terça-feira, 25 de dezembro de 2007

Quem sou eu:

Eu sou pura saudade. Eu sou o choro distante, o sorriso perdido, a imagem fora de foco e os elementos que fazem lembrar histórias: uma lancheira, um tênis (que piscava), um patins, uma(s) cicatriz(es). Eu sou o livro preenchido, o caderno escrito em todas as folhas, frente e verso, a foto empoeirada, "aquela música" e o "lembra aquela vez em que...".

Sou tudo isso. Sou mais a comida que não se vende mais tão igual, o refrigerante em garrafa de vidro, o cheiro das coisas, a baixa estatura, a voz fina e aguda. Os tantos olhares que carregavam seu brilho, a oração que tinha outros pedidos e outros agradecimentos, o caminho diferente, o banco de trás do carro e o cabelo arrumado por outra pessoa.

Sou mais um monte de abraços. Que se foram ou que se repetiram, sou eles também. Sou a dança engraçada, o pedido de brinquedos, a vontade de escola e de parque após o sanduíche com batata frita (ideais para um crescimento saudável). Sou o leite com nescau de todo dia! As panquecas de carne, a recusa às verduras, o suco por cima da toalhinha, o 'eca' para a sopa de feijão. E depois disso sou o elástico e o bambolê, as bóias apertadas nos braços e o medo de altura.

Acredito que eu seja mais que saudade, lembranças e história. Sou, eu sei, aquela que se opõe ao popular "o presente é o que importa", porque não sei o que seria de mim sem meu passado, nem muito menos sem meu medo e minha ansiedade do futuro. Quem foi o louco que só deu importância à uma das bases do tripé e saiu espalhando essa história?

Creia no que eu digo, então! Sou a presunção, ainda mais, olha só.

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