quinta-feira, 6 de maio de 2010

Vai saber

Foi das noites insones e cheias de pesadelos para a alternância entre elas. Hoje é dia de insônia. Amanhã, sonho ruim. Depois, insônia de novo. E assim a vida segue. Desistiu de terminar de ler aquele livro enorme que todos diziam que era ótimo. Mentira. Meses e meses se esforçando para sair do mesmo capítulo, já perto do fim, e o esforço não aguenta mais. Cansou mais que o próprio cansaço sob domínio da preguiça. E foi tudo em vão. Vai se lembrar das páginas de antes, vai. Impossível.

Impossível mesmo não se lembrar de outras coisas. Estava mais impossível ainda não se arrepender. E então ter paciência. Parece que aproveitou as noites insones para escrever textos. E aproveitou os pesadelos para escrever textos também. Pudera eu ter tamanha vontade de tantas letras.

Diz-se que desistiu da aula e foi embora. O professor chamou sua atenção, a sandália descolou mais uma vez, não conseguiu agendar a consulta que gostaria, e a solidão aplacava seus dias, suas semanas, sua história de agora. Já não tinha mais a vontade de dormir porque sabia que seria uma noite ruim. E quando acordava, nunca sair da cama, porque o dia é que seria ruim então.

Parece que vagou para a praia. Acendeu três cigarros. Não tragou nenhum. Chorou quatro lágrimas inteiras. Deixou por lá mesmo a sandália sem sola que dias depois alguma pessoa de bom humor ia dizer pro amigo "pega, Fulano, tua sandália!", ao que o amigo ia dizer "eita, mesmo, esqueci!", tomou o último ônibus seu daquele dia e foi pra casa.

Não se soube mais de nada no outro dia. Nem nos outros. E nem mais depois ainda. Nem se soube se ainda haviam as noites insones, os textos inteiros e pela metade, o desesquilíbrio completo, a falta de vontade. Não se soube para onde foi. Tinha apenas uma conversa de Buda. Uma história de Peste.

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