quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Quarta-feira de cinzas abençoada.

Foi só chegar e sentir o mormaço, o calor, a quentura, os 44ºC que nem cerveja gelada e banho de bica dessem jeito. Foi só chover, receber de presente maizena, farinha de trigo, e até graxa no alvo do decote. E ainda se virar com a roupa e os chinelos que fediam cada dia mais.
Foi só o elevador quebrar e ser preciso subir 7 andares à pé. Um rapel teria sido mais fácil aí então. Foi só mesmo faltar água, todos os dias, várias vezes por dia, para permanecermos no calor insuportável com nossos pijamas e lençóis úmidos por causa do clima seridoense enquanto rezávamos por água, limpa e gelada, descendo chuveiro abaixo. Foi só beber demais e ser bom. Beber demais e não ser tão bom. Beber de menos e ser pior ainda. Passar 6 dias à base de xis tudo e filé à parmegiana, porque só havia mesmo essas duas opções.

Depois de um Carnaval em Caicó, você volta para casa dando mais valor às coisas simples. Beber água, tomar banho, fazer pelo menos três refeições por dia e dormir em um quarto com menos de 6 pessoas e que contenha, além de uma cama, um chão limpo e um cheiro bom. Até os eletrodomésticos e os móveis da casa ganham uma cor diferente, um apreço especial. E as necessidades fisiológicas fluem com maior facilidade. O silêncio, então, é a melhor parte. E a ausência do "Rebolation" e do "E não importa o que vão dizer, eu quero só você", nem se fala.

Mas, olha, foi bom. Valeu a pena.

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Os desafios da tensão...

pré-menstrual.

Não entendo por quê, mas essa moça de nome TPM só começou a vir me visitar mensalmente depois que eu passei dos 18. Dos 12 aos 14, eu não tinha as cólicas nem as tpm's. Mas em compensação eu também não tinha calendário menstrual: apenas um caos institucionalizado. Dos 14 aos 18, conheci as cólicas, e depois as dores nas costas imobilizantes. E, desde então, o pacote completo com a tensão do que está prestes a acontecer.

Não precisa correr, tá? Eu não começo a morder as pessoas, nem bato a cabeça na parede por causa de um ódio inexplicável. Eu simplesmente... choro o tempo inteiro! Tudo começou na sexta-feira de manhã, quando na sessão de tortura conhecida como Depilação Completa, a mulher de mãos de aço me desafiou dizendo que o que eu tinha até então denominado "pêlo encravado" seria um furúnculo. Primeiro: essa é a pior palavra já dita e inventada no nosso vocabulário. Segundo: eu morro de nojo de furúnculos - e olhe que eu nunca tinha visto um! Por que uma coisa tão nojenta precisa de um nome à altura? Até "gonorréia" fica bonito perto disso. E por que logo EU, às vésperas da minha menstruação, tinha que ter um furúnculo?

Depois que a depilação ficou mais dolorida por causa da má notícia, voltei para casa e no caminho passei em uma loja de sapatos em liquidação. Prato cheio para "aqueles dias", hein? Se não fosse o meu cartão de crédito que NÃO PASSAVA!, prato cheio sim. Por que logo COMIGO, às vésperas da menstruação, tinha que acontecer isso? O cartão salvador da minha mãe estava na carteira, e então eu passei como se fosse meu.

À tarde: dermatologista. Diagnóstico: furúnculo, viu, minha filha... Ele falou isso como quem diz que o termômetro está marcando 31ºC e eu, com os olhos cheios de lágrimas, quase abri um berreiro no consultório. Mas ele me garantiu: antes do Carnaval, você vai estar 100%. Vou mesmo, se esse desespero tpminal terminar antes.

Parti de lá para o banco pagar as contas da minha mãe, com o minguado dinheiro após o rombo do sapato do mesmo dia de manhã. Ai, Deus. Acho que no Banco do Brasil da Afonso Pena existem uns 15 caixas eletrônicos. E havia uma fila considerável quando eu cheguei e enquanto eu permaneci no caixa fazendo os pagamentos. Mas esse não foi o problema! Dentre todas as pessoas que estavam, simultaneamente, usando os caixas para fazer pagamentos e outras operações, e dentre todas as outras que estavam na fila esperando a sua vez, repentinamente me surge uma mulher, em cima do meu cangote, perguntando com a mesma naturalidade do dermatologista quando me disse do furúnculo, só que em uma voz aguda e pouco polida:

- Tu sabe fazer pagamento, é?
(...)
- Eu não sei não. Eu queria saber. Eu não sei como é que faz, e à essa hora já fechou tudo...


E, mantendo a naturalidade, até porque isso é muito normal, fungar o cangote de um desconhecido enquanto ele utiliza o caixa eletrônico para fazer seus pagamentos pessoais, ela continuou do meu lado me observando. Por que logo EM MIM, às vésperas da minha menstruação, que ela vem se escorar? Claro que eu interrompi os pagamentos pela metade, não saquei o dinheiro que ia sacar, arranquei o cartão da boca do caixa eletrônico e fui embora. Entendam: ela podia estar querendo me assaltar ou me sequestrar ao invés de apenas querer aprender a pagar contas. Tinha um cara "posso te ajudar?" quando eu estava na fila. EU VI ESSE CARA! Ele era bem bonito até... Mas enfim. Ela podia me atacar quando eu fosse embora do banco, ou decorar minha senha, ou arrancar o cartão da minha mão e me fazer de refém dentro de um grande assalto àquele banco. Tudo isso passou pela minha cabeça, e eu precisava vir para casa e não sair nunca mais, porque a minha TPM me dizia o tempo todo para eu fazer isso.

E então, de sexta à domingo, me dediquei à arte de não fazer nada, não sair, e, principalmente, não encontrar pessoas. E usei todo esse tempo para chorar sem motivos, ter uma insônia doentia, cuidar da e uma raiva do mundo que se transformava ora em desespero, ora em depressão profunda.

Mês que vem tem mais.