domingo, 18 de novembro de 2007

Então é Natal!

Apesar de ainda ser a primeira semana de novembro, já é Natal. Você sai de casa no dia de Finados, choroso pela nostalgia, e, de repente, uns papais-noéis começam a escalar muros de lojas, os shoppings estão cheios de guirlandas, e algumas casas ensaiam uma coreografia de vaga-lumes na parte da frente.

É hora também de a prefeitura gastar, de novo, alguns milhões colocando luzes coloridas e enfeites desproporcionais em todas as árvores da cidade, num raio de sei-lá-quantos quilômetros. Que mané saúde, educação, água limpa e saneamento básico! O momento é de comprar lâmpadas e pinheiros gigantes, isso sim! Não é hora para problemas menos importantes, me poupe.

Também é tempo de os órgãos públicos e de o cidadão comum exercer sua hipocrisia de forma plena. Reunir as roupas velhas (trouxa que no último Natal foi maior – está diminuindo a cada ano, talvez ano que vem, ih, nem sobre nada de muito velho), dar de “presente” aquela batedeira velha à sua empregada, mesmo podendo tê-la dado antes, já que há uns cinco anos o objeto foi trocado por outro bem mais funcional e moderno, mas, cê sabe né, bom mesmo é esperar o Natal para que o presente tenha um ar maior de generosidade. E não se pára por aí! Talvez você vá festas de caridade, visite asilos, faça doações ao “Natal Sem Fome” (ainda existe?), engorde a esmola e as gorgetas, e, até sorria um pouco mais. Ah, vai, é Natal. “Entre no espírito! Seja bom! Seja generoso! Abrace seus amigos, parentes, colegas, e também os desconhecidos da rua! Seja outra pessoa! E dia 26 de dezembro volte ao normal!”.

E então vem a lembrança dos presentes. Isso já ocorre naquela manhã de Dia de Finados, na qual você se assustou com a nascente decoração natalina na sua cidade. As multidões alucinadas por compras vão correr para os shoppings, para as lojas de magazines e para o centro da cidade. Presentes para toda a família, afinal, é Natal!, a data em que se comemora o nascimento de Jesus Cristo, o qual deixou escrito, em algum lugar que eu nunca vi, que no dia 24 de dezembro as famílias devem se reunir para comer e beber mais que comeram e beberam o ano inteiro, e também trocar presentes – simplesmente por trocar.

Natal é tempo de festa, de presentes caros, de comprar uma roupa nova para usá-la na noite de 24 de dezembro, mesmo que você não vá botar o pé de fora de casa (ou, se botar, esticá-lo só até a casa dos seus avós). E o mais relevante, é que também é tempo de ser um falso bom-samaritano, sorrir à toa, fazer caridades, abraços a mais, planejamento, de agradecer a Deus (essa fica para os menos fúteis da história). O resto do ano não é tempo disso não. O resto do ano você faz tudo ao contrário, para não “quebrar o encanto” da data.

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