sábado, 17 de novembro de 2007

Inverdade

- E aí, Bia, preparada para o vestibular?
- Tô!

- O vestibular tá chegando, né... Tá preparada?
- Tô sim!
- Vai passar?
- Vou! (com propriedade)

- Nervosa?
- Não, não, tranqüila... Confiante.

- Estudando muito? (desde o começo do ano)
- Estou.


Eu não estou tranqüila, calma, confiante nem preparada. Eu estou com mais medo do que todos os vestibulandos de primeira viagem juntos (e os de segunda, terceira e quarta também). Minha auto-estima e autoconfiança não são nem baixas, nem nulas, são negativas (o que significa que além de não as ter, eu reúno uns sentimentos mais auto-depreciativos ainda), e eu não escolhi isso pra mim. Odeio, em meio a uma crise de pré-vestibulanda, alguém dizer: não fique nervosa, você é capaz, você vai passar porque isso, porque aquilo porque aquilo outro... Isso não ajuda, tá? Não adianta me mandar não ficar nervosa, não chorar no primeiro dia, não me desesperar nem ter vontade de arrancar todos os meus cabelos com bem muita força: isso vai acontecer inexoravelmente.
E mais inexorável ainda, é o fato de, vez por outra, eu simplesmente não conseguir me imaginar passando, e me pegar planejando os isolados do ano que vem. Não seja burro me mandando não pensar nisso; ou você não entende o que é inexorável?
Argh.
Pois é. Não estou tranqüila. Acho que não sei de nada. Acho que não vou passar, na maioria das vezes. Juro que luto pra afastar o pensamento. Mas é assim que estão as coisas, fazer o que?
E, ah, não estudei muito. Nem de longe. Por isso o medo e todos os outros sentimentos que falei aí.

Satisfeito?

Assunto "vestibular" terminantemente proibido.

E, por favor, não me perguntem nos dias posteriores às provas se eu gostei delas ou não. Esse parecer só virá depois do resultado final - e se este for positivo.

Adeus.

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