quinta-feira, 8 de maio de 2008

Roberta

Aquele tipo de show que esgota assim logo nos primeiros dias, antes de boa parte da população ter notícia das vendas dos ingressos. Duas sessões. Lotadíssimas. Numa quarta-feira. E que se dane os compromissos do dia seguinte ou da noite em questão. "Ah, se eu vou!".

Chove, relampeja, trovoa, e todo mundo sai de casa mesmo assim. Enorme expectativa, os três costumeiros avisos (faltou o do "desligue os celulares e é proibido fotografar". Talvez esperasse que muitos fotografassem e gravassem em aúdio nos seus aparelhos muito do que ia acontecer ali naquele noite. Ou não.), a cortina se abre. E lá está ela, parece-me até que aplaudindo a si mesma, mas não, seu intuito era mesmo só o de acompanhar a batida da música. Vem num vestido que não é curto nem longo, mas longo e curto, mostrando as pernas sem ser vulgar, dançando da forma mais delicada e sensual possível, tudo ao mesmo tempo. Maquiagem discreta, cabelo simples, tudo isso era de menos se importar, porque ela vinha com muito mais (conteúdo) à mostra. Falando pouco, (en)cantando muito, prossegue.

Cada um que se segure na sua poltrona e resista a enorme vontade de se levantar e sambar, dançar, "mexer com as cadeiras pra cá, mexer com as cadeiras pra lá", mas a noite era dela, e somente ela podia fazer isso. E assim fomos, nos contentando em bater os pés e balançar a cabeça, apenas alternando em movimentos de para frente e para trás, ou para um lado e para o outro. E em aplaudir e bater palmas a cada menção da "maestra".

A banda calou-se enquanto ela pôs o microfone para a platéia. Entoamos "Samba de um Minuto" aparentando passados ensaios, em êxtase. E ela se dividia entre nós e ela mesma, dona do palco.

E a melhor parte, pra mim, depois de "Casa Pré-Fabricada", foi ela ter dito de "como era bom estar em casa", e que aquilo era um "reunião de família". Aí está, mais uma vez, a nossa ignorância em valorizar o que é nosso somente depois de fazer bonito lá fora e de ser aprovado por um público que não seja o daqui. Mas, assim seja. Aliás, assim é.

"Todo santo dia ela ia, ela ia lá me chamar..."

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