terça-feira, 30 de novembro de 2010

Eu tô sem saco. Tô sem ânimo. Tô sem caminho. Tô sem vontade. Tô com tristeza. Estou sem audácia. Estou por demais vencida. Estou cansada. Tô com o medo. Tô com o cansaço. Tô com a fraqueza. E não sou mais uma só. Tô sem fome. Tô sem nada. Estou à toa. Estou sem saber de nada. Estou sem saber por quê. Estou só o desgaste. Estou sem ser mais nada. Estou sem ser mais tudo. Estou no limbo. E tô no sonho. Ou é pesadelo. Eu já não sei. Estou sem saber. Estou sem vida. Estou com pena. Estou sem mim. E mais cansada. Cansada não sei do quê. Estou assim, sem nada, porque não há o tudo, mas somente o nada. Estou sem meio. Estou só o fim. Sou o fim. Isso é o fim. Estou vazia. E assustada. Estou com caminho e sem os passos. Estou sem pés. Estou com preguiça. Estou com raiva. Estou sem mais nada. Não sou mais nada. E(u) não sou mais nada.

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Caim

"É um sinal de nascença, respondeu caim, Não deves ser boa gente, Quem tu disse, como o sabes, respondeu caim imprudentemente, Como diz o refrão antigo, o diabo que te assinalou, algum defeito te encontrou."

"Almocreves somos e pela estrada andamos."

"(...) é inevitável, fatal como a morte. E a vida."

"Como tudo, as palavras tem os seus quês, os seus comos e os seus porquês. Algumas, solenes, interpelam-nos com ar pomposo, dando-se importância, como se estivessem destinadas a grandes coisas e, vai-se ver, não eram mais que uma brisa leve que não conseguiria mover uma vela de moinho, outras, das comuns, das habituais, das de todos os dias, viriam a ter, afinal, conseqüências que ninguém se atreveria a prever, não tinham nascido para isso, e contudo abalaram o mundo."

"O tempo, esse grande igualador (...)"

"Vale mais tarde que nunca, respondeu o anjo com prosápia (...), Enganas-te, nunca não é o contrário de tarde, o contrário de tarde é demasiado tarde."

José Saramago.

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Maldito seis de outubro.

Eu podia muito bem ter ficado aqui, com aquele meu platonismo infantil, com todas aquelas fantasias bobas as quais, achava eu, nunca haveria de vir nada parecido com aquilo. Eu sonhava e não doía. Eu vivia noutro mundo, e ao mesmo tempo na "realidade de verdade". E era bom. Era tudo bom.
Eu podia ter ficado com aquilo. Imaginando o segundo-primeiro-beijo que jamais chegaria. A troca de olhares que nunca aconteceria, e que não passaria do "oi, tudo bom?". Pra mim, era o suficiente. Viver com isso. Com essa esperança de mentirinha. Esse sonho que eu não queria ir atrás não. Só queria viver com ele. Era bom; era engraçado, pelo menos.
Eu podia ter ficado com isso.
Você veio. Você apareceu novamente. Pôs seu nome no meu dia-a-dia. Pôs nossa conversa em pauta, e provocou as longas risadas. A falta de ar de tanto rir. O cotidiano onde tudo parecia ter sentido - de verdade. Podia ser tudo banal; a felicidade era verdadeira até demais.
O sonho virou realidade. É clichê, mas foi isso mesmo. E essa realidade foi melhor ainda. Inesperada, e mais completa, e mais alegre do que qualquer sonho que exista, do que qualquer platonismo que exista também. Mas foi você que veio. Porque quis.
E também se foi.

Eu estou disposta. Eu não estou disposto. Eu consigo levar isso adiante. Eu não vou poder levar isso adiante. Minha vida parou. Muita coisa mudou na minha vida no último mês. Eu não vou conseguir melhorar. Eu estou bem.

Eu podia ter ficado aqui, com o sonho que não me causava dor, sem conviver com essa realidade, que dói cada dia mais. Cada dia mais.
Maldito seis de outubro. Ele não devia ter chegado.