sábado, 10 de maio de 2008

No cinema.

"Moça, por favor, esse filme "Polaróides Urbanas" é de que gênero?"
"Nacional."
"Sim, mas o quê? Comédia, drama, suspense...?"
(Pega o papel impresso que contém a sinopse de todos os filmes em cartaz...)
"É comédia."

Filme nacional é filme nacional e pronto. Por quê?! Não me venha com a conversa de que se coloca a palavra "nacional" no lugar do gênero para chamar a atenção para o filme, na melhor das intenções, e fazer com que alguns o assistam ("porque é brasileiro! é minha cultura!, meu país!, uhu! Orgulho sempre." Nem todo mundo (puf) é assim.)

Existem aqueles que (ainda) se recusam a assistir filme nacional, por, em sua superior ignorância, generalizarem dizendo que são todos ruins, e existem aqueles que sentem mais vontade ainda de comparecer à sessão exatamente por ser filme nosso. Há pessoas e pessoas, então. Assim como há filmes e filmes. Filme nacional pode ser tão bom quanto filme estrangeiro, então precisa de classificação.

Por que não colocar "nacional / gênero", se a desculpa é 'enaltecer' a pátria amada? Dizer que um filme é "apenas" brasileiro ao mesmo tempo que diz muito, não diz nada. Eu cheguei no cinema a fim de assistir a uma comédia, e no quadro atrás da moça do diálogo acima, não se dizia nada sobre esse filme. Se não fosse o papel impresso, como é que faria?!

Complicado...




P.S.: Não foi a esse filme que assisti, porque a sessão já tinha começado. Faço parte do time que sente mais vontade ainda de ver o filme ao olhar a palavra "nacional". Mas, da próxima vez, gostaria de ver também a palavra que me dá a sua classificação. Logo de cara, assim. Seria bom.

quinta-feira, 8 de maio de 2008

Roberta

Aquele tipo de show que esgota assim logo nos primeiros dias, antes de boa parte da população ter notícia das vendas dos ingressos. Duas sessões. Lotadíssimas. Numa quarta-feira. E que se dane os compromissos do dia seguinte ou da noite em questão. "Ah, se eu vou!".

Chove, relampeja, trovoa, e todo mundo sai de casa mesmo assim. Enorme expectativa, os três costumeiros avisos (faltou o do "desligue os celulares e é proibido fotografar". Talvez esperasse que muitos fotografassem e gravassem em aúdio nos seus aparelhos muito do que ia acontecer ali naquele noite. Ou não.), a cortina se abre. E lá está ela, parece-me até que aplaudindo a si mesma, mas não, seu intuito era mesmo só o de acompanhar a batida da música. Vem num vestido que não é curto nem longo, mas longo e curto, mostrando as pernas sem ser vulgar, dançando da forma mais delicada e sensual possível, tudo ao mesmo tempo. Maquiagem discreta, cabelo simples, tudo isso era de menos se importar, porque ela vinha com muito mais (conteúdo) à mostra. Falando pouco, (en)cantando muito, prossegue.

Cada um que se segure na sua poltrona e resista a enorme vontade de se levantar e sambar, dançar, "mexer com as cadeiras pra cá, mexer com as cadeiras pra lá", mas a noite era dela, e somente ela podia fazer isso. E assim fomos, nos contentando em bater os pés e balançar a cabeça, apenas alternando em movimentos de para frente e para trás, ou para um lado e para o outro. E em aplaudir e bater palmas a cada menção da "maestra".

A banda calou-se enquanto ela pôs o microfone para a platéia. Entoamos "Samba de um Minuto" aparentando passados ensaios, em êxtase. E ela se dividia entre nós e ela mesma, dona do palco.

E a melhor parte, pra mim, depois de "Casa Pré-Fabricada", foi ela ter dito de "como era bom estar em casa", e que aquilo era um "reunião de família". Aí está, mais uma vez, a nossa ignorância em valorizar o que é nosso somente depois de fazer bonito lá fora e de ser aprovado por um público que não seja o daqui. Mas, assim seja. Aliás, assim é.

"Todo santo dia ela ia, ela ia lá me chamar..."