domingo, 11 de julho de 2010

Festival Mormaço

Fui de última hora. No sábado, o dia que eu não pretendia ir. A amiga de fora tá na cidade. A amiga da cidade tá fazendo aniversário. A amiga de fora e a amiga da cidade são muito minhas amigas... e aí, o roque ficou para segundo plano.

Mas eis que a balada (?) terminou cedo. E a carona existiu. Então fui.

Foi interessante estar ali. Foi engraçado ter passado aquela noite naquele lugar... sóbria, refletindo sobre a vida. Me lembou, é claro, as dezenas de shows já idos no DoSol Rock Bar. Sábado à tarde. Domingo à tarde. Sexta-feira à noite. Festivais. Shows de bandas que começavam a ficar famosas, e que vinham pra cá tocar em cima de um palco pequeno, comparado aos palcos que eles tocariam mais tarde... Acho que vi, por ali na Ribeira, Dead Fish, Aditive, Fresno, e até Los Hermanos, que ocuparam o palco do até então Blackout (!). Pois foi.

Sabe o que. A noite de ontem foi a prova viva de duas coisas: que o tempo passa e as coisas não mudam; que o tempo passa e as coisas mudam. Assim. Como naquela época, as pessoas de ontem eram as mesmas no mesmo lugar. Rostos conhecidos, agora uns com barbas, com as marcas das espinhas (e não mais as espinhas), de roupa mais discreta (porque chocar não é mais uma necessidade), menos piercings, mais tatuagens, e assim por diante. Os grupos de amigos se repetem também. As tribos ainda estão juntas. "As galeras" estão de bem ainda. E os sorrisos dos encontros inesperados, mas na verdade esperados e corriqueiros, porque sempre nos encontrávamos ali, aconteceram mais uma vez. A música era boa. As guitarras eram altas. O estilo emo ainda predominava. Mas as pessoas também estavam crescidas. Estavam mudadas.

E, por outro lado, a galera "jovem jovem" (assim, duas vezes, porque jovens somos nós - haha), circulava ali também. Do mesmo jeito que eu e meus amigos há uns 6 ou 7 anos atrás. Com suas dúvidas, com seus questionamentos sobre quem são eles próprios, se perguntando inconscientemente se eles gostam mesmo de estar ali ou se estão apenas por necessidade de inserção num grupo. Se a roupa que estão vestindo é de total agrado ou responde à outras necessidades. Se a cerveja que bebem é porque apreciam o gosto ou se é um jeito forçado de crescer e ser adulto em meio àquela multidão. Porque eu, à tal época, forçava a cevada, as munhequeiras, o som por vezes pesado demais pro meu gosto. E mais um monte de gente que ia comigo fazia o mesmo.

A gente cresce. E mesmo que ainda sejamos poucos, pequenos e jovens, é bom de ver o ciclo e a perpetuação de algumas coisas. Os mais novos vêm. E vêm igual à nós de um tempo atrás. E a gente fica. Porque o tempo passa, a gente se descobre de verdade e passa a ter certeza de quem somos e do que queremos para nós. Vai muito longe essa filosofia? Vocês entendem todo o valor semântico que o show de Móveis Coloniais de Acaju teve pra mim? Não pelos Móveis, mas por todo o resto? Não sei se fui clara.

O calor se tornou suportável depois da primeira gota de sur nas costas. Foi bom rever muita gente, ouvir uma orquestra de guitarras e pout-porri do Strokes. E os rapazes de Brasília são jóia mesmo. Só fui contra a Nova Schin por 3 reais. (É, crianças, quando você fica velho, começa a gostar mesmo de cerveja, e não a bebê-la só pra parecer adulto. E até Nova Schin por três reais você tá topando...)

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