segunda-feira, 14 de março de 2011

(Parte um?)

Nesse dia correu para a estante do quarto e fuçou na revista o horóscopo da semana. Da quinzena. Do mês. Qualquer coisa. Procurava uma notícia boa, uma previsão que lhe desse esperanças de um dia mais parecido com o que vinha desejando para si. Nada muito claro escrito ali. Qualquer coisa como conhecer-se-melhor-por-dentro-e-refletir-sobre-as-pessoas-ao-redor-para-ser-feliz. Algo bom estava por vir? Nada bom estava por vir?

Não aguentava mais. Já se passaram meses, e Alice continuava naquele esforço eterno de sorrisos não amarelados, de abraços apertados que fossem sinceros, e que disfarçassem o pedido de ser abraçada mais forte. Um sufoco todas as noites. A dor no coração, que era real. Digo em todos os sentidos. Real, literal. Sufocando-a de verdade, a cada choro, a cada lágrima, que ela aprendeu a controlar em público. Já não era sem tempo.

Seis meses quase. Um segredo ela começara a guardar, então. Além desse, outros como os livros de auto-ajuda que vinha lendo. Agora eram uma constante. Sua melhor amiga te disse: se não te atrapalha, se não piora, então lê. E além de lê-los, escrevia sem parar uma espécie de auto-auto-ajuda. As palavras positivas, que não vinham de dentro, mas de fora e bem de longe, mas que, sei lá, podia te dar um pouco mais de esperança. Dias melhores viriam. Alice tinha certeza disso.

Procurou pelas sapatilhas, prendeu o cabelo. Quinze minutos para a aula de balé.

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