sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

Piada, para descontrair.

Revista ÉPOCA, 26 de janeiro de 2009.

(Manchete: Fabio Faria, deputado e gato
Lead: A trajetória e os desafios de um parlamentar que é um fenômeno político no Rio Grande do Norte e se tornou famoso pelas conquistas amorosas.)*

"Há uma injustiça na fama do deputado federal Fabio Faria. (...) ficou conhecido como o ex-de-Galisteu."

"(...) jeito de bom-moço"

"(...) injustiçado"

"(...) se tornou um fenômeno político no Rio Grande do Norte..."

"(...) deputado federal mais votado de seu Estado [195 mil votos], sem nunca ter ocupado um cargo eletivo."

"(...) jovem, (...) partido pequeno, beleza."

"No interior, é tratado como pop star." "(...) autógrafo e fotos (...)"

"(...) fazer do Fabio o deputado federal mais votado do Estado foi uma demonstração de força de Robinson (...)"

"(...) pequeno empresário." Lanchonete; comércio de camarão; Atlética Club.

"(...) camarote mais disputado do carnaval fora de época de Natal."

"(...) sócio de Marcos Buaiz (...) e empresário de entretenimento do eixo Rio-São Paulo."

"(...) com seu terno italiano.."

"(...) suas principais bandeiras: levar os jogos da Copa de 2014 para Natal e rever as regras do Ecad, o órgão que arrecada direitos autorais de shows e festas. O deputado ainda não conseguiu aprovar nenhum projeto de lei, mas aposta em um: o que isenta os CDs de música de cobrança de impostos como forma de combater a pirataria."

Olha aí! Nossos principais interesses na Câmara!

As informações supracitadas não merecem um outro comentário.

*E isso foi realmente apenas um parênteses.

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

Até onde deficiente?

Dia desses fui ao banco. Não no caixa rápido, mas na agência mesmo, onde fiquei esperando sentada pelo meu atendimento. Cheguei e só tinham três ou quatro pessoas na minha frente. Quinze minutos depois, eis que surge um atendimento preferencial. Até aí tudo bem. Ele está aí pra isso, para deixar os 'normais' aguardando mais um pouco. Mas a preferência, a qual deve ser dada a um idoso, gestante, ser humano com criança de colo ou a um portador de necessidades especiais, foi dada a uma mulher jovem, saudável, que tinha engessado um pé (na verdade, colocado uma daquelas botas azuis marinhos bonitinhas que dá até vontade de usar de vez em quando) e se sustentava sobre muletas compridas. Sabe, ela estava aparentemente bem. Sorria, brincava com uma criança, conversava com ela. Não mostrava dificuldades ao andar, não parecia necessariamente estar em desvantagem (apesar da sua efêmera e não convencional condição). Você, se bom senso tiver, faria uso do atendimento preferencial?

Então uma colega minha fez uma cirurgia no joelho. Rompeu ligamento. Ou foi algo no menisco, minisco, silício, sei lá. Mas aquelas coisas de joelho as quais quando você ouve o faz pensar que algo se esticou até torar, ou que vai torar a qualquer momento se estirar mais um pouco. É a sensação que eu tenho, desculpe. E agora ela está com uns esparadrapos na região, porta uma moleta das curtas (se apóia sobre o punho; não incomoda a axila), e precisa tomar cuidado ao sentar, levantar, se abaixar para apanhar a tarraxa que caiu, enfim. Mas seu aspecto também é saudável, alegre, jovial. Ela não reclamou de dores enquanto estava comigo. Não mostrava sofrimento, depressão, tendência suicida. E comentou: estava usando as vagas de deficientes dos shoppings e supermercados.

Parece radicalismo meu. Eu não estou no corpo dessas pessoas nem sei como está sendo ter muletas debaixo do sovaco ou o joelho prestes a se esfarelar. Talvez elas se sintam muitíssimo prejudicadas diante dos obstáculos da sociedade (?!). Mas, no lugar delas, você, com bom senso (mais uma vez), não sente vontade de pensar no idoso de bengala enfraquecido? Ou no cadeirante, que realmente passa por dificuldades para estacionar, descer do carro e dirigir-se às lojas? Não pensa na gestante com as pernas inchadas e as costas latejando de dor? Ou é melhor pensar no seu mísero sofrimento e utilizá-lo da melhor forma possível? Você pode ser esperto. Deixando de ser humano também.

Para mim, não se passa de exagero. Acredito que as vagas para portadores de necessidades especiais são para portadores de necessidades especiais. Necessidades permanentes. Limites físicos eternos, que façam de você imperfeito por toda vida - e não por um mês ou mais. Se lhe faltar um braço, vai também querer passar na frente na fila do banco? Mas está doendo em você esperar? Onde? Se torcer o pé, o caixa preferencial do supermercado é seu? Peraí, aquela fila curta ali não serve? Deixa o velhinho passar. Ele, sim, se não estiver disposto nem saudável, merece "passar na frente". Você não, esperto. Você não.

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

A gente é muito otário né, bicho?

