sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Uma, duas, três alegrias. Mil abraços. Sonhos realizados. Sucesso aqui, sucesso ali. No trabalho. Família unida. Amigos presentes. Festas. Grandes sorrisos. Gratidão de si e para si. Para todo mundo. De todo mundo. Presença garantida dos especiais. Distância dos não-especiais. Confiança mútua que sempre exista. Um grande amor. Saúde. Disposição na segunda-feira. Serenidade. "Paz". Pulos de felicidade. Viagens. Aumento do salário. Uma promoção no trabalho. Às boas notícias que hão de chegar! Tim-tim. Um brinde. Muitos brindes. Muito "tudo-de-melhor".

A mim, somente o fim dessa dor.

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Ei!

Feliz Natal!

Que os presentes, a comida, a bebida e as luzes de hoje sejam meros detalhes. Que você seja capaz de abraçar e sorrir com vontade e sinceridade para aqueles que estejam compartilhando essa noite com você. Que seu sentimento de bondade e gratidão prevalesça, independente de como esteja hoje sua vida, sua cabeça, seu espírito. Que o RO de amanhã seja tão ou mais divertido que a noite de hoje, quando todos estiverem informalmente à mesa da cozinha, comendo salgadinho frio com os pés em cima da cadeira. Sem cerimônias. Que, aliás, a noite de hoje seja muito feliz. Que sua família, pequena, grande, divertida, chata, seja ainda mais família, e tocada por esse espírito de Natal que dizem existir e que devia existir entre nós o ano inteiro - se ele é tão bom assim. Que ele permaneça entre nós, então!

De novo, que o material e o comestível sejam meros detalhes. Que as pessoas sejam hoje, e para sempre, aquilo que realmente te importa.

Fiquem com Deus. E com o bom velhinho também.

Do zero.

E não se lembrava, mas havia adormecido chorando na última noite. Mais uma vez, mas uma vez que há muito não acontecia. Se antes era um hábito, isso agora não era usual. A tristeza invadiu e inebriou. O espanto também tomou conta. As lágrimas vieram e banharam todo o sono. Não se lembrava disso quando acordou no dia seguinte.
E nesse mesmo dia, só foi lembrar-se quando deu conta do andar catatônico que também se repetia. Dos membros rígidos, da dificuldade de movimentar-se com a leveza de antes, pois o corpo doía, não se movia, pensava-se, até, não existia. E, principalmente, quando se deu conta do olhar vazio com que se deparou diante do espelho. A névoa dentro dos olhos amendoados fez lembrar-se de tudo.
Reviveu e perguntou por quê. Desistiu. Quis se justificar. Não entendeu. Pensou não merecer, e começou a sentir o vazio outra vez. Tudo outra vez. Está aí, então, seu recomeço(!).

domingo, 19 de dezembro de 2010

The Baixo

Começou dia 15. Termina hoje. Teve um grande dia ontem. E grande em todos os sentidos.

Saindo da rua João Pessoa, indo para a Ribeira, parando de tempos em tempos, assistindo e aplaudindo aos artistas locais que poucos conhecem, mas que muito fazem pelo que chamamos de "cultura". Teve Pau e Lata do começo ao fim. Teve teatro, dança, performance, e circo. Adoro circo. Teve rua interditada, e o manifesto a céu aberto, com os artistas comunicando defronte aos órgãos públicos e, principalmente, diante das pessoas, o que eles querem: reconhecimento e incentivo.

O espetáculo intinerante durou cerca de três horas. Em dois atos, atores encenaram nossos artistas indo embora daqui: "vou embora da cidade pra poder viver de arte", enquanto ironizavam todos os aspectos dessa cidade que cultua o Carnatal, que contém a cultura esquecida, e cujos artistas se espremem em uma Lei de Incentivo para tentar (e somente tentar) divulgar o seu trabalho.

