sábado, 18 de outubro de 2008

Responde-me?

Não é de hoje que eu venho me perguntando o que está acontecendo com o mundo. Nem é de hoje que eu me questiono se o mundo está, realmente, cada vez pior.
Há dez anos atrás, não era comum, digo, freqüente, o que os noticiários anunciam hoje. Filha mata os pais; pai e madrasta jogam uma criança pela janela; namorado mata namorada; namorado seqüestra namorada (e mata também?).
Isso assusta muito e é de se esperar que as pessoas vivam essas notícias, comentem, estudem, se preocupem, e até rezem por aqueles os quais nunca conheceram na vida. Como é de se esperar deixarmos de lado a economia americana/mundial, o meio-ambiente desgastado, os mortos de fome de bem distante e os de bem perto da gente.
Me responde você, então, o que está havendo com o mundo? Onde começamos a errar? Vamos voltar lá e dar uma consertada, por favor. Uma colega acredita não ser bem assim. Ela vota na opção de que hoje temos muito mais informação do que antigamente, e por isso vemos tantas barbaridades assim. Mas ela falava de centenas de anos, eu acho. Eu falo de menos de uma dezena.
Não há natureza humana em fazer morrer um parente seu, uma pessoa integrante da sua vida e da sua história. Não há por quê nem há motivo tão grande assim.

Às vezes eu penso na categoria desse problema e meu medo maior não é o próximo alvo, o qual espero não ser eu. Eu temo mesmo é a desintegração da confiança, da lealdade, da amizade verdadeira e do amor saudável - seja entre quem for. Anseio não haver mais relação sincera, e só existir a partir de agora barreiras intransponíveis entre nós. Temo o fim de valores assim, porque são eles o alicerce da humanidade, sabe. Nem peço perdão pelo clichê.

Porém, o lado oposto da moeda me diz algo bom. Agora, sim, tornou-se claro que bandidagem não tem relação direta com classe social. O favelado ou o trabalhador mata, seqüestra, rebola criança pela janela, atira contra pessoas de bem (sabendo quem elas são!). Mas ainda há uma lombada no meio do caminho: o fato de a maravilhosa imprensa sempre convocar um psicólogo, psiquiatra ou afim para analisar o caso. Um cara trabalhador, sem antecedente criminoso, "que estava passando por uma crise amorosa"*, imagina, é incapaz de cometer uma atrocidade dessas. Um desempregado da comunidade mais pobre desse país, não interessa de onde vem ou como é, muito menos se está passando por crise amorosa ou abstinência sexual, é sempre um filho da mãe porque, bem, o contexto explica.
Maldade não escolhe classe nem cor, muito menos escolaridade ou empregabilidade, e se é problema psíquico ou não, isso eu não posso dizer. Ainda estou no segundo período.

Torço pela recuperação das meninas; pelo sofrimento dele; e pela reflexão conjunta. Torço para que ele não tenha nenhum tipo de problema mental ou desvio de comportamento, para assim reconhecermos que é possível ser normal, (não-pobre, não-burro, trabalhador) e filho da puta ao mesmo tempo.

Desculpe a expressão.


(*) O autor da frase é o comandante do Batalhão de Choque, Coronel Eduardo Felix de Oliveira. [ http://www.estadao.com.br/cidades/not_cid262235,0.htm ]

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