domingo, 28 de dezembro de 2008

Muito bonito.

Cada música, um show. O show, uma grande apresentação. Entraram, como de costume, sem estardalhaço, sem acende-e-apaga de luzes, nada de triunfal. Um a um, pondo em ordem os instrumentos e, de repente, já é.
Eles estão felizes em estar ali. Todos estão. E olha que são muitos, hein? Cantam todos, inclusive os desprovidos de microfone. Dançam também. Há coreografias lindas! Aquela coisa pré-ensaiada, que aparentemente foi apenas combinada mas que só começaram a fazer em cima de um palco mesmo. Um coral perfeito. Sem erros. Não vi falta de sincronia, tudo muito igual, sabe? Um canta, outros dois fazem aquela segunda voz especial. Três juntos fazem os "metais" nos próprios microfones (pá pá páááá, pá pá pá pá; pá pá páááá; parárá!). Piadas, muita alegria.
O fato de não ter sido o único show de ontem na cidade melhorou as coisas. Só estava lá quem gostaria de estar, aliás, quem faz questão de lá estar quando eles vêem. Claro que havia algumas franjas sendo desesperadamente arrumadas a cada 5 minutos, e algumas camisas pólos listradas desfilando dentro de ombros enormes que empurram todos os seres considerados inferiores pelos donos das listras e dos ombros - 99% do mundo. Mas eram minoria. O público, quase em completo, era dos bons. Todos dançavam do jeito que queriam, livre, sem nenhuma regra coreografal(?) e com muito respeito. A energia positiva pairava ali.
E o que é mais interessante: não há músicas novas, nem músicas próprias (só algumas vocalizações que todo mundo canta junto); só existe o antigo, o tradicional, o muito conhecido e manjado. Então o coral é absoluto, as lembranças por parte dos mais velhos provocam uma aura de nostalgia; e os mais novos cantam com o vigor de quem viveu aquela época.
Vamos de carnaval, de frevo, Tim Maia, Paralamas. O que houver, toca aí. O importante é a diversão.
Até 7 de março, Monobloco. Perfeito.

segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

sábado, 18 de outubro de 2008

Responde-me?

Não é de hoje que eu venho me perguntando o que está acontecendo com o mundo. Nem é de hoje que eu me questiono se o mundo está, realmente, cada vez pior.
Há dez anos atrás, não era comum, digo, freqüente, o que os noticiários anunciam hoje. Filha mata os pais; pai e madrasta jogam uma criança pela janela; namorado mata namorada; namorado seqüestra namorada (e mata também?).
Isso assusta muito e é de se esperar que as pessoas vivam essas notícias, comentem, estudem, se preocupem, e até rezem por aqueles os quais nunca conheceram na vida. Como é de se esperar deixarmos de lado a economia americana/mundial, o meio-ambiente desgastado, os mortos de fome de bem distante e os de bem perto da gente.
Me responde você, então, o que está havendo com o mundo? Onde começamos a errar? Vamos voltar lá e dar uma consertada, por favor. Uma colega acredita não ser bem assim. Ela vota na opção de que hoje temos muito mais informação do que antigamente, e por isso vemos tantas barbaridades assim. Mas ela falava de centenas de anos, eu acho. Eu falo de menos de uma dezena.
Não há natureza humana em fazer morrer um parente seu, uma pessoa integrante da sua vida e da sua história. Não há por quê nem há motivo tão grande assim.

Às vezes eu penso na categoria desse problema e meu medo maior não é o próximo alvo, o qual espero não ser eu. Eu temo mesmo é a desintegração da confiança, da lealdade, da amizade verdadeira e do amor saudável - seja entre quem for. Anseio não haver mais relação sincera, e só existir a partir de agora barreiras intransponíveis entre nós. Temo o fim de valores assim, porque são eles o alicerce da humanidade, sabe. Nem peço perdão pelo clichê.

Porém, o lado oposto da moeda me diz algo bom. Agora, sim, tornou-se claro que bandidagem não tem relação direta com classe social. O favelado ou o trabalhador mata, seqüestra, rebola criança pela janela, atira contra pessoas de bem (sabendo quem elas são!). Mas ainda há uma lombada no meio do caminho: o fato de a maravilhosa imprensa sempre convocar um psicólogo, psiquiatra ou afim para analisar o caso. Um cara trabalhador, sem antecedente criminoso, "que estava passando por uma crise amorosa"*, imagina, é incapaz de cometer uma atrocidade dessas. Um desempregado da comunidade mais pobre desse país, não interessa de onde vem ou como é, muito menos se está passando por crise amorosa ou abstinência sexual, é sempre um filho da mãe porque, bem, o contexto explica.
Maldade não escolhe classe nem cor, muito menos escolaridade ou empregabilidade, e se é problema psíquico ou não, isso eu não posso dizer. Ainda estou no segundo período.

Torço pela recuperação das meninas; pelo sofrimento dele; e pela reflexão conjunta. Torço para que ele não tenha nenhum tipo de problema mental ou desvio de comportamento, para assim reconhecermos que é possível ser normal, (não-pobre, não-burro, trabalhador) e filho da puta ao mesmo tempo.

Desculpe a expressão.


(*) O autor da frase é o comandante do Batalhão de Choque, Coronel Eduardo Felix de Oliveira. [ http://www.estadao.com.br/cidades/not_cid262235,0.htm ]

sábado, 20 de setembro de 2008

Nem parece Natal.

