quarta-feira, 28 de julho de 2010

Desisti do Gabriel.

Foi, desisti. Achei melhor assim. Foram muitos meses com ele, estávamos então desde pouco antes do Carnaval. Foi difícil. O início, como sempre, mil maravilhas. Tinha todo o entusiasmo, os sorrisos dos amigos próximos quando eu dizia que estava com ele, e minhas amigas que o conheciam, e, principalmente, aquelas que o conheciam bem, vibravam! "Você vai amar"; "perfeito!"; "o melhor da minha vida".

Mergulhei de cabeça mesmo, e não estava nem aí. Se todo mundo (todo mundo mesmo) dizia que ia ser bom, que valeria à pena, por que começar pondo os pés na água, afundar até a cintura, depois ombros, para só então pensar em molhar a cabeça? Eu não. Fui com tudo.

Ele estava comigo o tempo inteiro. Fisicamente falando ou não, também, ele estava lá. Uma certa felicidade me inebriou, mas também não demorou muito para eu ver que não era bem aquilo tudo que eu esperava. Ou que, pelo menos, não era aquilo que eu queria para mim. Fui vendo que não tinha a tal da química. Nem mesmo a física! Aquela com a qual a gente se satisfaz quando a química não existe (se é que vocês me entendem).

E então comecei a empurrar com a barriga, e a decepção começou a tomar conta de mim. Ao invés do contato três vezes por dia, uma vez apenas; ao invés de diariamente, dia sim dia não; ao invés de dia sim dia não, a cada vinte ou trinta dias a gente se encontrava... E já aí sem vontade. Sem nenhum tesão. Foi difícil. E eu me perguntava por que, logo comigo, aconteceu desse jeito. Porque eu não tecia os elogios que todo mundo dizia que seriam inevitáveis ao estar com ele - durante e depois. Tenso.

Deixei-o esquecido, pus de lado mesmo. Tive vergonha de dizer às pessoas que o idolatravam e que garantiram minha felicidade para com ele o quanto eu estava desapontada, sem a menor disposição para seguir adiante com o rapaz. Escondi isso de mim, e de quase todo mundo. Cheguei a trocar essa idéia com meu pai (!), quem me mandou ter um pouco de paciência, pois isso às vezes acontecia. Mas tive que me abrir com outras pessoas, pensar em novas possibilidades, pensar em desistir de verdade, e passá-lo adiante. Ele faria a próxima feliz. Sei que sim. Se não haveria de ser comigo, haveria de ser com outra pessoa. Por que não?

Um amigo disse-me que eu poderia tentar de novo futuramente. Que algo parecido aconteceu com ele uma vez, e que, nessa segunda tentativa, tudo correu melhor que o esperado. Uma amiga me disse para eu desistir mesmo. Se não existia a vontade, se o abraço não era mais o mesmo, e se o desapontamento era tão sincero assim, eu devia parar por ali mesmo.

Pensei. Pensei por dias a fio. Nunca havia tido tamanha decepção. Nunca havia ido com tanta sede ao pote e esperando tamanho êxtase e tido, então, a frustração... Eu me estranhei nisso tudo. Me garantiram como ele seria bom! Mas não foi. Achei justo retirá-lo da minha estante, enfiar numa sacola, e, com carinho e muito agradecimento, devolvê-lo à sua dona.

Foram 300 páginas, 200 das quais me arrastei sem vontade e sem crer que aquilo não me satisfazia. Desculpa, mas Cem Anos de Solidão não é o melhor livro de Gabriel García Márquez. Suas putas tristes me fizeram muito mais feliz.

E agora eu estou só na espera daquele Escafandro... Certo, Solino? ;)))

domingo, 11 de julho de 2010

Festival Mormaço

Fui de última hora. No sábado, o dia que eu não pretendia ir. A amiga de fora tá na cidade. A amiga da cidade tá fazendo aniversário. A amiga de fora e a amiga da cidade são muito minhas amigas... e aí, o roque ficou para segundo plano.

Mas eis que a balada (?) terminou cedo. E a carona existiu. Então fui.

Foi interessante estar ali. Foi engraçado ter passado aquela noite naquele lugar... sóbria, refletindo sobre a vida. Me lembou, é claro, as dezenas de shows já idos no DoSol Rock Bar. Sábado à tarde. Domingo à tarde. Sexta-feira à noite. Festivais. Shows de bandas que começavam a ficar famosas, e que vinham pra cá tocar em cima de um palco pequeno, comparado aos palcos que eles tocariam mais tarde... Acho que vi, por ali na Ribeira, Dead Fish, Aditive, Fresno, e até Los Hermanos, que ocuparam o palco do até então Blackout (!). Pois foi.

