segunda-feira, 21 de abril de 2008

Conta aí uma novidade.

E assim tem sido. Notícia vai, notícia vem, Isabella, Alexandre, Anna Carolina (com dois "n" mesmo?), contradição, ódio no coração, mentiras, histórias bem contadas, histórias mal contadas, um absurdo, outro absurdo, polícia, fotografias, manifestações e cartazes, todo mundo pedindo justiça.

O assunto não é outro, sabe-se. Qualquer estrangeiro que esteja há 8 minutos nesse país sabe tanto dessa notícia ao ponto de ser capaz de construir um almanaque sobre isso. Sozinho. Não há descanso da imprensa, nos jornais televisivos, de papel ou virtuais. Não há quem não comente sobre essa atrocidade, e devaneie sobre as possíveis causas para esse crime. Não há quem não tenha discutido isso ainda. Como também não há um simples "táime" nas investigações.

Realmente, assusta qualquer pessoa normal e em sã consciência, um pai jogar a própria filha pela janela. E a madrasta, mãe de dois filhos, ajudar no processo. Não foi dado o veredicto, mas não há outra possibilidade ou versão do caso para o que aconteceu.

Enquanto isso, todo brasileiro cria uma repulsa horrível à essas pessoas, repulsa mais que compreensível, claro. Todo brasileiro está revoltado, surpreso, e incompreende como alguém seja capaz disso. Um bandido? Tudo bem. É crueldade mas tá valendo porque é bandido. Mas um pai? Não, peraí, não é possível. É assim que se pensa.

São 180 milhões de expectadores para esse caso, eu digo. Mas uma coisa é certa. A justiça vai ser feita, não há como não ser. Está mais do que claro e mais do que em caminho andado que a decisão final está próxima, e que não receberá influência dos reais assassinos, porque estão todos estupefatos com isso; todos, sem exceção, querendo reproduzir o que foi feito e prender quem tem culpa numa barbaridade dessas.

Portanto, eu agora só vejo o caso Isabella como um dispositivo para tirar a atenção do brasileiro dos demais problemas recorrentes e antigos (ou até novos) do Brasil. Não tiro a razão de quem está com ódio desse casal, de quem se sensibilizou com o que houve. Eu também estou assim! Eu também não queria acreditar que seria possível uma coisa dessas! Mas ninguém vai deixar barato. Quem está investigando está mostrando fazer um trabalho muito bem feito, e está inspirando confiança.

Há mais de vinte dias pouco se noticia sobre demais crimes e violência nesse país, sobre corrupção e mentiras no Congresso, sobre o planeta, que continua se aquecendo, e perdendo suas geleiras, sobre a fome e a chuva, que, com certeza, devem permanecer matando montes.

Os jornais têm papel importantíssimo nisso. Quando não é Isabella, é futebol para 'aliviar' e distrair (mais ainda). Repito: a justiça será feita! Não há possibilidade de retrocesso, e o que devemos fazer é aguardar. E ir manifestar também contra os demais problemas desse país... Esses, sim, influenciam muito mais na vida de cada um.

sexta-feira, 18 de abril de 2008

Só sol.

Ontem, mentira, antes de ontem, quarta-feira, dia 16 eu acho, véspera do aniversário de Júlio, se tiver sido 16 mesmo, foi a espera pelo 45 mais marcante da minha vida.

A parada de ônibus da Joaquim Manoel, no sentido Petrópolis-Tirol, foi removida há algum tempo sabe-Deus-por-quê e nunca mais a colocaram de volta. Claro que o ponto em si ainda existe, e que 85435787 ônibus passam e param ali todos os dias.

Quarta, como de costume, pouco antes de sair de casa fui à janela pra saber "como estava o tempo". (Eu faço isso pra decidir de vou semi-nua ou completamente nua para a faculdade, dependendo da quantidade de neve que caia em Natal.) Estava ventando de um jeito que não ventava ao meio-dia tanto assim. *Felicidade*

Nesse dia saí do prédio realmente feliz, comecei a sentir o vento, a brisa não-quente, o clima não-abafado, quase ameno, glacial para o normal daqui (e do horário), agradabilíssimo... "Caminhando e cantando" fui até que cheguei à parada e parei (Haha). ¬¬. Dez segundos se passaram e eu senti meu corpo queimar como se eu estivesse na praia, no mês de janeiro, desde 9 horas da manhã e já se aproximando das 3 da tarde. Fui sentindo, lentamente, o sol bronzeando meus pés nas marcas da sandália havaiana, minhas pernas marcadas pela saia, o blush natural que se desenhava no meu rosto. Senti tudo isso em dez longos segundos.