A arma "disparou sem querer" e o assaltante matou uma mulher. Os bandidos pediram para todos tirarem a roupa; precisavam verificar os sutiãs e as cuecas de todos - ótimos esconderijos para objetos de valor, segundo eles. Três assaltantes a mão armada na parada da UFRN, numa quarta-feira, sete horas da noite. Três. O homem que nasceu para não ter sorte assaltou um policial federal no Bairro Latino; morreu com a arma na mão segundos depois. "Bandido humanizado" entrega que roubou um carro, mas que ia desroubar: tinha uma criança dormindo no banco de trás, e o pai dela era um "filho da puta", segundo o boa-praça da história (quem acha que ele estava com ódio porque os pais irresponsáveis tinham acabado de impedir de ele fazer o roubo da noite, e não somente porque os pais do menino eram filhos-da-puta mesmo levanta a mão!).

Enfim. Dirigir a cem quilômetros por hora completamente embreagado está mais seguro do que andar de ônibus em Natal, seja em que hora do dia for. E o que fazer a curto prazo?, todo mundo se pergunta. Eu, inclusive. Colocar um policial em cada ônibus e em cada parada? (Viiiish.) Seria bacana, não? Eu ia andar por aí cheia de ouros, falando em dois celulares ao mesmo tempo. Ia sim. Mas isso é impossível. Se há recursos, ou não, sei lá. Provavelmente, não, né? Já que 99,8472% do dinheiro brasileiro serve para pagar os modestos salários do pessoal do Congresso Nacional.

De fato, não se vê muito o que fazer. Eu não vejo, perdão. Mas, de início, alterar a iluminação de muitas ruas de zero postes e lua minguante encoberta por nuvens para algo como refletores seria uma boa. Rondas mais freqüentes. Mais policiais circulando à noite, de dia, em horários aleatórios. Um político que preste. Alguma possível forma de comunicação entre o motorista e o terminal, ou entre o motorista e a polícia mesmo, que possa sinalizar que o veículo está perto de receber alguns tiros, mas sem que o bandido perceba isso (um rádio, qualquer coisa que o motorista não precise verbalizar, apenas avisar)... Vamos pensando. Vamos, candidatos, pensando. E enquanto nada disso é feito, vai rezando, bróder. Pede parada, sobe ou desce, e vai rezando...

terça-feira, 12 de agosto de 2008

Apenas um ponto de vista.

É mais ou menos assim. Você, em sua casa, manhã de uma quinta-feira qualquer, sua única preocupação é o que será o almoço. Blém. Campainha.
- Bom dia! Eu faço parte de uma construtora, quero comprar sua casa para destruí-la e fazer um prédio. Tudo bem pra você?

O cara entra e conta que os vizinhos (as outras casas que também precisariam ser derrubadas para construir uma monstruosa caixa de sapatos subdividida em compartimentos de iguais tamanhos) já concordaram. Só falta você, que, em troca, terá alguns aparamentos desse prédio e uma casa alugada pela construtora durante o período da construção.

Seus devaneios começam nas lembranças que você tem da sua infância naquela casa, jogando bola sem companhia, almoçando em família, comemorando aniversários ali, e terminam na possibilidade de enricar se aderir a essa proposta - o que possivelmente vai acontecer. ("Digamos que essa casa valha R$100 mil... que o apartamento, na planta, R$150 mil... ele pronto, R$380 mais ou menos... Quase 300 mil de lucro! Puta que pariu!...).

Assim começa. Assim vai. E o fim todo mundo já conhece. Não quero nem ouvir as estatísticas sobre casas sendo derrubadas para construir prédios. Senão adoeço.

Em Natal (e no mundo todo, Bia, deixe de ser idiota), erguer concreto é uma moda que veio pra ficar. Como se já não bastasse as nossas temperaturas amenas atravessando as quatro estações, construir prédios imensos, um ao lado do outro, tem sido o objetivo de todas as construtoras da cidade.

Eu sou avessa às torres de mais de 6 andares. Porque sou avessa ao sufocamento e à claustrofobia - não sei se você gosta delas. Sou avessa às ilhas de calor, a olhar pro céu e ver mais janelas que nuvens, e, principalmente, sou avessa a me sentir observada. Dois prédios num mesmo quarteirão, um do lado do outro, imagine as novelas que surgem...

Tem gente que não liga pra isso, certo? Certo. Tem gente que não é incomodado pelas mesmas coisas que eu sou, normal; que concorda e acha maravilhosa a tendência de "crescer para cima". Os lados não contam, então.

Eu sei que a população aumenta, a cidade cresce, e absolutamente tudo gira em torno de dinheiro. Os gringos vão continuar triplicando os preços dos nossos imóveis, e os engenheiros vão continuar verticalizando essa antiga província, poluindo nossa vista e piorando nossa qualidade de vida (quanto mais prédios próximos, mais gente concentrada, mais engarrafamento, mais violência, etcétera).

Minha vontade era só que, se tivesse de subir, que subisse pouco (quatro, seis andares). E que quem tiver sua casinha, segure-a. (Pedido inocente detectado.)








~
















pê ésse: Moro em um prédio de 12 andares. Meu bairro é dotado de ilha de calor. Tem assaltos à luz do dia. Aqui, as casas valem mais do que todos os apartamentos de um prédio antigo. Derrubando e crescendo, derrubando e crescendo....

sexta-feira, 27 de junho de 2008

Mulher entende de futebol?

