quarta-feira, 19 de setembro de 2007

Sou outra pessoa.

Em anos recentes seria mais fácil eu chamar alguém pro próximo show no DoSol Roque Bar, e não para o próximo Asa de Águia que fosse ter.
Antigamente o final de semana chegando me empolgava pela perspectiva de sair e beber; hoje, pela vontade de dormir (e quanto dá).
Minha galera era outra, totalmente diferente. Abominava os gostos, as roupas e as conversas de muitos que hoje são meus amigos. Me sinto uma hipócrita aqui. Eu sou como eu não queria ser, aparentemente falando.
Talvez por dentro também tenha eu mudado. Não na essência, porque esse caráter, de fato, não é mutante. Mas o falar baixo e calmo que não era meu; os abraços constantes, que minha mãe diz ser sintoma de carência; o olhar perdido e o desprezo pelas discussões: sou hoje a favor do brando, do delicado, da calmaria. Põe as revoltas pra longe de mim. (Antigamente quem comandava a histeria era eu. Sempre eu.)

Às vezes confundo tudo e saio mesclando. Uma crise de pré-adolescente (aos 17, sim!) que acha que aparência diz muita coisa; eu hoje sei que não diz, mas às vezes não sei se não diz. Sou igual a uma legião de garotas, muitas radicalmente vazias, porque a indumentária e os cabelos formolizados me põem em par de igualdade com elas. Na boca as mesmas gírias e os poucos palavrões, porque "é feio". Eu não era assim e às vezes assim sou. Também não me decido. Fico em cima do muro. Sei mesmo é que mudei. Só ainda não concluí quem sou eu.

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