terça-feira, 10 de agosto de 2010

Conselho

Ei, vocês, quando baterem em carros alheios, por favor tenham a mesma classe que eu tive de bater no carro de gente importante. E não de anônimos.

Ticiano D'Amore foi quem recebeu a minha carimbada sábado à noite. Segue, na íntegra, o e-mail por último recebido:

Lendo o seu post, pude imaginar a situação ao vivo, como se estivesse lá, como se o Peugeot 207 fosse meu hehehehehe
Bom, eu dirijo faz 10 anos (tenho 28) e te digo, só fui aprender a fazer baliza de verdade mesmo de uns 4 anos pra cá. De repente veio um estalo e finalmente aprendi. Não era um estalo de batida e sim um mental. Uma hora todo mundo aprende!
Não compre um desses carros modernos que estaciona sozinho se não você nunca pegará o jeito e não vivenciará a maravilhosa sensação de fazer uma baliza perfeitinha :)
Para terminar, o marketing: Quinta e Sexta meu grupo (e o de Henrique) "Diogo Guanabara & Macaxeira Jazz" toca no TCP às 20:00 em um show instrumental só tocando Beatles. A propaganda do show no link abaixo.
Ps: se você for, tenta estacionar a uns 2 carros de distância de qualquer 207 preto... ; )
Tudo de bom,
Ticiano D´Amore
www.ticianodamore.com


Fica a dica. ;)

domingo, 8 de agosto de 2010

Parabéns por não ser corrupta?

Eu não sei se vocês sabem, mas meus amigos próximos, meus parentes, a STTU e os postes emborrachados da cidade já avisam que sou cangueira de verdade. Se o assunto for só a locomoção eu até me garanto, mas eis que se torne necessário estacionar... Sou uma negação. A última vez que fiz uma baliza foi na prova prática do Detran, onde só me arrisquei (?) porque eram dois cones e não dois carros. Depois daquele dia eu nunca mais tentei. Aliás, nunca mais me atrevi a imaginar-me balizando um veículo. Já pensou?! Quem me conhece dirigindo já produziu uma careta involuntária lendo isso.

E lá vou eu pro Sargent Peppers de Ponta Negra ontem à noite, 23h. Sozinha. Eu, comigo mesma, tossindo os dois pulmões e cheia de sono e cansaço que dava pra contar uma história. Mas em consideração à amiga aniversariante, tudo vale. Até Sargent (eca) em Ponta Negra em dia de Desventura e Seu Zé.

Me aventurei por uma rua estreita com carros estacionados dos dois lados. Enquanto eu ia, um carro lá na frente manobrava para voltar, mas era possível eu passar por ele enquanto ele manobrava. Acontece que o cara desse carro, que era um quatroporquatro, manobra o veículo completamente, põe seu carro de frente para o meu, e, na maior educação que existe, começa a vir em minha direção, exigindo que eu desse ré e fosse embora pra ele passar. Porém, ele só estava me fazendo um favor, desistindo de um atoleiro que tinha ali, e me avisando pra eu não ir, pois certamente eu ia afundar na areia movediça.

Comecei a suar frio, olhando a quantidade de carros estacionados, a estreiteza da rua, a escuridão, e, pior de tudo, a minha solidão no momento. Fui, fui, fui... até que desisti. Desliguei o carro, saí com a chave na mão, e ia pedir para o primeiro maloqueiro tirar meu carro dali, correndo o risco de ser roubada. Mas pra mim isso parecia bem mais feliz do que bater em algum dos carros.

Porém, claro que, diante de todas minhas habilidades manobrísticas, eu JÁ tinha encostado em um dos carros da rua. O rapaz do quatroporquatro perguntou o que tinha acontecido, ofereceu ajuda, você quer que eu guie ou quer que eu tire?, quero que você tire, por favor. E ele foi. Te digo: foi trabalhoso para ele também. Mas, quando eu vi, tinha realmente arrancado uns milímetros de tinta do Peugeot 207 ali tão bem estacionado.

Quem já bateu no carro dos outros por pura cangueirisse (mesmo que a situação exigisse de você habilidades de piloto de fórmula um) sabe que a sensação posterior é um mal-estar por imaginar o dono do carro encontrando o seu veículo "violado", e pensar, com todo o direito: aaaah, cangueiro feladaputa. E eu não tinha papel nem caneta na minha bolsa, tinha um maloqueiro ridículo no meio da rua dizendo que não foi nada, mas fazendo cara de quem adora ver desgraça alheia, falando que "vai da sua consciência, né, não foi nadinha, não foi nadinha". E foi muito pouco mesmo. Mas minha burrice em entrar naquela rua é que foi grande, então eu tinha de assumir toda culpa e prejuízo.

Dei duas voltas naquele quarteirão. No fim das contas, estacionei (muito mal, como sempre) meu carro onde ficava a antiga Curva do Vento. Escrevi um bilhete para o dono do carro, pus meu telefone e pedi que por favor me ligasse. Fui andando barra correndo, numa verdadeira marcha atlética, até a rua malassombrada. Cheguei. Vi o carro. Identifiquei o pára-choque. Puxei o pára-brisa e lá deixei o meu bilhete. Desisti do bar (claro, né, bicho) e voltei pra casa ainda me sentindo mal, mas sabendo que fiz o mínimo que deveria ter feito... E torci pro dono do peugeot ser um cara ou "uma cara" gente boa, paz e luz.

Hoje de manhã, o dono do carro me telefonou, me agradecendo muito pelo bilhete deixado, e combinamos os próximos passos dessa dor de cabeça que estou causando a ele. Mas, sabe o que, à qualquer pessoa que eu conte isso, me dizem que fui extremamente bacana ontem, que fui uma pessoa amirável, muito legal, que outro no meu lugar teria ido embora facilmente e sem deixar bilhete algum. E olhe que foi realmente um pouco de tinta arrancada. Nada demais.

Eu fiz o mínimo. Eu fiz apenas (apenas mesmo) o correto, o adequado para a situação. Não fiz mais, não fiz nada além. Não existe nenhum "plus" na minha ação de ontem. Ela não é boa nem correta. É uma ação em si mesma, pois é o que todo mundo deve fazer quando algo assim acontece.

Eu estou viajando mais uma vez, mas eu recebi elogios por ter sido honesta, por não ter sido corrupta, e o que eu fiz ontem é visto como um fato isolado. Mas não é para ser assim! A gente tem que fazer o certo, tem que pensar nos outros, tem que se imaginar voltando da festa e encontrando seu carro batido, amassado, com tinta a menos no pára-choque dianteiro, e imaginar toda a raiva que você sentiria se fosse você a vítima. A gente tem que zelar pelo dos outros também, pois é de boa em boa ação que um dia melhora. Eu poderia não ter recebido ajuda do cara da quatroporquatro; poderia ter batido no carro de uma pessoa que me ligaria em plena madrugada perguntando se eu tinha comprado minha carteira de motorista e pedindo que eu nunca mais saísse de casa dirigindo; eu poderia ter sido sacana. Mas as boas ações acontecem à quem as pratica. E as ações corretas em si mesmas também.

Não seja corrupto. E não espere elogios em troca. Não vamos enaltecer o minimamente correto só porque todos (e principalmente os que governam o país em que vivemos) são adeptos do errado.