Eu sou uma mulher machista. E me declaro assim por diversos motivos. Acho, por exemplo, que uma mulher nunca deve abrir a porta para um homem que não seja uma criança ou um idoso; acho que a mulher não deve pedir a conta se houver um homem à mesa nem receber a conta nas mesmas condições; mulher não deve trocar pneu de carro; mulher não deve convidar pra sair, dar em cima, pedir pra ficar com homem algum; mulher falando palavrão é feio, mas homem falando palavrão não é; mulher aprendendo a dirigir é engraçado, e homem aprendendo a dirigir normalmente não é; mulher bêbada é feio também, homem bêbado nem tanto.

Enfim, sou machista e não nego, por mais que minhas amigas que bebem cerveja feito homem e falam palavrão tanto quanto me excluam de seus círculos sociais. Sou assim. Mas tem uma coisa que não me desce: a teoria masculina sobre mulher e futebol.

Normalmente o tema surge em volta de uma mesa num barzinho badalado, em dia de jogo do Brasil. ("Mulher não tem time. Você chega pra ela e pergunta: pra que time você torce? E ela diz: Brasil!" De fato, mas nem sempre.) As mulheres começam a se pronunciar e os homens começam a sessão piadas idiotas da noite.

- Quando uma mulher diz que o técnico é burro e ainda explica e explica certo por que ele é burro... Rapaz, o bicho é um imbecil mesmo.

Sabe a antiga crença de que a histeria era uma doença tipicamente feminina e dizia-se que ela acontecia quando o útero ficava louco andando dentro do corpo? Acontece comigo coisa parecida nessas horas. Alguma coisa me sobe e eu fico sempre muito próxima de explodir, me levantar e ir embora. O problema é que eu tô sempre de carona e sem paciência de me trocar com caras assim.

O que mais me irrita é que sempre quem diz isso é o cara que mais fala na mesa; e quem mais fala, pra mim, menos sabe. O verdadeiro entendedor de futebol (de novo: PRA MIM) é o que PRESTA ATENÇÃO no jogo, observa, observa de novo, torce, comemora, e comenta sobre a partida depois do final do segundo tempo - ou comenta muito pouco durante o jogo. O cara que mais fala e mais xinga, normalmente é o que sabe menos. Esse é o que repete o que ouve dos comentaristas da televisão, repete o que ouve do pai bem-entendido de futebol, e repete o que conseguiu coletar dos comentários de todos os amigos seus. E é exatamente esse que fala mal das mulheres.

É o mesmo que solta as piadas imbecis de sempre:

- Você sabe quem é aquele cara de preto correndo pra lá e pra cá?

- Você já descobriu o que é impedimento, minha filha?

- Aposto que você confunde tiro de meta com escanteio, hein?!

Mulher não entende de futebol porque não quer. Não é interessante, para a maioria de nós, comentar, chorar e sofrer por partidas de futebol. Mas a mulher que gosta, que acha interessante esse esporte, e que quer entender, entende sim. Porque qualquer ser humano é capaz de entender como funciona QUALQUER esporte e quais são as regras do campeonato brasileiro e afins.

Não diga que mulher não entende de futebol. Diga que não tem pra quê ela entender se ela não quiser fazer isso. E vá prestar atenção no jogo, estúpido. Quem sabe pouco das coisas aqui é você.

quinta-feira, 5 de junho de 2008

sábado, 10 de maio de 2008

No cinema.

"Moça, por favor, esse filme "Polaróides Urbanas" é de que gênero?"
"Nacional."
"Sim, mas o quê? Comédia, drama, suspense...?"
(Pega o papel impresso que contém a sinopse de todos os filmes em cartaz...)
"É comédia."

Filme nacional é filme nacional e pronto. Por quê?! Não me venha com a conversa de que se coloca a palavra "nacional" no lugar do gênero para chamar a atenção para o filme, na melhor das intenções, e fazer com que alguns o assistam ("porque é brasileiro! é minha cultura!, meu país!, uhu! Orgulho sempre." Nem todo mundo (puf) é assim.)

Existem aqueles que (ainda) se recusam a assistir filme nacional, por, em sua superior ignorância, generalizarem dizendo que são todos ruins, e existem aqueles que sentem mais vontade ainda de comparecer à sessão exatamente por ser filme nosso. Há pessoas e pessoas, então. Assim como há filmes e filmes. Filme nacional pode ser tão bom quanto filme estrangeiro, então precisa de classificação.

Por que não colocar "nacional / gênero", se a desculpa é 'enaltecer' a pátria amada? Dizer que um filme é "apenas" brasileiro ao mesmo tempo que diz muito, não diz nada. Eu cheguei no cinema a fim de assistir a uma comédia, e no quadro atrás da moça do diálogo acima, não se dizia nada sobre esse filme. Se não fosse o papel impresso, como é que faria?!

Complicado...




P.S.: Não foi a esse filme que assisti, porque a sessão já tinha começado. Faço parte do time que sente mais vontade ainda de ver o filme ao olhar a palavra "nacional". Mas, da próxima vez, gostaria de ver também a palavra que me dá a sua classificação. Logo de cara, assim. Seria bom.

quinta-feira, 8 de maio de 2008

Roberta

Aquele tipo de show que esgota assim logo nos primeiros dias, antes de boa parte da população ter notícia das vendas dos ingressos. Duas sessões. Lotadíssimas. Numa quarta-feira. E que se dane os compromissos do dia seguinte ou da noite em questão. "Ah, se eu vou!".

