quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008

Ano novo, vida nova.

Agora eu posso dizer isso, mas sem estar vestindo branco nem próxima ao 31 de dezembro. O ano só começa quando você quer, quando seu trabalho, suas obrigações, têm início. E esse ano minhas tarefas são novas, meus objetivos também, meu local de estudo e de onde saio com ambições, também novos. Isso está acontecendo não só comigo, mas com os 45 novos alunos do curso de Psicologia da UFRN, e com todos os calouros dos outros cursos. Todos não, mas boa parte, creio que sim.

A transição é brusca demais. No meu caso, saí da ordem do fardamento completo para o "venha como quiser". A preferência, inclusive, é ir com o mínimo de roupa possível, e quem aconselha isso é o nosso clima ameno e agradável. Pra quem vem de escola católica, nem é tão fácil assimilar, sabe. O ônibus não é mais o mesmo, o caminho também não. O espaço tem muito verde, de algumas janelas se vê um pôr-do-sol lindo, e de quase todas um desenho de dunas que nem parece de verdade. Você vai até o professor, e não o professor vai até você. E eu nem tô falando do momento sala de aula... Também dele. Mas, de fato, você que tem que correr atrás agora, muito mais do que teve de correr enquanto estudava pra mudar sua vida assim... quero dizer, enquanto estudava pra estar onde está.

No mundo novo, todos te chamam de "calouro", e os mais felizes com essa sua nova condição, "calouro burro". Você responde incansáveis vezes por que escolheu aquele curso, o que você espera dele, e vai se aproximando de gente que, muito provavelmente, serão seus melhores amigos nos próximos tempos, e conviverão com você todos os dias. Por anos. Nesse mundo novo, as pessoas são novas, completamente desconhecidas. Rostos que você nunca viu, seres humanos que estão muito próximos de ser o de um profissional excepcional, ou não. Muito próximos mesmo.

E é a proximidade, que por enquanto não assusta ninguém, mas que daqui a pouco fará isso. Porque são "só" cinco anos. Ou quatro ou seis, depende. Se os quinze que vivemos no colégio, passaram correndo, imagine os próximos cinco... Puf. Amanhã já seremos formados, você vai ver que sim.

Pois é, tudo novo nesse ano novo. Mais algum tempo e eu vou estar repetindo isso, com o mesmo caráter literal, só que mais desprotegida, mais "no mundo", mais gente. É isso que a universidade vai fazer comigo, e com qualquer um que entre lá. Te transformar em alguém; te humanizar quando parecia que fazia o contrário; te ensinar a viver quando passava a impressão do inverso também. Vai te puxar pela orelha, dar um tapinha, e te mandar embora. Pro mundo.

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008

Replay.

São os mesmos barulhos. As mesmas "zoadas", como se diz. Um bate-bate de panela e de louça sendo lavada; televisão ligada na Globo (por que escrevo isso com inicial maiúscula?); chamamentos pra lá e pra cá; passos; conversas. A mesma pessoa de sempre passa com o pirex na mão gritando "olha a frente, olha a frente". Que se queime quem realmente não vir a frente. A mesma voz. Tudo igual há 10 ou mais anos atrás.

Também o mesmo macarrão de forno, com o mesmo gosto (deve ter sido esse que veio quente no pirex). O mesmo frango bem cortado comprado naquele restaurante simples lá de perto, junto com o pirão de queijo, a farofa e o vinagrete. Tudo igual. Toalha em cima da mesa, porque jogo americano nunca agradou ao patriarca do recinto. Este que, claro, usa-a como guardanapo (gafe permitida quando se está em casa).

À mesa, as perguntas de sempre: como vai, tudo bem? Mas um como vai, tudo bem? com pretensão de ser uma pergunta mais aprofundada, com a pretensão de sondar por algum problema ou novidade. As histórias rotineiras também fazem parte. Mas são rotinas diferentes. O que antes falava do colégio, agora fala do trabalho ou da formatura na faculdade; aquele que tagarelava sobre o emprego x, mudou para o y; quem trazia relatos da "tia", fala dos novos professores e da expectaviva na universidade. E assim decorre. Há, é claro, os mais antigos (literalmente) que ainda vêm com a mesma prosa de sempre, e um pouco mais de dificuldade para andar, se locomover, respirar até. São esses mesmos que não mais podem comer de tudo. Taí a explicação para a sobremesa - que não veio.

Mudou mas continua igual. Seguiu seu curso. Tem rotina, previsibilidade, nostalgia. É o que sempre acontece em almoço na casa dos avós. Sempre mesmo.

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008

Amando

Amo seu cheiro, sempre aquele ou aquele outro perfumes que você usa. Amo o timbre da sua voz, a forma como você me estende a mão e segura a minha. Suas feições de conversa: o olhar atento, a inclinação do rosto para o lado para ouvir (e demonstrar que está ouvindo) melhor. Amo o sorriso durante o beijo, as declarações acompanhadas de planos para o futuro. O vocabulário "denso" de de vez em quando - conseqüências da profissão que está por vir. Amo suas demonstrações explícitas de carinho, nossos planos, nossa vontade de viver intensamente e por muito tempo, exatamente porque temos um ao outro. Amo você me chamar de 'Vida' na frente de quantas forem as pessoas. Amo que você seja a minha Vida. E amo ser sua (vida) também.