quarta-feira, 12 de dezembro de 2007

Odeio(-me).

Odeio ela. "Odeio ela" mesmo, com meus erros de português, os quais ela sempre corrigia. Odeio quando ela me corrige, e reafirma, pela enésima vez, que o certo é "a vi" ou "o vi". Que bosta é essa? Você não sabe o que eu quis dizer?! É o que importa.

Odeio seu cabelo enorme, sempre amarrado. "Solta isso, menina!" "ai não, deixa aí, vai, nem o penteei hoje." Largadona. Demais até. Aquelas calças não-justas, aquelas sandálias baratas e aquele ar de revoltada com a vida e ao mesmo tempo de paz e amor. Urgh. Odeio esse jeito hiponga (é assim que se escreve essa merda?).

Lembro demais dos convites para o camping. Deus me livre! Barraca, areia, selva, 400 mosquitos para cada rosto e nenhuma cama. Quero meu conforto, minha louça lavada, meus pais me sustentando por algum tempo.

Ah, falando nisso, não dá pra esquecer seu brado de independência diário. Seu desligamento que, aparentemente, foi desde o corte do cordão umbilical. Já disse que não vou sair de casa também! Não quero, não gosto. Odeio essa idéia dela de "se virar" na vida. Odeio mais ainda é a de fazer isso "viajando por aí" com uma mochila nas costas, como ela mesma dizia. Isso não é comigo.

Odeio os filmes cult, os livros de literatura nórdica amontoados sobre o criado-mudo. O papo constante de salvar o meio ambiente, o mundo, e eu mesmo. Eu, perdido?! Já me encontrei, sei muito bem quem sou, a louca aqui é ela, não eu.

Odeio as músicas que ela ouve. Reggae e roque demais. Demais! Sua veneração ao rei [Bob] me desesperava. Eu hein.

Odeio as praias desertas e paradonas para as quais ela me leva, os lugares com pessoas iguaizinhas à ela, os "tapinhas" que ela dava de vez em quando. Odeio mais quando me chamava de 'careta'! Não, não gosto.

Aquela comida natural, odeio. Aqueles textos viajantes, aquela teoria de que o amor é sua religião, também odeio tudo isso.

Odeio a forma como ela se declara pra mim, odeio o espírito aventureiro, a aversão à tecnologias, a fobia à cidade grande. Odeio.

Odeio seu cheiro, seu corpo, suas feições de prazer.

E por que não a deixo? Por que alguma coisa dentro de mim ainda me força a responder com um (sei lá se sincero) "também te amo". Me odeio, me odeio.



Ass.: Um qualquer.

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