Chove, relampeja, trovoa, e todo mundo sai de casa mesmo assim. Enorme expectativa, os três costumeiros avisos (faltou o do "desligue os celulares e é proibido fotografar". Talvez esperasse que muitos fotografassem e gravassem em aúdio nos seus aparelhos muito do que ia acontecer ali naquele noite. Ou não.), a cortina se abre. E lá está ela, parece-me até que aplaudindo a si mesma, mas não, seu intuito era mesmo só o de acompanhar a batida da música. Vem num vestido que não é curto nem longo, mas longo e curto, mostrando as pernas sem ser vulgar, dançando da forma mais delicada e sensual possível, tudo ao mesmo tempo. Maquiagem discreta, cabelo simples, tudo isso era de menos se importar, porque ela vinha com muito mais (conteúdo) à mostra. Falando pouco, (en)cantando muito, prossegue.

Cada um que se segure na sua poltrona e resista a enorme vontade de se levantar e sambar, dançar, "mexer com as cadeiras pra cá, mexer com as cadeiras pra lá", mas a noite era dela, e somente ela podia fazer isso. E assim fomos, nos contentando em bater os pés e balançar a cabeça, apenas alternando em movimentos de para frente e para trás, ou para um lado e para o outro. E em aplaudir e bater palmas a cada menção da "maestra".

A banda calou-se enquanto ela pôs o microfone para a platéia. Entoamos "Samba de um Minuto" aparentando passados ensaios, em êxtase. E ela se dividia entre nós e ela mesma, dona do palco.

E a melhor parte, pra mim, depois de "Casa Pré-Fabricada", foi ela ter dito de "como era bom estar em casa", e que aquilo era um "reunião de família". Aí está, mais uma vez, a nossa ignorância em valorizar o que é nosso somente depois de fazer bonito lá fora e de ser aprovado por um público que não seja o daqui. Mas, assim seja. Aliás, assim é.

"Todo santo dia ela ia, ela ia lá me chamar..."

segunda-feira, 21 de abril de 2008

Conta aí uma novidade.

E assim tem sido. Notícia vai, notícia vem, Isabella, Alexandre, Anna Carolina (com dois "n" mesmo?), contradição, ódio no coração, mentiras, histórias bem contadas, histórias mal contadas, um absurdo, outro absurdo, polícia, fotografias, manifestações e cartazes, todo mundo pedindo justiça.

O assunto não é outro, sabe-se. Qualquer estrangeiro que esteja há 8 minutos nesse país sabe tanto dessa notícia ao ponto de ser capaz de construir um almanaque sobre isso. Sozinho. Não há descanso da imprensa, nos jornais televisivos, de papel ou virtuais. Não há quem não comente sobre essa atrocidade, e devaneie sobre as possíveis causas para esse crime. Não há quem não tenha discutido isso ainda. Como também não há um simples "táime" nas investigações.

Realmente, assusta qualquer pessoa normal e em sã consciência, um pai jogar a própria filha pela janela. E a madrasta, mãe de dois filhos, ajudar no processo. Não foi dado o veredicto, mas não há outra possibilidade ou versão do caso para o que aconteceu.

Enquanto isso, todo brasileiro cria uma repulsa horrível à essas pessoas, repulsa mais que compreensível, claro. Todo brasileiro está revoltado, surpreso, e incompreende como alguém seja capaz disso. Um bandido? Tudo bem. É crueldade mas tá valendo porque é bandido. Mas um pai? Não, peraí, não é possível. É assim que se pensa.

São 180 milhões de expectadores para esse caso, eu digo. Mas uma coisa é certa. A justiça vai ser feita, não há como não ser. Está mais do que claro e mais do que em caminho andado que a decisão final está próxima, e que não receberá influência dos reais assassinos, porque estão todos estupefatos com isso; todos, sem exceção, querendo reproduzir o que foi feito e prender quem tem culpa numa barbaridade dessas.

Portanto, eu agora só vejo o caso Isabella como um dispositivo para tirar a atenção do brasileiro dos demais problemas recorrentes e antigos (ou até novos) do Brasil. Não tiro a razão de quem está com ódio desse casal, de quem se sensibilizou com o que houve. Eu também estou assim! Eu também não queria acreditar que seria possível uma coisa dessas! Mas ninguém vai deixar barato. Quem está investigando está mostrando fazer um trabalho muito bem feito, e está inspirando confiança.

Há mais de vinte dias pouco se noticia sobre demais crimes e violência nesse país, sobre corrupção e mentiras no Congresso, sobre o planeta, que continua se aquecendo, e perdendo suas geleiras, sobre a fome e a chuva, que, com certeza, devem permanecer matando montes.

Os jornais têm papel importantíssimo nisso. Quando não é Isabella, é futebol para 'aliviar' e distrair (mais ainda). Repito: a justiça será feita! Não há possibilidade de retrocesso, e o que devemos fazer é aguardar. E ir manifestar também contra os demais problemas desse país... Esses, sim, influenciam muito mais na vida de cada um.

sexta-feira, 18 de abril de 2008

Só sol.

Ontem, mentira, antes de ontem, quarta-feira, dia 16 eu acho, véspera do aniversário de Júlio, se tiver sido 16 mesmo, foi a espera pelo 45 mais marcante da minha vida.

A parada de ônibus da Joaquim Manoel, no sentido Petrópolis-Tirol, foi removida há algum tempo sabe-Deus-por-quê e nunca mais a colocaram de volta. Claro que o ponto em si ainda existe, e que 85435787 ônibus passam e param ali todos os dias.

