sexta-feira, 23 de abril de 2010

Conversa de cantina.

Ela:
- Na minha primeira vez doeu muuuito. Saiu lágrima dos meus olhos. Eu não chorei, assim... Mas saíram as lágrimas só por causa da dor, sabe? Eu sentia a dor e a lágrima escorria...

Ele:
- Caramba, sério?

Ela:
- Foi, mas foi só na primeira vez. Hoje já acostumou...


O assunto era depilação com cera quente.

domingo, 18 de abril de 2010

Ei, veio errado...

Quando foi decidida (ou não) a minha concepção, um espermatozóide de lá teve que se encontrar com um óvulo de cá para então formar alguma coisa. De lá, tinha que trazer o X ou o Y, pra dizer se eu seria menine ou menine, sabe? Se fosse outro X, seria moça, tipo Beatriz agora; se fosse um Y, aí seria um rapaz, né, tipo nãoseiquenomeeuteriasetivessesidomenino. Veio o X. Mas, bicho, veio por engano. Ou pelo menos, veio um X meio enganado.

Eu tenho várias teorias para explicar a pessoa que eu sou como eu sou hoje. Uma delas é esse espermatozóide que é duvidoso ou que está em dúvida. A outra é que fui homem em todas as minhas vidas passadas. E a última... nem sei. Minha mãe tomou litros de testosterona durante a gravidez. E colocou mais litros ainda na minha mamadeira.

Olha, eu não tenho praticamente nenhuma habilidade tipicamente feminina que eu encontro nas minhas amigas. Eu não sei me maquiar. Fazer um traço preto na pálpebra do meu olho, meu Deus!, é tão difícil quanto foi tirar aquele 10,0 em trigonometria no segundo grau. Esse jogo de cores que as meninas usam para as sombras, e essa história de a base ser um "tom acima", "um tom abaixo", "um tom em qualquer outro lugar"... Não sei. Não faço. Minha mão é tão pesada que eu devia era me maquiar com carvão toda vida. E aí o resultado seria o mesmo de usar um lápis para olhos.

Não sei cozinhar. Não tenho a menor habilidade, não consigo, não "me viro sozinha mesmo sem saber de nada". Não sei costurar. De novo: minha mão é muito pesada, não dá. Eu me furaria em dez segundos mais o que Cristiane F. se furou em dez anos.

O salto alto é um desafio pra mim. Eu sempre acho que vou tropeçar. Que vou enfiar o salto dentro de um buraco, e quando levantar a perna vai vir só a sandália sem o alto embaixo; que vou escorregar nos pisos de granito que existem no shopping; que a probabilidade de o salto quebrar e eu cair por cima das minhas próprias pernas é imensa.

Detesto uma roupa apertada, principalmente calça jeans. Juro, acredite, eu não gosto de calça jeans. Depois de mim, a única pessoa que eu conheci que também não gostava dessa maldita foi ninguém. E mulheres adoram calças jeans espremendo sua bunda, coxas e pernas. Eca.

Se deixar, eu uso gírias sem parar, falo palavrões de verdade, converso sobre qualquer assunto sem o menor constrangimento (e vocês entendem o que eu quero dizer com isso), e teria praticamente apenas amigos homens.

Digo que uma mulher é "gostosa" quando ela de fato o é, mesmo que eu não sinta nenhuma atração pelo sexo feminino. (E aí, no caso, se eu tivesse nascido com o cromosso Y no lugar do segundo cromossomo X, eu seria um "cara homossexual". Mas seria um "cara" mesmo.) Detesto discutir relação; passo mal quando essa necessidade aparece e o assunto surge. E tenho um cromossomo X tão Y que minha própria genética favorece um corpo masculino. Três meses de musculação moderada, e eu sou capaz de ter os ombros do Michael Phelps. Verdade, "bróder".

E além de tudo isso, meu pensamento é permeado por um machismo intenso. Eu acho mesmo que mulher dirige mal, que não deve falar palavrão nem usar gírias à vontade; não pode beber demais, não pode chamar a atenção. Tem que ser pudica. Tem que ser discreta. Não pode praticar "esportes masculinos". E, sim, o homem tem uns direitos a mais do que nós. Desculpa, mas eu acho.

Inclusive, é esse mesmo machismo que me permite achar que esses cromossomos estão no lugar certo. Bati um carro em uma ré desproposital semana passada; nunca consegui fazer uma baliza; tenho dificuldade de conduzir até o carrinho de supermercado na garagem por falta de noção de espaço; combino minhas unhas cor de rosa com as ligas do aparelho inferior, cor de rosa também; isso sem falar no romantismo/ausênciaderealismo que circundam sempre minha cabeça e meu coração. (Oh, viram? Fofo. #))

Pronto. Começo a diluir minha crise existencial.

terça-feira, 13 de abril de 2010

Semana light.

Uma prova na segunda-feira; uma prova de estatística na terça-feira; seminário quarta-feira de manhã e trabalho para quarta à tarde; prova de psicofarmacologia na quinta-feira de manhã; trabalho para sexta-feira. Visitas freqüentes à UTI desde a ligação da segunda de madrugada; animal de estimação com cegueira e com a doença do carrapato desde então.

Hoje foi segunda-feira e as olheiras já estão no queixo. A acne povoou o que um dia já foi um rosto, e perdi metade do volume do meu cabelo na primeira escovada da manhã.

Assim tá bom assim.

segunda-feira, 5 de abril de 2010

Conversa em parada de ônibus.

Quarta-feira, 31 de março, eu na solidão da espera do 45. A conversa por trás dos meus ombros era sobre "nossa" prefeita, e sua última aberração administrativa. Mas eu não consegui captar a conversa inteira, porque devia estar pensando como seria bom se eu já estivesse em casa descansando de camisola em cima da minha cama há trinta minutos já passados.

Sei que tangia o meio-ambiente, e havia indignação.

Daí a menina:
- Pois é, isso porque ela é do Partido Verde!....
E o cara:
- PartiNdo o Verde, você quer dizer, né?...


Hahaha. Desculpa, mas eu achei muito bom.