O trajeto foi longo, e a variedade artística atendeu à necessidade de um espetáculo com quase três horas de duração. A revolta quanto ao não incentivo governamental permanece, e é o que está nas linhas e entrelinhas do projeto. E eu não diria nem incentivo, mas o simples retorno do dinheiro que direcionamos, honestamente, ao governo sob a forma de impostos. Ou seja, exigimos o que não passa de uma simples obrigação para eles.

Porém, não basta que a União, estado, município e sei-lá-mais-o-quê, destinem seus 1%, meio por cento, zero vírgula vinte e cinco por cento para a cultura. Nem que destinem impossíveis 10%, 50%, 100% para tanto. O espetáculo de ontem, e todo o Baixo de Natal, foi de entrada franca. São cinco dias de cultura grátis, para quem quiser. Cinco dias de música, de teatro, de dança, de todas essas coisas aí que eu já citei, para todas as idades e classes sociais. E cinco dias tomando conta de uma cidade, permeando as praças, as ruas, os bares daqui.

E, sabe o que, apesar dessa proposta 0800, e da produção e empenho em torno do evento, o público ontem era pequeno. Grande, de certa forma, pois contava com algumas centenas de pessoas; pequeno para o tamanho do evento, para a grandiosidade da proposta. Cadê os espectadores? Os nossos artistas estavam lá, aliás, estão aí todos os dias do Baixo de Natal, e o público não vai ao seu encontro.

Pra fazer arte, não adianta dinheiro público, se não houver público! Não adianta a rosa, a borboleta, ou a pessoa(?) que seja prometer e fornecer o devido incentivo. A população precisa ir prestigiar! Precisa sair de suas casas, deixar de frequentar o shopping center diariamente, e consumir um pouco da cultura. Ela existe por aqui! E a qualidade da arte que eu vi ontem é diretamente proporcional à um público de multidão.

O principal incentivo para o artista somos nós, (não) meros espectadores. Lembremos-nos disso.

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http://baixodenatal.blogspot.com

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É que tudo que eu tive nos últimos tempos me escorreu pelas mãos. Os sonhos, as lembranças, e, principalmente, as pessoas. Aqueles abraços apertados e intermináveis que se tornaram meros acenos, simples cumprimentos, e nada mais do que isso. Aquele sorriso largo e sincero que se transformou num movimento sutil dos meus lábios, sem dentes à mostra. Os planos que faziam sentido, e a existência em que se vivia o presente e o futuro sem dor. E o passado já foi. Aquela vontade de ser alguém, e agora a vontade de não ser mais nada.

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

E vamos em frente.

E lá estava eu. No meio de dezenas deles. Muitas dezenas, talvez até uma centena da categoria. Aquela galera contando a história do seu 2010. Do 2010 acadêmico, que vai se repetir em 2011 para nós. A maravilhosa ida-a-campo, os desafios encontrados, as dificuldades impostas, o lugar-social-e-o-imaginário-popular dessa profissão, a angústia generalizada, a vasta aprendizagem. Foi uma experiência muito rica. Foi um trabalho muito rico. Foi um projeto muito enriquecedor, sabe. Disse, para ser diferente.

Olha, gente, olha como foi legal. Quanta coisa a gente fez. Tudo que a gente aprendeu na teoria, quando a gente viu, uau!, a gente pôs em prática! Mas, claro, com ressalvas né. Um milhão delas. Quase todas possíveis, na verdade. Porque na prática, a teoria é outra. Na prática, e teoria não existe, pra falar sério.

E quantas dúvidas, e quantos sonhos. E quantas pessoas querendo entender melhor o que tinha acontecido, pois a sua hora estava chegando - ela vem dentro de poucos meses. A minha também, vejam só. (Grande bosta.)

Vamos planejar melhor. Vamos ver o que podemos fazer diferente. Vamos proporcionar um experiência "muito rica", para ser tudo "muito rico" e, também, para não soar repetitivo, "enriquecedor". Tá todo mundo empolgado por aqui. Todos com borboletas no estômago. Prestes a se formar - porque, afinal de contas, dois anos passam assim! Que maravilha.