Quarta, como de costume, pouco antes de sair de casa fui à janela pra saber "como estava o tempo". (Eu faço isso pra decidir de vou semi-nua ou completamente nua para a faculdade, dependendo da quantidade de neve que caia em Natal.) Estava ventando de um jeito que não ventava ao meio-dia tanto assim. *Felicidade*

Nesse dia saí do prédio realmente feliz, comecei a sentir o vento, a brisa não-quente, o clima não-abafado, quase ameno, glacial para o normal daqui (e do horário), agradabilíssimo... "Caminhando e cantando" fui até que cheguei à parada e parei (Haha). ¬¬. Dez segundos se passaram e eu senti meu corpo queimar como se eu estivesse na praia, no mês de janeiro, desde 9 horas da manhã e já se aproximando das 3 da tarde. Fui sentindo, lentamente, o sol bronzeando meus pés nas marcas da sandália havaiana, minhas pernas marcadas pela saia, o blush natural que se desenhava no meu rosto. Senti tudo isso em dez longos segundos.

A parada, que não existe mais, se transformou de repente em dois aglomerados de gente, cada um debaixo de uma barraca de confeito. Disputávamos a sombra com sacos de pipos e pipocas Bokus, big big e sete belo, todos com mais prestígio e privilégio que nós. Ninguém tinha uma sombrinha para ser disputada também.

Nenhuma cobertura. Nenhuma árvore. Nada. O câncer de pele estava dando o seu recado através de um sol escaldante, que há muito eu não sentia. Meu protetor fator 30 foi-se embora naqueles 10 segudos. Imagine então a queimadura de segundo grau que foi se formando ao longos dos 20 ou 30 minutos que esperei pelo ônibus.

domingo, 13 de abril de 2008

O papel de cada um.

Quem é, então, o vilão e o mocinho? Há mais de um vilão, mais de um mocinho?! Depende do ponto de vista. Depende de onde se fala, de quem se fala, do que foi ouvido falar. As informações erradas perambulam e as corretas são distorcidas ao máximo. Vamos lá decidir os papéis dos personagens dessa história sem pé nem cabeça.

Quem começou foi quem tem poder. Quem tem coragem também. Que, à frente de todo mundo, fala, se pronuncia, propõe e diz o que acha sem dificuldades. E sem justificar, claro. Quem mais também tiver coragem, que diga, que fale o que pensa, e que decida, praticamente sozinho, o futuro da humanidade. É, o grupo pequeno é a humanidade inteira. Tanta história mal contada assim, só pode se tratar de um bando de pessoas. Só pode.

Decidam-se! Não o destino dos demais. Isso, o grupo corajoso já fez por si só. Decidamos quem é quem nesse drama, nesse início de desastres (uma sucessão deles já se seguiu, e vem mais por aí). Eu não tenho coragem, mas tenho opinião. E você? Igual? Ah, então senta aqui e vamos debater. Pra nada. É, pra nada, só pra haver mais discussão, mais lendas urbanas e conversas aleatórias. Puxemos um assunto com isso, que tal? Acho uma ótima. Mas não levo adiante, não tenho coragem. O que vão pensar, o que vão dizer, já que é isso o que mais se faz nesse lugar? Desespero total. Depois do susto, a fase da raiva, e, por fim, a conformação. Uh, quase uma morte. Parecido com isso.

Ergam os braços da próxima vez! Ergam de verdade! Gritem o que vocês pensam (e percam possíveis amizades ou não). Eu sou hipócrita e mando vocês fazerem isso, mesmo tendo certeza plena de que me calarei por puro medo. Medo de receber o papel errado, claro. Porque, até agora ninguém percebeu, ninguém destinou os devidos papéis, mas o grande vilão da história já se pronunciou faz tempo: é o velho e conhecido disse-me-disse.

terça-feira, 1 de abril de 2008

Desejo simples.

Eu apenas quero uma notícia boa. Umazinha só. Pode ser um amigo que conseguiu estágio, um parente promovido, uma descoberta científica boa pra todos nós (cura da aids, resolução do aquecimento global), uma nota boa em neuroanatomia, algum conhecido passando num concurso, sol nos próximos dias.

Servia também um abraço, um alento, um consolo qualquer. Alguém que diga que a decisão certa é essa, essa e essa, e que posso escolhê-la sem pestanejar. Melhor ainda, alguém que decida (o certo) por mim. Para que não haja escolhas difíceis mais.

Uma família semi-perfeita pode ser. Uma harmonia completa, sabe... Um disse-me-disse de coisas boas, um todo de boas vibrações, um nada de pejorativo. Compreensão total de todas as partes.

Também pode ser um antigo amigo dando as caras, ou alguém que pergunte "como você está?" querendo sinceramente saber.

Telefonema e visita não. Contato íntimo ou direto já não me faria bem.

segunda-feira, 31 de março de 2008

De 26 de março ainda.

Foi quando saiu no Jornal Nacional que uma geleira gigante se desprendeu da Antártica e, em 15 anos, estará completamente derretida. Corresponde praticamente ao tamanho de Florianópolis.

E essa má notícia significa dizer que uma cidade inteira pode desaparecer. Uma cidade grande, como Floripa. Então, pelo amor de Deus, ou de qualquer outra coisa que vocês amem intensamente, economizem energia elétrica, não desperdicem combustível, comam menos carne vermelha, compre tudo que houver de "ecologicamente correto" por aí. Peço, sem brincadeira, de forma bem encarecida. Ou desesperada.

Não vamos esperar a geleira debutar. E ver gente morrer por não termos cuidado do planeta.

