sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Do zero.

E não se lembrava, mas havia adormecido chorando na última noite. Mais uma vez, mas uma vez que há muito não acontecia. Se antes era um hábito, isso agora não era usual. A tristeza invadiu e inebriou. O espanto também tomou conta. As lágrimas vieram e banharam todo o sono. Não se lembrava disso quando acordou no dia seguinte.
E nesse mesmo dia, só foi lembrar-se quando deu conta do andar catatônico que também se repetia. Dos membros rígidos, da dificuldade de movimentar-se com a leveza de antes, pois o corpo doía, não se movia, pensava-se, até, não existia. E, principalmente, quando se deu conta do olhar vazio com que se deparou diante do espelho. A névoa dentro dos olhos amendoados fez lembrar-se de tudo.
Reviveu e perguntou por quê. Desistiu. Quis se justificar. Não entendeu. Pensou não merecer, e começou a sentir o vazio outra vez. Tudo outra vez. Está aí, então, seu recomeço(!).

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