segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Maldito seis de outubro.

Eu podia muito bem ter ficado aqui, com aquele meu platonismo infantil, com todas aquelas fantasias bobas as quais, achava eu, nunca haveria de vir nada parecido com aquilo. Eu sonhava e não doía. Eu vivia noutro mundo, e ao mesmo tempo na "realidade de verdade". E era bom. Era tudo bom.
Eu podia ter ficado com aquilo. Imaginando o segundo-primeiro-beijo que jamais chegaria. A troca de olhares que nunca aconteceria, e que não passaria do "oi, tudo bom?". Pra mim, era o suficiente. Viver com isso. Com essa esperança de mentirinha. Esse sonho que eu não queria ir atrás não. Só queria viver com ele. Era bom; era engraçado, pelo menos.
Eu podia ter ficado com isso.
Você veio. Você apareceu novamente. Pôs seu nome no meu dia-a-dia. Pôs nossa conversa em pauta, e provocou as longas risadas. A falta de ar de tanto rir. O cotidiano onde tudo parecia ter sentido - de verdade. Podia ser tudo banal; a felicidade era verdadeira até demais.
O sonho virou realidade. É clichê, mas foi isso mesmo. E essa realidade foi melhor ainda. Inesperada, e mais completa, e mais alegre do que qualquer sonho que exista, do que qualquer platonismo que exista também. Mas foi você que veio. Porque quis.
E também se foi.

Eu estou disposta. Eu não estou disposto. Eu consigo levar isso adiante. Eu não vou poder levar isso adiante. Minha vida parou. Muita coisa mudou na minha vida no último mês. Eu não vou conseguir melhorar. Eu estou bem.

Eu podia ter ficado aqui, com o sonho que não me causava dor, sem conviver com essa realidade, que dói cada dia mais. Cada dia mais.
Maldito seis de outubro. Ele não devia ter chegado.

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