***

Em Petrópolis, as ruas Joaquim Fabrício e Manoel Machado, nas suas imediações entre a Cláudio Machado e a... aquela do ITORN, são campeãs em escuridão e em pessoas andando mais rápido que os pés. Quem é a mais iluminada?! Seu Manel, com UM poste aceso. Quase uma árvore de Natal.

No mesmo bairro, e em alguns (muitos?) outros lugares da cidade, persistem as paradas sem a menor cobertura ou proteção. É, realmente, um exercício de paciência esperar pelo 45 pegando um bronze no couro cabeludo. Deve ser isso que multiplica minhas caspas, só pode. Bom mesmo é quando está chuvendo. A gente fica lá, aparentando calmaria e tomando banho. Ah, uma capa de chuva. :(

***

Alguém, fora eu, sentiu um desespero intenso nos últimos dias por praticamente não ter visto o sol? Hoje ele apareceu, por volta das quatro da tarde, e eu fiz questão de sair de casa sem óculos escuros. Queria senti-lo.

Enquanto isso, a galera ignorante continua jogando lixo na rua e entupindo bueiros. Aí, os cruzamentos bloqueados, carros nadando, e a gente no melhor estilo "salve-se quem puder". Sei não viu. Será que não dá pra guardar a merda do papel do confeito dentro do bolso ou da bolsa? Tem que rebolar no meio da rua? Acho que há pessoas que têm um prazer em fazer isso. Um pensamento do tipo: eu preciso sujar a rua, eu preciso sujar, e eu preciso me desfazer disso, sai de mim!. Há sim.

***

Eu tô mei rin de articular idéias hoje.
Alguém diga: sempre, minha filha, sempre.
:)

(Fiz a primeira prova da faculdade. Hoho.)

domingo, 23 de março de 2008

A carne é fraca.

Chama-se o documentário de vegetarianos que já circula por aí há algum tempo. O professor de Teoria do Conhecimento, sobre o qual se especula alimentar-se de luz (mas que deixou bem claro que apenas parou de comer carne aos 14 anos - e já se aproxima dos 60, aposto), após uma aula de Descartes, põe o tal documentário pra turma.

Realmente choca, dá uma enorme pena, uma vontade de nunca mais colocar um pedaço de carne branca, vermelha ou cor de rosa na boca. Nunca mais mesmo. Os mais sensíveis não se sentem bem em ver aquilo: pintinhos "rebolados" prum lado e pro outro, durante a seleção, como bolinhas de pingue-pongue; bois e porcos temendo o abate, querendo dar marcha-ré naquele caminho estreito que eles já prevêem em que vai terminar; filhotes aprisionados e sem poder se movimentar para que assim, sem perda calórica, sua carne vire a macia baby beef.

Enquanto isso, vegetarianos, vegans e afins, apelando (não leve esse verbo para o sentido pejorativo) para que as pessoas abandonem seu hábito de comer cadáveres. Ops, carne.

O documentário termina e eu saio de lá decidida a não parar nunca mais de comer carne. É, sim. Porque eu sei que existe um tal de ecossistema e de cadeia alimentar. Do mesmo modo que, cruelmente, matamos animais para comer, muitos animais também o fazem. E quem eles matam, também sofre, também sente dor, também quer fugir. Mas o "assassino" está acima na hierarquia alimentícia, e está apenas seguindo sua natureza ao fazer isso.

O homem não escolheu ser o ser mais desenvolvido, em termos intelectuais principalmente. Simplesmente aconteceu. Evoluímos e aqui chegamos. Aqui, no topo da cadeia alimentar. Se estamos acima, nos alimentamos de quem está abaixo de nós, exatamente como ocorre em todos os âmbitos da natureza. Exatamente igual.

O que deve ser feito não é necessariamente parar de comer certa coisa ou apenas comer outra certa coisa. Do mesmo modo que todos os animais lutam por si, por sua espécie e sua vida, para sobreviverem, e, ao fazer isso, se alimentam do que têm de se alimentar, fogem de quem tem de fugir, isto é, protegem a si mesmos, de uma forma, digamos, egoísta, devemos fazer o mesmo. Devemos lutar por nossa sobrevivência, única e exclusivamente. E, no caso do homem, fazer isso é um pouco mais complexo. (Ou não.) Fazer isso resume-se a cuidar do meio-ambiente, pois é a única forma de perpetuarmos a nossa espécie. Em relação a carne, ao meu ver, o melhor a se fazer é comer menos carne vermelha, mais carne branca e mais ainda soja e vegetais em geral.

Isso porque a demanda por carne vermelha exige enormes pastos, que ultimamente estão ocupando o lugar de antigas florestas, e porque os bovinos, sabe-se, ao arrotar e "flatular", emitem metano, gás vinte vezes mais poluente que o carbônico. A demanda por carne branca exige menores espaços, e essa carne faz um bem maior à nossa saúde. E, eu sei, a demanda por soja também destrói florestas, faz-se por monocultura latifundiária, acaba com nossos solos. É o mesmo problema da carne vermelha, mas não há emissão de metano. Muito pelo contrário, se são vegetais, há absorção do gás estufa cê ó dois enquanto elas não forem arrancadas para se transformar em bife, almôndega, leite, manteiga.

Sei que o capitalismo olho-grande vai continuar investindo em carne vermelha, vitela, hambúrgueres e fast-foods ainda por muito tempo. Mas, não é de todo difícil essa gradação de tipos de carne que se deve comer. Eu faço, consigo, e tenho as taxas todas no lugar. Livra-me de um pesinho na consciência. Me dá a certeza de que estou cuidando do meio-ambiente. E de nós.

