.
Por favor, digam que isso é fato! :~







(Quanto(2?) palavrão... feio né?
E o que esse povo faz, é o que?)