segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

A gente é muito otário né, bicho?

Eu acho. Uma vez, conversava com uma amiga minha, a qual estava prestes a fazer vestibular para Direito. O primeiro. Eu perguntando "por que queres Direito, hein?" (essa pergunta eu fazia constantemente; nunca consegui enxergar o que há de atrativo nesse campo), e ela: ah, eu vou fazer Direito porque eu quero terminar o curso, fazer um concurso, passar e pronto.

Ah, é. Ela vai fazer Direito porque, aparentemente, é uma forma fácil e sem rodeios de atingir uma boa vida. Boa vida: dinheiro. Claro, claro, ela tá certa. Mas, peraí, e o romantismo de "fazer o que eu quero; cursar a faculdade dos meus sonhos; amar o próprio trabalho"? Tem coisa mais bonita do que amar o ofício? Acordar feliz na segunda-feira? Na terça, quarta, quinta e sexta? Eu sei que o cansaço bate e às vezes tudo enche; mas vamos colocar o romantismo em voga.

Eu não consigo me imaginar fazendo uma escolha assim. Eu não consigo conceber uma escolha assim. Pensando dessa forma, esse alguém está sacrificando anos da sua vida! Sério. Vamos exagerar, porque vale. Como assim você não pensa na satisfação do seu trabalho, mas apenas nas roupas de marca, no carro do ano e na casa mais bonita da cidade? Isso é muito pouco, bicho. E é por isso que eu digo que a gente é otário.

Eu não suportaria acordar numa casa de mil metros quadrados, vestir boas grifes, dirigir pela cidade no Honda Civic top de linha, se o meu destino depois dessa rotina era um trabalho maçante, chato, que eu não escolhi pra mim; o qual eu apenas fui parar ali porque passei em uma prova. A busca da felicidade parou bem na superfície assim...

E eu faço parte desse clube! (Por isso falo mal dele com tanta propriedade). Eu não faço Direito, muito menos almejo para o meu futuro salas de cursinhos preparatórios (já bastaram os do pré-vestibular). Mas escolhi minha faculdade por status profissional, e porque me proporciona uma segurança financeira maior se comparada à dos meus (antigos?) sonhos. Gosto muito do que estudo, e acredito que amarei minha profissão; mas duvido um pouco se gosto de estudar muito mais isso do que o sonho antigo, e duvido um pouco mais se serei mais realizada no que estou traçando agora do que seria no que eu gostaria de ter começado a traçar.

A Psicologia é apaixonante, acreditem. Não me arrependo de ter entrado nela, mas me arrependo da forma como decidi seguir esse caminho. Nunca vou saber se foi o correto - não terei duas vidas para isso. Talvez eu me arrependa de ter sido racional demais e de não ter sido nem um pouco passional. Talvez eu mude. Desista. Comece tudo de novo. Talvez não tenha coragem para isso. Fazer parte desse clube, eu te garanto, não é nada bom. E ter certeza de ser um integrante, garanto mais, é pior ainda...

Pense. Ame. Aja. Aliás, ame, pense, aja. Aquela ordem primeira, só para o clube, só para o clube...!

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