Talvez, assim, encontremos o ponto de equilíbrio, o desenvolvimento sustentável, e fiquemos em par com todos os outros seres vivos: cuido de mim, tu de ti. E fim de papo.

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008

Ano novo, vida nova.

Agora eu posso dizer isso, mas sem estar vestindo branco nem próxima ao 31 de dezembro. O ano só começa quando você quer, quando seu trabalho, suas obrigações, têm início. E esse ano minhas tarefas são novas, meus objetivos também, meu local de estudo e de onde saio com ambições, também novos. Isso está acontecendo não só comigo, mas com os 45 novos alunos do curso de Psicologia da UFRN, e com todos os calouros dos outros cursos. Todos não, mas boa parte, creio que sim.

A transição é brusca demais. No meu caso, saí da ordem do fardamento completo para o "venha como quiser". A preferência, inclusive, é ir com o mínimo de roupa possível, e quem aconselha isso é o nosso clima ameno e agradável. Pra quem vem de escola católica, nem é tão fácil assimilar, sabe. O ônibus não é mais o mesmo, o caminho também não. O espaço tem muito verde, de algumas janelas se vê um pôr-do-sol lindo, e de quase todas um desenho de dunas que nem parece de verdade. Você vai até o professor, e não o professor vai até você. E eu nem tô falando do momento sala de aula... Também dele. Mas, de fato, você que tem que correr atrás agora, muito mais do que teve de correr enquanto estudava pra mudar sua vida assim... quero dizer, enquanto estudava pra estar onde está.

No mundo novo, todos te chamam de "calouro", e os mais felizes com essa sua nova condição, "calouro burro". Você responde incansáveis vezes por que escolheu aquele curso, o que você espera dele, e vai se aproximando de gente que, muito provavelmente, serão seus melhores amigos nos próximos tempos, e conviverão com você todos os dias. Por anos. Nesse mundo novo, as pessoas são novas, completamente desconhecidas. Rostos que você nunca viu, seres humanos que estão muito próximos de ser o de um profissional excepcional, ou não. Muito próximos mesmo.

E é a proximidade, que por enquanto não assusta ninguém, mas que daqui a pouco fará isso. Porque são "só" cinco anos. Ou quatro ou seis, depende. Se os quinze que vivemos no colégio, passaram correndo, imagine os próximos cinco... Puf. Amanhã já seremos formados, você vai ver que sim.

Pois é, tudo novo nesse ano novo. Mais algum tempo e eu vou estar repetindo isso, com o mesmo caráter literal, só que mais desprotegida, mais "no mundo", mais gente. É isso que a universidade vai fazer comigo, e com qualquer um que entre lá. Te transformar em alguém; te humanizar quando parecia que fazia o contrário; te ensinar a viver quando passava a impressão do inverso também. Vai te puxar pela orelha, dar um tapinha, e te mandar embora. Pro mundo.

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008

Replay.

São os mesmos barulhos. As mesmas "zoadas", como se diz. Um bate-bate de panela e de louça sendo lavada; televisão ligada na Globo (por que escrevo isso com inicial maiúscula?); chamamentos pra lá e pra cá; passos; conversas. A mesma pessoa de sempre passa com o pirex na mão gritando "olha a frente, olha a frente". Que se queime quem realmente não vir a frente. A mesma voz. Tudo igual há 10 ou mais anos atrás.

Também o mesmo macarrão de forno, com o mesmo gosto (deve ter sido esse que veio quente no pirex). O mesmo frango bem cortado comprado naquele restaurante simples lá de perto, junto com o pirão de queijo, a farofa e o vinagrete. Tudo igual. Toalha em cima da mesa, porque jogo americano nunca agradou ao patriarca do recinto. Este que, claro, usa-a como guardanapo (gafe permitida quando se está em casa).

À mesa, as perguntas de sempre: como vai, tudo bem? Mas um como vai, tudo bem? com pretensão de ser uma pergunta mais aprofundada, com a pretensão de sondar por algum problema ou novidade. As histórias rotineiras também fazem parte. Mas são rotinas diferentes. O que antes falava do colégio, agora fala do trabalho ou da formatura na faculdade; aquele que tagarelava sobre o emprego x, mudou para o y; quem trazia relatos da "tia", fala dos novos professores e da expectaviva na universidade. E assim decorre. Há, é claro, os mais antigos (literalmente) que ainda vêm com a mesma prosa de sempre, e um pouco mais de dificuldade para andar, se locomover, respirar até. São esses mesmos que não mais podem comer de tudo. Taí a explicação para a sobremesa - que não veio.

Mudou mas continua igual. Seguiu seu curso. Tem rotina, previsibilidade, nostalgia. É o que sempre acontece em almoço na casa dos avós. Sempre mesmo.

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008

Amando

Amo seu cheiro, sempre aquele ou aquele outro perfumes que você usa. Amo o timbre da sua voz, a forma como você me estende a mão e segura a minha. Suas feições de conversa: o olhar atento, a inclinação do rosto para o lado para ouvir (e demonstrar que está ouvindo) melhor. Amo o sorriso durante o beijo, as declarações acompanhadas de planos para o futuro. O vocabulário "denso" de de vez em quando - conseqüências da profissão que está por vir. Amo suas demonstrações explícitas de carinho, nossos planos, nossa vontade de viver intensamente e por muito tempo, exatamente porque temos um ao outro. Amo você me chamar de 'Vida' na frente de quantas forem as pessoas. Amo que você seja a minha Vida. E amo ser sua (vida) também.

quinta-feira, 31 de janeiro de 2008

Ausente é apelido.

