terça-feira, 23 de outubro de 2007

Ele a deixava para trás, literalmente. Descia do carro e, pá, pum, desaparecia. Um "obrigado" seco dizia antes, daqueles carregados de um sentimento de obrigação, nunca de gratidão. Virava as costas, não esperava jamais. Saía correndo porque queria se ver livre dela o mais rápido possível.
As mais arrogantes palavras, sempre. Com todo mundo, sabe, mas com ela dava pra sentir que era pior. De propósito? Ela se perguntava isso também. Nunca soube, mas sempre desconfiou que sim.
Descaso tamanho, falta de consideração que doía. Conhece aquela vontade de chorar sem parar por causa da maior das besteiras? Mas falta de consideração para ela não era besteira, era coisa séria. E isso tirava-lhe o sorriso diário.
Quem dera ele ela não existir! Quem dera ele ela agüentar aquilo tudo, como se tivesse obrigação de apanhar um pouco na vida. Pra aprender. (O que, hein?)
Até que chegou o dia em que ele saiu correndo (de novo), o mais rápido possível. Subiu na bicicleta e não esperou-a, como bem haviam combinado e como bem era comum voltarem sempre juntos. Levou (ou deixou?) consigo a indiferença.
Dias depois descobriu, ela, que as palavras trocadas não passavam de obrigação por causa de um trato que eles haviam feito. Ele agora respira aliviado por ela ter desistido do acordo, e nem a cumprimenta mais.

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