sábado, 12 de junho de 2010

Síndrome de baixa auto-estima.

Minha mãe havia feito uma cirurgia na Promater, e eu fui lá visitá-la no mesmo dia pela manhã e à tarde. Como a realidade de Natal agora é pagar os dois olhos do seu rosto para conseguir estacionar em um lugar decente, eu mesma pus o carro lá bem longe, e fui e voltei a pé. Uma caminhada matinal.

Daí, de manhã, lá vem o pastorador (outro lugar-comum nessa cidade) prostar-se ao lado do meu vidro, exigindo - sem dizer nada - o seu pagamento. Disse à ele: "à tarde volto aqui!". E realmente voltei, e realmente faria o pagamento do rapaz.

Acontece que eu estacionei a uns quatro quarteirões do hospital, havia carros demais, estava claro e ainda um pouco movimentado, e eu não vi o danado do pastorador quando cheguei. Aliás, a gente nunca vê esse pessoal quando chegamos aos lugares, mas apenas quando estamos de saída. Enfim, fato é que eu venho voltando, entro no carro, passo a chave, aperto o freio de mão, engato a ré, não boto nem o cinto, que é pra eu ir embora logo e o fajuto pastorador não vir, mas, CLARO, eles SEMPRE aparecem com a habilidade de super hérois, bem ao seu lado, bem na hora que você ACHA que estava tudo ganho...

A contra gosto abri o vidro, estirei o braço e coloquei cinquenta centavos na mão do cara. Aproveitei as minhas feições antipáticas e o óculos escuros enorme para enfeitar uma raiva ainda maior daquele momento. O jovem percebeu minha indignação, e quis ser simpático comigo (!).

- A senhora trabalha aí nesse hospital, trabalha?
- Não, senhor.
- É que tem uma moça aí que trabalha aí, no hospital, todo dia ela passa aqui... Ela tem uma roupa igual a essa sua aí.
- (...)
- Igualzinha. É merminha assim. Essa blusa aí, igual a tua que tu tá usando. Ela usa uma roupa merminha assim.
- Não, mas eu não trabalho aí não...
- É uma blusa cor de rosa assim, desse jeito aí. Ela parece com a senhora e tudo. Todo dia ela passa aqui. A moça que trabalha aí... Eu a vejo, ela passa aqui todo dia pra ir trabalhar.
- E é?
- É, é! A merminha roupa da senhora assim, parece com a senhora ela...
- É? É bonita ela?!
- Cooom certeza! E a senhora também! Cooom certeza!

(...)

Quando você começa a pedir elogios de desconhecidos cujo padrão de beleza é provavelmente bastante inferior ao USUAL e tido como NORMAL, sua carência e baixa auto-estima já se tornaram patológicas há muito tempo.

É tipo deixar de comer para dormir na hora do almoço. (É. Hipersonia é outra síndrome na minha vida.)

terça-feira, 8 de junho de 2010

Natal?

Me diz uma coisa: ONDE fica a cidade de Natal que o comercial da Prefeitura está mostrando na televisão essa semana? Não, sério! ONDE fica todo aquele verde, todas aquelas árvores? Sem ironias. QUE Natal é aquela que a prefeitura da nossa cidade está mostrando?!

Em 20 anos debaixo desse sol, eu mesma nunca vi. Tu já viste? Me mostra. Quero saber, de verdade. Quero encontrar essa cidade. De novo: sem ironias.