segunda-feira, 29 de outubro de 2007

Joana e Amiga 1

Uma sempre soube quem era a outra desde tempos antigos assim. Até que se cumprimentavam, não se odiavam, mas também não sonhavam em ser amigas ou coisa do tipo. Uma lá e outra cá, até o dia em que as circunstâncias de um sonho as uniu. As circunstâncias e a vontade de realizá-lo também.

Elas duas e mais um monte de gente querendo algo em comum. Foi bom enquanto durou. Adivinhe você que o desejado nem veio, mas que a amizade perdurou.

Uma espécie de metade da laranja foi uma se tornando para a outra. Tinha gente que as confundia! Mas eu particularmente acho que, fisionomicamente falando, não tinham nada a ver. "Eram as sobrancelhas espessas", algum observador verificava. E era mesmo.

Mas imagine alguém que odeie tudo que você também odeia, que tenha valores idênticos e sonhos parecidos. Imagine a complementaridade suprema de conselhos e repreensões; de ajuda mútua. Joana aprendia com sua amiga num espaço de poucos meses o que amizades de anos não haviam lhe ensinado - ou completado.

Bebida gelada, xingamentos, palavrões, comidas calóricas, sim!, dançar até não aguentar mais, um convite para beber e um outro para o cinema - hobbies preferidos de ambas. Tinham tudo para ser melhores amigas, mas não o foram. A Amiga já tinha uma melhor amiga dos tempos de infância, coisa que Joana nunca conseguira conservar igual.

Os dias seguiam. Joana nem achava necessário perguntar "como é que você está?", mas sim "o que é que houve?". O semblante da outra dizia tudo sem que escorresse uma lágrima ou aparecesse um sorriso amarelado (daqueles falsos). As personalidades fortes faziam um duelo lindo, e os outros assistiam sorrindo àquela amizade que mais parecia sinestesia - sensações se fundindo o tempo todo. Era tudo muito intenso.





(Continua, sim)

Nenhum comentário: