segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008

Replay.

São os mesmos barulhos. As mesmas "zoadas", como se diz. Um bate-bate de panela e de louça sendo lavada; televisão ligada na Globo (por que escrevo isso com inicial maiúscula?); chamamentos pra lá e pra cá; passos; conversas. A mesma pessoa de sempre passa com o pirex na mão gritando "olha a frente, olha a frente". Que se queime quem realmente não vir a frente. A mesma voz. Tudo igual há 10 ou mais anos atrás.

Também o mesmo macarrão de forno, com o mesmo gosto (deve ter sido esse que veio quente no pirex). O mesmo frango bem cortado comprado naquele restaurante simples lá de perto, junto com o pirão de queijo, a farofa e o vinagrete. Tudo igual. Toalha em cima da mesa, porque jogo americano nunca agradou ao patriarca do recinto. Este que, claro, usa-a como guardanapo (gafe permitida quando se está em casa).

À mesa, as perguntas de sempre: como vai, tudo bem? Mas um como vai, tudo bem? com pretensão de ser uma pergunta mais aprofundada, com a pretensão de sondar por algum problema ou novidade. As histórias rotineiras também fazem parte. Mas são rotinas diferentes. O que antes falava do colégio, agora fala do trabalho ou da formatura na faculdade; aquele que tagarelava sobre o emprego x, mudou para o y; quem trazia relatos da "tia", fala dos novos professores e da expectaviva na universidade. E assim decorre. Há, é claro, os mais antigos (literalmente) que ainda vêm com a mesma prosa de sempre, e um pouco mais de dificuldade para andar, se locomover, respirar até. São esses mesmos que não mais podem comer de tudo. Taí a explicação para a sobremesa - que não veio.

Mudou mas continua igual. Seguiu seu curso. Tem rotina, previsibilidade, nostalgia. É o que sempre acontece em almoço na casa dos avós. Sempre mesmo.

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