terça-feira, 6 de novembro de 2007

Joana e Amiga 2 (parte I)

Sobre elas é mais difícil falar. Ou não. O que acontece, de fato, é que eram diferentes demais. Em nada se assemelhavam (exterior ou interiormente), exceto pelo companheirismo mútuo. Isso sim as unia.

Soa estranho, mas tinha vezes em que Joana não a agüentava, e a mandava “calar a boca”, fazendo isso com um sorriso, é claro. Achava engraçada a mania da outra de falar besteiras, aliás, a mania de falar sem pensar. Era engraçado mesmo, todo mundo dizia.

Antagônicas na razão, no pensar, nas opiniões e nas amizades. O que uma tinha como qualidade faltava na outra, e o que alguém tinha sob a forma de defeito não tinha igual na respectiva também. “Ah, mas isso sim é que é complementação”. Não acho. Mas talvez seja.

Chegavam a sair juntas, sim, mas não era freqüente. O antagonismo vigente deixava suspensa uma espécie de amizade que não tem muita manifestação. Mas que é amizade, e daquelas duradouras mesmo. Não se era necessário enormes abraços e saídas propositais para se provar o sentimento nobre que tinha ali. Bastava saber que a outra existia, e, sem afirmação alguma, ambas sabiam que o sentimento era o de sempre.

Estranho isso, né?

Uma madura demais, a outra aparentemente madura de menos (será?). Uma que não conhecia auto-estima, e a outra que a tinha de sobra; e tinha tanto que, claro, forçava a barra para mostrar-lhe o quanto isso era necessário. Uma amante da trivialidade, e outra daquilo com mais conteúdo (incluindo os debates sérios sobre tudo o que existir). Uma com testa franzida, e outra de sorriso aberto e conquistador. Uma consciente dos atos, a outra merecedora de culpas as quais nunca reconhecia.

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