Sabe o que. A noite de ontem foi a prova viva de duas coisas: que o tempo passa e as coisas não mudam; que o tempo passa e as coisas mudam. Assim. Como naquela época, as pessoas de ontem eram as mesmas no mesmo lugar. Rostos conhecidos, agora uns com barbas, com as marcas das espinhas (e não mais as espinhas), de roupa mais discreta (porque chocar não é mais uma necessidade), menos piercings, mais tatuagens, e assim por diante. Os grupos de amigos se repetem também. As tribos ainda estão juntas. "As galeras" estão de bem ainda. E os sorrisos dos encontros inesperados, mas na verdade esperados e corriqueiros, porque sempre nos encontrávamos ali, aconteceram mais uma vez. A música era boa. As guitarras eram altas. O estilo emo ainda predominava. Mas as pessoas também estavam crescidas. Estavam mudadas.

E, por outro lado, a galera "jovem jovem" (assim, duas vezes, porque jovens somos nós - haha), circulava ali também. Do mesmo jeito que eu e meus amigos há uns 6 ou 7 anos atrás. Com suas dúvidas, com seus questionamentos sobre quem são eles próprios, se perguntando inconscientemente se eles gostam mesmo de estar ali ou se estão apenas por necessidade de inserção num grupo. Se a roupa que estão vestindo é de total agrado ou responde à outras necessidades. Se a cerveja que bebem é porque apreciam o gosto ou se é um jeito forçado de crescer e ser adulto em meio àquela multidão. Porque eu, à tal época, forçava a cevada, as munhequeiras, o som por vezes pesado demais pro meu gosto. E mais um monte de gente que ia comigo fazia o mesmo.

A gente cresce. E mesmo que ainda sejamos poucos, pequenos e jovens, é bom de ver o ciclo e a perpetuação de algumas coisas. Os mais novos vêm. E vêm igual à nós de um tempo atrás. E a gente fica. Porque o tempo passa, a gente se descobre de verdade e passa a ter certeza de quem somos e do que queremos para nós. Vai muito longe essa filosofia? Vocês entendem todo o valor semântico que o show de Móveis Coloniais de Acaju teve pra mim? Não pelos Móveis, mas por todo o resto? Não sei se fui clara.

O calor se tornou suportável depois da primeira gota de sur nas costas. Foi bom rever muita gente, ouvir uma orquestra de guitarras e pout-porri do Strokes. E os rapazes de Brasília são jóia mesmo. Só fui contra a Nova Schin por 3 reais. (É, crianças, quando você fica velho, começa a gostar mesmo de cerveja, e não a bebê-la só pra parecer adulto. E até Nova Schin por três reais você tá topando...)

terça-feira, 6 de julho de 2010

Eu sou não sou...(?)

Eu sou aquela comunidade do orkut que diz "Amor próprio." Com esse ponto final, ou não, eu sou a comunidade com o ponto final. Eu sou aquela criança sorrindo com vontade, de si mesma e dos outros, os quais não sabem rir de si mesmos e acham que é idiotice rir de quem não sabe rir de si. Eu sou o sorriso espontâneo, de dentes à mostra e boca mais pra aberta que pra fechada, como quem diz que está a fim de ser feliz ali.
Eu sou aquela música contente em si mesma. Que faz as pessoas dançarem, mesmo que em pensamento, imaginando como dançariam se estivessem sozinhas ali agora, ou como dançariam se estivessem com outras pessoas que também estivessem imaginando e dançando de um jeito que somente sozinhas o fariam.
Eu sou o agora. Eu vivo o agora e desisti de abraçar o antes que até ontem mesmo eu segurava pela ponta dos dedos, suplicando não soltar nunca mais aquilo lá. Eu sou o agora porque só esse presente presente (2x) me deixa esse Amor Próprio só meu, pra mim, todinho, completo. Eu sou o agora porque ser o antes é gostar dele e não de mim. É. E ninguém se interpõe no meu caminho de abraçar a mim mesma.
Eu sou, então, a tal comunidade, a menina, o sorriso, a música. Eu sou dois braços que se abraçam o tempo todo, a boca que beija a própria bochecha, o espelho que reflete o que está dentro de si. Sou eu.

E tudo que eu disse acima... está dito ao contrário.

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Quer dizer que tem Mombojó na sexta, Natiruts dia 17, Zeca Baleiro dia 25 (esse aqui de graça)...
E Cranberries e Los Hermanos vêm aí também, né verdade?