sábado, 19 de março de 2011

E mais.


Já não chorava, mas os seus olhos nunca mais voltarão a estar secos, que esse é o choro que não tem remédio, aquele lume contínuo que queima as lágrimas antes que elas possam surgir e rolar pelas faces. Disse-lhe Saramago na última página de um dos seus capítulos. E se era exatamente assim que ela estava hoje, agora, e também ontem, ao adormecer, e a cada sonho ruim que acompanhou sua insônia na madrugada. Parou de chorar. Mas não parou de doer.

À terapia então não foi. Telefonou e falou que na semana que vem apareceria. Talvez, disse para si em pensamento. Ensaiou por mais de três horas, porque disseram-lhe que ocupar o corpo ocuparia-lhe também a mente. É tudo mentira, que fique muito claro. O passo, a ponta, a expressão correta; nada saiu. Os olhos marejados e ao mesmo tempo secos e duros, as costas latejando do cansaço da dor (da dor alma) nada permitiram. O banho morno, o filme triste (porque as comédias não te deixavam melhor; essa era outra mentira que te contaram), até que trouxeram o sono tranquilo. E enquanto adormecia, embaralhando pensamentos, lembrou das páginas anteriores do mesmo lembro: a questão estaria em divorciar-me de mim, e isso não é coisa que se possa.

Poderia. Seria o próximo passo.

Um comentário:

Clarisse disse...

É tudo mentira mesmo. =*