sábado, 20 de setembro de 2008

Nem parece Natal.

A arma "disparou sem querer" e o assaltante matou uma mulher. Os bandidos pediram para todos tirarem a roupa; precisavam verificar os sutiãs e as cuecas de todos - ótimos esconderijos para objetos de valor, segundo eles. Três assaltantes a mão armada na parada da UFRN, numa quarta-feira, sete horas da noite. Três. O homem que nasceu para não ter sorte assaltou um policial federal no Bairro Latino; morreu com a arma na mão segundos depois. "Bandido humanizado" entrega que roubou um carro, mas que ia desroubar: tinha uma criança dormindo no banco de trás, e o pai dela era um "filho da puta", segundo o boa-praça da história (quem acha que ele estava com ódio porque os pais irresponsáveis tinham acabado de impedir de ele fazer o roubo da noite, e não somente porque os pais do menino eram filhos-da-puta mesmo levanta a mão!).

Enfim. Dirigir a cem quilômetros por hora completamente embreagado está mais seguro do que andar de ônibus em Natal, seja em que hora do dia for. E o que fazer a curto prazo?, todo mundo se pergunta. Eu, inclusive. Colocar um policial em cada ônibus e em cada parada? (Viiiish.) Seria bacana, não? Eu ia andar por aí cheia de ouros, falando em dois celulares ao mesmo tempo. Ia sim. Mas isso é impossível. Se há recursos, ou não, sei lá. Provavelmente, não, né? Já que 99,8472% do dinheiro brasileiro serve para pagar os modestos salários do pessoal do Congresso Nacional.

De fato, não se vê muito o que fazer. Eu não vejo, perdão. Mas, de início, alterar a iluminação de muitas ruas de zero postes e lua minguante encoberta por nuvens para algo como refletores seria uma boa. Rondas mais freqüentes. Mais policiais circulando à noite, de dia, em horários aleatórios. Um político que preste. Alguma possível forma de comunicação entre o motorista e o terminal, ou entre o motorista e a polícia mesmo, que possa sinalizar que o veículo está perto de receber alguns tiros, mas sem que o bandido perceba isso (um rádio, qualquer coisa que o motorista não precise verbalizar, apenas avisar)... Vamos pensando. Vamos, candidatos, pensando. E enquanto nada disso é feito, vai rezando, bróder. Pede parada, sobe ou desce, e vai rezando...