terça-feira, 18 de maio de 2010

Tudo história

Até parece que de muito adianta essa história de te apagar daqui. Do celular, do computador, das fotos do mural, do livro dado com dedicatória e de todo o mais. Até parece que banir tudo isso vai surtir efeito. A memória tá aqui oh. As lembranças todas, inteiras, de todos os dias, momentos, em suas linhas e entrelinhas, tudo comigo. Não existe um dia sem você com isso tudo que me lembro. Não existe uma noite sem sonho nosso, porque todo mundo na minha cabeça se organiza e traz você pra mim. Apesar de você ter ido de mim, assim, com fim. Pois é. Apaguei tudo mesmo. Joguei fora as cartas com tua letra garranchuda. Rasguei as fotos em quatro partes. Também dei aquele vestido de flores que tu me deu dizendo que era a minha cara. Nem era. E dei. Dei mesmo. Mas daí de que adianta se eu ainda vejo, bem na minha frente, o seu rosto me presenteando aquele dia? Se eu vejo seus olhos me olhando enquanto a gente se beijava. Se eu escuto sua gargalhada. Se eu ouço você chamando meu nome, sua voz rouca de bom dia, acompanhada daquele sorriso preguiçoso, que só você tinha. Que só você tem...

Eu não me esforço mais. A lembrança não vai. A lembrança fica. A lágrima é só minha, a dor é só minha. Aquele momento foi nosso. Agora é só meu.

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