terça-feira, 2 de outubro de 2007

Não gostei.

Esse ano não tem sido uma constante eu circular em ônibus, ao contrário do meu 2006. Acho que, hoje, 02 de outubro, não somam nem 10 ou 12 as vezes que embarquei nesse transporte desde janeiro. Mas agora, voltando ao Eucaliptus quase diário (e aguardando o desbloqueamento da carteira de estudante para poder comprar meus tiques), tomei um susto.

Segunda-feira, dez pra uma da tarde, mal chego na parada e lá vem o azulzinho, "Via Alecrim". Ergo o braço direito e conservo uma mania estranha de balançar o punho nessa hora - não sei por que faço isso, demonstrando uma espécie de agonia (que eu não tinha). O ônibus pára e eu me deparo com duas portas, uma praticamente do lado da outra. Como se fosse uma estrangeira, ou então qualquer grã-fina daquelas que nunca haviam subido num ônibus e que desconhecem a propriedade da cordinha, eu pergunto ao motorista: entra por essa ou pela outra? E ele, com aquele ar de satisfação enorme pelo vultoso salário que deve receber no fim do mês, somada a vontade de dirigir pelo trânsito organizadissímo da planejada Natal, responde: por essa!

Segue outro susto: o motorista é quem recebe meu vale-transporte. Cadê o cobrador? Até então só tinha visto isso nos microônibus, em ônibus normal jamais. A roleta mudou de posição, está tipo em diagonal, e logo na entrada. Atravesso-a com dificuldade (mochila + fichário + pasta + livro de 400 páginas do meu pai que deve ser manuseado com muito cuidado), encontro duas amigas antigas, que juntamente com umas outras 3 (na hora parecia mais), estão bloqueando a passagem de quem chega, e aos trancos e barrancos me dirijo ao banco. É quando me pergunto: que porra é essa?

Não peço desculpas pelo termo, porque eu me revoltei. Quer dizer que os ônibus novos não têm mais cobrador? Desemprego. Massa. Bacana. O motorista, além de se preocupar com quem desce e com quem sobe, onde deve ou não parar, com os carros que odeiam o veículo que ele dirige, com pedestres no meio da rua, sinais de trânsito, e sei lá o que tanto mais, agora também deve atentar para o vale-transporte (e colá-lo no papelzinho), tickets (e conferir se bate com a carteirinha), troco (que envolve moedas minúsculas de 5 e 10 centavos), e, como algo recente também, autorizar a passagem da pessoa de acordo com o pagamento. Dependendo de como você estiver usufruindo do transporte, ele autoriza num sensorzinho lá, pra poder liberar a passagem pra você. É quando uma voz de aeromoça frustrada anuncia: "estudante!" ou "inteira!" (eu observo, sim, um tom exclamativo na frase; você não?). Isso atrasa, e muito. Atrasa quem espera o motorista fazer isso pra poder passar pela catraca; atrasa quem está no ônibus com pressa, porque agora o motorista demora mais pra sair da parada; atrasa o trânsito, pois agora o coletivo fica mais tempo estacionado que andando. (Eu não quero nem imaginar como deve ser quando falta troco.)

Mas tem mais! A porta de sair é LOGO DEPOIS da de entrar. Quem tá chegando se esbarra com quem tá saindo, provocando uma sensação claustrofóbica de vaquejada que tem banda cearense como atração principal. Aqueles que estão de saída se acumulam ali, esperando a próxima descida; quem chega tá doido pra se sentar e passar direto pro seu banco - esse processo agora se complicou.

Não vejo justificativa para todas essas mudanças. Talvez argumente-se que seja pensando nos idosos, que antes tinham de correr lá pra trás do ônibus, pra poder subir. ("Ei, motorista, gratuidade, oh!"; "Por trás."; corrida desajeitada, sobe resfolegando e senta - quando dá.) E nos deficientes ou em outras pessoas em mesma situação. Mas não custava colocar a porta no meio, ao invés de por as duas no começo. Aliás, não custava nada fazer a máquina funcionar pro gratuidade (essa de agora funciona?) e pra qualquer outra circunstância em que o cidadão merecesse usar o transporte público sem desembolsar nada. Por que mudanças tão ridicularmente estúpidas?

Pela primeira vez, desejo que me esclareçam tudo isso em forma de humilhação. Normalmente eu argumento contra algo e depois vem outro e justifica tudo, me deixando no chão. Claro que detesto isso. Mas agora é isso que eu quero. Porque eu preciso que me convençam de que esse sistema é o melhor e o mais correto. Preciso que me calem, e que me façam compreender que R$1,75 é um preço justo por uma calamidade dessas.












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Ai, sim, ei, me dá umas dicas de música bacana preu baixar. Se possível alguma coisa instigante. Estou voltando a correr. =)

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