sábado, 27 de março de 2010

Teus olhos meus.

Ao dormir fecho os olhos, e os olhos que vejo são os seus. Aquela claridade verde, azul, verde e azul dependendo do brilho do sol, a limpidez cotidiana, e a luz própria que emanava dos dois. A sensação de paz que tu me passava ao me olhar com eles, ao beijar minha mão e olhar nos meus olhos logo em seguida, ao sorrir e me chamar de boneca, com o mais sincero dos amores.

Sinto falta de deitar do seu lado e cochilar enquanto você cochilava. De te acordar depois, dar um sorriso, fazer uma careta e ver aqueles olhos rasos de lágrimas felizes dizendo "olá". E dizendo, meio sem querer e meio de propósito-com-vergonha-de-dizer que tinha sentido minha falta nas últimas vinte e quatro horas.

Não vou me esquecer deles nunca. Não vou me esquecer de tê-los visto numa quarta-feira à tarde, suplicando de saudades que não se sabia se seriam eternas então. Não vou me esquecer deles dizendo "não vá, não sei até quando esse verde do meu rosto vai existir assim". Do meu tchau sincero, do seu tchau saudoso de "até amanhã", da esperança e da certeza boas. E no outro dia você se foi...

Saudades, vô.

quinta-feira, 18 de março de 2010

Argh

Não, não, não. Mentira que eu vou me levantar agora pra assistir a porra da aula de Psicofarmacologia na porra daquele CB dentro da porra da universidade às 09 horas da manhã. E ainda preciso me levantar às 06h pra conseguir levantar pelo menos dois quilos de peso ali na academia, voltar pra casa e seguir pra essa aula infeliz. Eu sei que não vai servir de nada. Eu sei que eu não vou entender nada mais uma vez. Eu sei que depois do "bom dia" tudo será névoa na minha frente, e será mais uma manhã em vão.

Parti com dor de cabeça, sentindo ódio nas entranhas por saber que não vou poder voltar em casa tomar banho e almoçar entre as aulas da manhã e as aulas da tarde, e que, consequentemente, vou ter que me anular um dia inteiro dentro daquela universidade de clima agradável, de pessoas bonitas e de ausência felina.

Nenhuma surpresa. Aula infeliz. Pessoas infelizes. Professores infelizes. Eu infeliz porque à medida que o tempo passava, o meu conhecimento ia de 0 a -2 e a dor de cabeça só piorava. Mais e mais. Tive que rumar para um almoço sozinha com a vida, onde duas pessoas desconhecidas pedem para sentar-se comigo (normal, em se tratando do enorme restaurante do Centro de Convivência), e onde eu passo mais tempo mastigando o suco do que o feijão por causa das dezoito colheradas de açúcar que o pessoal da cozinha colocou no meu copo.

Aula de uma da tarde. Serão quatro aulas seguidas só com apresentação de seminários. Então você caminha para a sala sabendo que a tarde será bem em vão e que o máximo de atividade intelectual que você conseguirá ter será se conversar com o colega do lado sobre... Enfim, você não terá atividade intelectual nenhuma durante a apresentação de dez seminários que tratem de infância e adolescência. Esqueça.

Isso tudo pra depois vir mais duas aulas de estatística onde, claro, será pior que a situação psicofarmacológica da manhã. Onde, claro, eu também só entendo o "boa tarde" e nada mais que a professora diga. Ai, saudade da trigonometria...

Fui salva por uma carona que precisou sair aos quinze minutos da aula, pra quando eu estar em cima da minha casa descobrir que estava sem a chave! Claro que, para um dia como esses, não tinha ninguém em casa fora Hanna, minha cocker spaniel da terceira idade. Ainda consegui um café e uma fatia de bolo enquanto a dona das chaves não chegava em casa para me salvar do dia meio-terrível. E aí chegar em casa e descobrir a internet sem funcionar, enfiar o cabo de rede em um buraco um pouco maior do que ele, chorar ao telefone com a telefonista do suporte tentando me instruir em alguma coisa, cortar o polegar, conseguir tirar o cabo de volta, pra depois descobrir que a internet voltou "sozinha". E então, com cinco minutos em frente ao computador, e já de banho tomado e vestindo meu pijama da noite (porque eu tenho outros para o dia, sabe? Uso um de dia, outro de noite...), ponho a mão na cabeça assim e ME SAI UM PERCEVEJO ENTRE MEUS DEDOS.

