domingo, 19 de dezembro de 2010

The Baixo

Começou dia 15. Termina hoje. Teve um grande dia ontem. E grande em todos os sentidos.

Saindo da rua João Pessoa, indo para a Ribeira, parando de tempos em tempos, assistindo e aplaudindo aos artistas locais que poucos conhecem, mas que muito fazem pelo que chamamos de "cultura". Teve Pau e Lata do começo ao fim. Teve teatro, dança, performance, e circo. Adoro circo. Teve rua interditada, e o manifesto a céu aberto, com os artistas comunicando defronte aos órgãos públicos e, principalmente, diante das pessoas, o que eles querem: reconhecimento e incentivo.

O espetáculo intinerante durou cerca de três horas. Em dois atos, atores encenaram nossos artistas indo embora daqui: "vou embora da cidade pra poder viver de arte", enquanto ironizavam todos os aspectos dessa cidade que cultua o Carnatal, que contém a cultura esquecida, e cujos artistas se espremem em uma Lei de Incentivo para tentar (e somente tentar) divulgar o seu trabalho.

O trajeto foi longo, e a variedade artística atendeu à necessidade de um espetáculo com quase três horas de duração. A revolta quanto ao não incentivo governamental permanece, e é o que está nas linhas e entrelinhas do projeto. E eu não diria nem incentivo, mas o simples retorno do dinheiro que direcionamos, honestamente, ao governo sob a forma de impostos. Ou seja, exigimos o que não passa de uma simples obrigação para eles.

Porém, não basta que a União, estado, município e sei-lá-mais-o-quê, destinem seus 1%, meio por cento, zero vírgula vinte e cinco por cento para a cultura. Nem que destinem impossíveis 10%, 50%, 100% para tanto. O espetáculo de ontem, e todo o Baixo de Natal, foi de entrada franca. São cinco dias de cultura grátis, para quem quiser. Cinco dias de música, de teatro, de dança, de todas essas coisas aí que eu já citei, para todas as idades e classes sociais. E cinco dias tomando conta de uma cidade, permeando as praças, as ruas, os bares daqui.

E, sabe o que, apesar dessa proposta 0800, e da produção e empenho em torno do evento, o público ontem era pequeno. Grande, de certa forma, pois contava com algumas centenas de pessoas; pequeno para o tamanho do evento, para a grandiosidade da proposta. Cadê os espectadores? Os nossos artistas estavam lá, aliás, estão aí todos os dias do Baixo de Natal, e o público não vai ao seu encontro.

Pra fazer arte, não adianta dinheiro público, se não houver público! Não adianta a rosa, a borboleta, ou a pessoa(?) que seja prometer e fornecer o devido incentivo. A população precisa ir prestigiar! Precisa sair de suas casas, deixar de frequentar o shopping center diariamente, e consumir um pouco da cultura. Ela existe por aqui! E a qualidade da arte que eu vi ontem é diretamente proporcional à um público de multidão.

O principal incentivo para o artista somos nós, (não) meros espectadores. Lembremos-nos disso.

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http://baixodenatal.blogspot.com

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