Os olhos da platéia brilhavam, as sinapses em suas cabeças enfureciam com tanta informação, planos e sensações prévias de felicidade, e as discussões vinham acaloradas, acompanhadas de sorrisos. Eu abri um livro qualquer. Imaginei um futuro díspare, e completamente distante de tudo que se assemelhe à Psicologia. Esperei o coffe break e fui embora.

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Passeata vadia das almas vazias

É hoje! Chegou!

Ontem, ainda quarta-feira, estava eu do outro lado da cidade, dirigindo pela Rodrigues Alves, quando lá mesmo fui acometida pelo que, parece ser assim nomeado, "movimento cultural" do Carnatal. Eu peguei a avenida porque queria atingir logo a Romualdo, queria agilizar o meu caminho. E então eu me aproximo do cruzamento com a Maxaranguape e... O trânsito do Carnatal começa lá, tinha me esquecido! E começa antes do Carnatal.
A entrega da mortalha é ali no América, a venda do camarote mais caro e burguês do Corredor da Folia é ali naquela esquina e, claro, os cambistas começam a brotar do chão a cada cinco minutos, à medida que o começo da festa se aproxima.
Como se já não bastasse a galera estacionando em ambos os lados da rua, aquela fila-de-SUS arrodeando o quarteirão, as pessoas atravessando a rua como se estivessem em suas casas, andando do seu quarto pro banheiro, sem olhar se vem carro ou não, afinal, isso não importa, é o seu abadá que está em jogo!, e os cambistas achando que qualquer ser humano que passe por ali está realmente a fim de comprar uma de suas mortalhas, e por isso abordando carros, motoqueiros e pedrestes, os carros ainda paravam naturalmente no meio da rua. No meio da rua. No MEIO da rua. Na faixa do meio. Tinham que debater o preço do abadá com o tal vendedor-de-rua, né verdade? Nada mais importante do que isso. O trânsito (que já devia estar chegando até Petrópolis) que se dane. E temos, meros-mortais-não-foliões, que respeitar o momento do cidadão (nota 10).
Eu fiz o retorno. Eu fugi da entrega da fantasia para a festa que não vou. E minha vida continuou tranquilamente, até as 24 horas seguintes, é claro.
O trânsito já existia hoje de novo, agora na Prudente, com dezenas (eu vi centenas, mas acho que só existiam mesmo uns cinco) de caminhões estacionados nas margens das ruas, levantando as iluminações e as estruturas necessárias para o grande dia. Era só dez horas da manhã, e a cidade já diminuía seu ritmo para vinte quilômetros por hora.

Pois é. Eu já pulei Carnatal. Três dias seguidos. Encravei todas as unhas dos meus pés. Tomava uma bebida alcoólica misturada com refrigerante, porque na época em que eu gostava de Carnatal, era assim que eu (e minhas amigas semi-adolescentes) bebia. Achei o máximo, falo a verdade. Mas, o tempo passou, eu cresci, construí minha identidade e meu self, como aprendi na Psicologia, e mudei de gosto. Experimentar, tentar, não saber exatamente do que gosta e o que quer, faz parte de ser adolescente - aprendi na faculdade também.

Não sou a favor do fim do Carnatal. No fim das contas, bem ou mal, movimenta por aqui o comércio, o turismo, e chama um pouco de atenção pra cidadedosol. Porém, ter que sucumbir ao movimento, ao trânsito lento, às ruas interditadas, às músicas sem consoantes, com sílabas formadas apenas por vogais, ao mau cheiro da sexta, do sábado, do domingo, e dos sete dias posteriores à festa, é sempre um pouco demais. Eu posso reclamar. Todo mundo pode. E posso não gostar do Carnatal também.

Boa festa pra quem vai. Sossego e silêncio pra quem não vai. (Eu juro, eu desejo isso à vocês - especialmente para os últimos...).



P.S.: O título do texto não é meu: @lincolnwerner.