Puta que pariu, que chegue logo a meia-noite.

quinta-feira, 11 de março de 2010

Coisas de UFRN.

A gente tá lá, alocado no bloco F do setor II. Do lado do famoso cajueiro, da famosa xerox, próximo ao famoso banheiro do estabelecimento.

A gente tava lá, né. Aula na F3, 40 pessoas para três ventiladores de teto, janelas basculantes, sala bem próxima do cajueiro, e bem próxima do banheiro (que vem depois da F5). Você vai caminhando pra sala de aula, e já na segunda porta do corredor, segura a lombra!, pode ser que você não alcance o final do bloco apenas com o cheiro e a visão esfumaçada que te apresenta.

Do nosso lado esquerdo, no início das duas últimas aulas da tarde, começaram três. Três rapazes, assim, daqueles do mundo-alternativo-sabe-lá-de-onde-e-se-existe, de boa jogando sua peteca. Depois já eram cinco. E aí oito. E aí uns dez. Sem cerimônias, alguns tatuados e sem camisas, calçando suas chinelas, e achando muito saudável e natural jogar uma petequinha no intervalo de quem dá uma bola, por que não. A favor, voto a favor.

O jogo emocionante, a aula de estatística acontecendo, as pessoas entrando para a fila da xerox, e parecia que não havia nada mais divertido. Daí que alguém rebola a peteca para cima da xerox. E AGORA? Acabou-se o mundo. Como nada mais natural que possa existir, um cara pegou uma carteira da sala de aula, outro cara foi pra cima da carteira, mais uns três caras agarraram as pernas da carteira, e aí o cara que tinha ido em cima da carteira subiu para o teto da xerox. Pegou a peteca. Jogou a peteca para baixo, a turma de psicologia aplaudiu. Depois, os três caras que agarravam a carteira, ergueram a carteira de novo, o cara que tinha jogado a peteca de volta pôs os pés em cima da carteira, os três caras desceram ele outra vez, no braço, a turma de psicologia que assistia aula sobre como manusear o SPSS aplaudiu de novo. E a peteca voltou pro ar outra vez.

segunda-feira, 8 de março de 2010

Dia da mulher o que, omi.

Cheguei hoje de manhã na academia né, com aquela preguiça costumal e aquela vontade de chegar logo a melhor parte do treino (o término). Mal entro e lá vem a dona da academia, em trajes não-típicos de donas de academias (jeans mais justo impossível, salto agulho e ouro, muito ouro): "parabéns!, meus parabéns! Parabéns pelo seu dia!"

Aaah, sim. Era Dia Internacional da Mulher. Se ela não tivesse dado os parabéns para a outra senhora que estava do meu lado, com a mesma falsidade com que fez comigo, eu não teria me lembrado. Me diga aí, você se não for machista, faz sentido pra você toda essa comemoração?

A gente faz filhos, beleza. A gente toma de conta deles. A gente é foda. Tudo certo. Mas, você (se for mulher), não se irrita quando fica todo mundo te dando os parabéns dia 08 de março só porque você nasceu mulher? Pra mim não faz o menor sentido. Já existe o Dia das Mães (e quando eu for mãe, vou merecer os parabéns nesse dia); já existe nossos respectivos aniversários... A depilação não sai de graça nesse dia, o salão de beleza e a manicure não ficam mais baratos, e as lojas de sapatos nem ensaiam liquidação. Qual o propósito, então? Além de tudo isso, nem é feriado, nem os nossos cabelos amanhecem todos felizes conosco, muito menos a TPM ou a menstruação deixam de aparecer. Tudo igual. Tudo normal.

E eu reclamaria mais se a noite não tivesse terminado com um show de Roberta Sá, de grátis, em plena Praça das Flores. Por favor, se o impossível for possível, não deixem de me avisar no dia que essa mulher(!) deixar de ser ótima...