Eu não abandonei o blog! Apesar de ter estado veraneando, eu vim a Natal algumas vezes no mês de janeiro e, sim, poderia muito bem ter postado. Mas acontece que ultimamente não tenho escrevido nada, porque não tenho recebido de alguma entranha minha a devida inspiração ou criatividade. Puf. Não que eu as tenha em grande quantidade.

Já se passou um mês que o ano "virou". Como eu já disse nesse blog, nada 'zera' nem 'vira', apenas continua. E nessa continuação de vida, eu apenas tomei sol, joguei frescobol, corri na pista, dancei forró, dancei axé, ouvi Zeca Baleiro até dizer basta, namorei, me queimei numa caravela, vi lua cheia nascer, desci de sandboard, tomei banho de lagoa, tomei banho de mar, tomei sorvete, comi feito uma porca, levei bronca da família por não dar notícia (1 dia tem telefonar), fiquei melada, fui (somente) a dois churrascos de aprovação, li novelas e contos russos, dormi mal, dormi muito, conheci novas pessoas, almocei com as amigas, me encontrei com meus colegas calouros e meus (aplicadores-de-trote) veteranos, peguei um bronze, ganhei um óculos escuros (ufa!), gripei.

Gripezinha besta. Já estou me recuperando só no transpulmin e mel com própolis.

E aí, quem me conta alguma novidade? Porque eu mesma só tenho essas. A maior de todas, depois da aprovação no vestibular, foi ter me queimado numa caravela.

Depois de Harry Potter (o sétimo volume pra mim foi detestável), li contos e novelas de Tcheckov (presente de Solino), livro muito muito bom (O Beijo E Outras Histórias). Em seguida, Contos Bregas, do Thiago de Góes. Terminando agora de reler O Pequeno Príncipe para entrar em Lítio. Tenho mais dois de Adélia Prado na fila, e aguardo um Gabriel García Marquez como presente tá? (Não sei se o nome dele escreve assim e não tô nem aí.)

O último filme bom que eu vi foi Babel. Jóia! E o último filme de fato foi Opaió, nacional, mas com áudio ruim (piratex). Ah, não, eu tentei assistir a comédia romântica Sorte No Amor mas não deu... cochilei. Esse gênero realmente não me desce.

Amanhã começa o Carnaval, e apesar de eu não gostar dos festejos desse feriado, vou voltar para a praia e comemorá-lo (?!?).

Quem sabe eu volto com vontade de escrever. Tomara.

domingo, 6 de janeiro de 2008

Passou. Passei.

As indagações típicas que atormentavam desde o 29 de dezembro, mais ou menos. Algumas pessoas só tinham isso como tema de conversa, e especializaram em tocar no assunto pelo menos 3 vezes num intervalo médio de 5 minutos. Sorrisos amarelos, muitos sorrisos amarelos. Claro que boa parte dos interlocutores não entendia a classificação de desagradável da pergunta e a faria em mesmo tom descontraído (ou terrorista!) no dia seguinte. Acho massa a compreensão de alguns.

A 6 dias, pá pum, acordo e: caraaaaaaaaaaaalho, é sexta! (Pensei 'feio' assim mesmo, algum problema?) Tava perto, pertíssimo, e pela primeira vez bateu um verdadeiro nervoso e caiu a ficha de verdade também. Tão ruim e tão estranho que isso é, a sensação de suspense e espera foi pior do que todo o ano torturante que se passou.

Véspera e rio de lágrimas. Por mim, não teria visto ninguém, não teria dado um único sorriso ou abraço em conhecidos. Nem nos amigos. Incrível como a necessidade suprema de solidão é concomitante a visitas inesperadas e várias pessoas lhe abordando em todo lugar que você for. Mais irônico que isso não existe.

Enquanto o choro começava a me cansar, adormeci.

Uma sexta-feira que amanheceu com mais sorrisos amarelos, que quase não se mostravam (dentes tímidos por causa de tanto suspense e medo). O choro virou escândalo, e mais uns tremores de desespero sabe. Coisa doentia mesmo. Feia. Novamente, não quero ninguém em casa! Novamente, visitas inesperadas, e até indesejáveis diante das circunstâncias. Esperasse a resposta positiva, pô! Sacanagem. Chorei mais. Aí já foi desespero (para todo mundo).

"Vamos dar uma volta?"
*Balançar de cabeça porque os soluços não davam brecha para a fala*
*15 minutos depois e "EI, VOCÊ PASSOU" com um sorriso.

Só sosseguei quando meu nome apareceu no rodapé da televisão.
Agora sim, farinha, tinta, camisa carimbada e um monte de "parabéns" ao pé do ouvido, ao telefone, aos gritos. Tanto abraço e tanto sorriso (que nada tinha de amarelo agora).

Felicidade. Prazer imenso. E a certeza de que tudo valeu a pena. É uma sensação única, uma felicidade extremamente peculiar, da qual só se experimenta essa vez na vida, e nunca mais.

Quem não entrou na turma 2008.1 ou 2008.2, peço que tentem outra vez. E se Deus quiser só mais essa outra vez mesmo. É algo incomparável, que não se esquece, e que, sei lá, todo mundo deveria experimentar.

Valeu mesmo, bicho.

PSICOLOGIA 2008.1