Eu acho. Uma vez, conversava com uma amiga minha, a qual estava prestes a fazer vestibular para Direito. O primeiro. Eu perguntando "por que queres Direito, hein?" (essa pergunta eu fazia constantemente; nunca consegui enxergar o que há de atrativo nesse campo), e ela: ah, eu vou fazer Direito porque eu quero terminar o curso, fazer um concurso, passar e pronto.

Ah, é. Ela vai fazer Direito porque, aparentemente, é uma forma fácil e sem rodeios de atingir uma boa vida. Boa vida: dinheiro. Claro, claro, ela tá certa. Mas, peraí, e o romantismo de "fazer o que eu quero; cursar a faculdade dos meus sonhos; amar o próprio trabalho"? Tem coisa mais bonita do que amar o ofício? Acordar feliz na segunda-feira? Na terça, quarta, quinta e sexta? Eu sei que o cansaço bate e às vezes tudo enche; mas vamos colocar o romantismo em voga.

Eu não consigo me imaginar fazendo uma escolha assim. Eu não consigo conceber uma escolha assim. Pensando dessa forma, esse alguém está sacrificando anos da sua vida! Sério. Vamos exagerar, porque vale. Como assim você não pensa na satisfação do seu trabalho, mas apenas nas roupas de marca, no carro do ano e na casa mais bonita da cidade? Isso é muito pouco, bicho. E é por isso que eu digo que a gente é otário.

Eu não suportaria acordar numa casa de mil metros quadrados, vestir boas grifes, dirigir pela cidade no Honda Civic top de linha, se o meu destino depois dessa rotina era um trabalho maçante, chato, que eu não escolhi pra mim; o qual eu apenas fui parar ali porque passei em uma prova. A busca da felicidade parou bem na superfície assim...

E eu faço parte desse clube! (Por isso falo mal dele com tanta propriedade). Eu não faço Direito, muito menos almejo para o meu futuro salas de cursinhos preparatórios (já bastaram os do pré-vestibular). Mas escolhi minha faculdade por status profissional, e porque me proporciona uma segurança financeira maior se comparada à dos meus (antigos?) sonhos. Gosto muito do que estudo, e acredito que amarei minha profissão; mas duvido um pouco se gosto de estudar muito mais isso do que o sonho antigo, e duvido um pouco mais se serei mais realizada no que estou traçando agora do que seria no que eu gostaria de ter começado a traçar.

A Psicologia é apaixonante, acreditem. Não me arrependo de ter entrado nela, mas me arrependo da forma como decidi seguir esse caminho. Nunca vou saber se foi o correto - não terei duas vidas para isso. Talvez eu me arrependa de ter sido racional demais e de não ter sido nem um pouco passional. Talvez eu mude. Desista. Comece tudo de novo. Talvez não tenha coragem para isso. Fazer parte desse clube, eu te garanto, não é nada bom. E ter certeza de ser um integrante, garanto mais, é pior ainda...

Pense. Ame. Aja. Aliás, ame, pense, aja. Aquela ordem primeira, só para o clube, só para o clube...!

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

Cada um na sua

Somos diferentes mas somos um só, meu bem. E a mim nem interessa se o que está nos teus pés vale quatrocentos ou 29 reais. Pouco me importa os defeitinhos, aquela "boça" de homem bonito - em tu eu até gosto, as conversas repetitivas, a falta de memória, aliás (a culpada da repetição, eu entendo). Eu entendo tudo. Eu entendo bem. Mais que isso! Compreendo-te. E te abraço com todo esse meu entender e compreender.

Eu me acho, né? Eu sei. Eu acho que eu entendo tudo, puf. Que sou a compreensiva da história. A flexível do momento. Top de linha em paciência, espécie em extinção para o romantismo. Sou e não sou nada disso. Eu detesto entender algumas coisas. Pior ainda, compreender algumas coisas (essas mesmas aí). Não recebo bem as críticas. Quero me revoltar. Quero ser diferente, sei lá por quê. Eu já sou, sei que sim! Me tremo de impaciência, às vezes. E, ah, não sou fria, mas também não sou carente de amores.

Você pode grudar em mim, se quiser. Não acredito que estou dizendo isso! Não me reconheço. Mas, sim, você pode. Outra pessoa, nunca. Mudei com você. A personalidade é a mesma; certas coisas, não mudo. Vou continuar dando chilique a cada "não ligo para o meio-ambiente" dos outros; vou continuar não consumindo muita carne vermelha e dizendo não aos refrigerantes. Não sei até quando, mas vou. Meus amigos serão os que eu quiser que sejam. Será tudo assim. Algumas coisas, permanentes. Outras mudando, tudo bem?

Olha, hoje em dia já adoro comédias românticas! Até penso num salto alto de vez em quando. Relaxo mais nas frituras e nos doces. Prendo um palavrão. Solto um pum. Ops.

E cá estamos nós. Eu cedi. Tu cedeu. Andamos um bocado, hein? Daqui não saio mais. Tu também não. Mas continuo sendo eu, mesmo um pouco diferente, e tal sentença também vale para ti. Foi bom pra você? Continuará a ser. Somos diferentes, mas somos um só. (E cabe por aqui a ambigüidade...).


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Ei! Eu gosto do trema! Não quero que ele se vá!