A parada, que não existe mais, se transformou de repente em dois aglomerados de gente, cada um debaixo de uma barraca de confeito. Disputávamos a sombra com sacos de pipos e pipocas Bokus, big big e sete belo, todos com mais prestígio e privilégio que nós. Ninguém tinha uma sombrinha para ser disputada também.

Nenhuma cobertura. Nenhuma árvore. Nada. O câncer de pele estava dando o seu recado através de um sol escaldante, que há muito eu não sentia. Meu protetor fator 30 foi-se embora naqueles 10 segudos. Imagine então a queimadura de segundo grau que foi se formando ao longos dos 20 ou 30 minutos que esperei pelo ônibus.

domingo, 13 de abril de 2008

O papel de cada um.

Quem é, então, o vilão e o mocinho? Há mais de um vilão, mais de um mocinho?! Depende do ponto de vista. Depende de onde se fala, de quem se fala, do que foi ouvido falar. As informações erradas perambulam e as corretas são distorcidas ao máximo. Vamos lá decidir os papéis dos personagens dessa história sem pé nem cabeça.

Quem começou foi quem tem poder. Quem tem coragem também. Que, à frente de todo mundo, fala, se pronuncia, propõe e diz o que acha sem dificuldades. E sem justificar, claro. Quem mais também tiver coragem, que diga, que fale o que pensa, e que decida, praticamente sozinho, o futuro da humanidade. É, o grupo pequeno é a humanidade inteira. Tanta história mal contada assim, só pode se tratar de um bando de pessoas. Só pode.

Decidam-se! Não o destino dos demais. Isso, o grupo corajoso já fez por si só. Decidamos quem é quem nesse drama, nesse início de desastres (uma sucessão deles já se seguiu, e vem mais por aí). Eu não tenho coragem, mas tenho opinião. E você? Igual? Ah, então senta aqui e vamos debater. Pra nada. É, pra nada, só pra haver mais discussão, mais lendas urbanas e conversas aleatórias. Puxemos um assunto com isso, que tal? Acho uma ótima. Mas não levo adiante, não tenho coragem. O que vão pensar, o que vão dizer, já que é isso o que mais se faz nesse lugar? Desespero total. Depois do susto, a fase da raiva, e, por fim, a conformação. Uh, quase uma morte. Parecido com isso.

Ergam os braços da próxima vez! Ergam de verdade! Gritem o que vocês pensam (e percam possíveis amizades ou não). Eu sou hipócrita e mando vocês fazerem isso, mesmo tendo certeza plena de que me calarei por puro medo. Medo de receber o papel errado, claro. Porque, até agora ninguém percebeu, ninguém destinou os devidos papéis, mas o grande vilão da história já se pronunciou faz tempo: é o velho e conhecido disse-me-disse.

terça-feira, 1 de abril de 2008

Desejo simples.

Eu apenas quero uma notícia boa. Umazinha só. Pode ser um amigo que conseguiu estágio, um parente promovido, uma descoberta científica boa pra todos nós (cura da aids, resolução do aquecimento global), uma nota boa em neuroanatomia, algum conhecido passando num concurso, sol nos próximos dias.

Servia também um abraço, um alento, um consolo qualquer. Alguém que diga que a decisão certa é essa, essa e essa, e que posso escolhê-la sem pestanejar. Melhor ainda, alguém que decida (o certo) por mim. Para que não haja escolhas difíceis mais.

Uma família semi-perfeita pode ser. Uma harmonia completa, sabe... Um disse-me-disse de coisas boas, um todo de boas vibrações, um nada de pejorativo. Compreensão total de todas as partes.

Também pode ser um antigo amigo dando as caras, ou alguém que pergunte "como você está?" querendo sinceramente saber.

Telefonema e visita não. Contato íntimo ou direto já não me faria bem.