segunda-feira, 11 de abril de 2011

Vocêtambém!

A gente se encaminhou para o estádio muitas horas antes. Pegou um certo trânsito muitas horas antes. E ainda deve ter andado pouco mais de um quilômetro, a pé, meio que em marcha atlética, porque sabe-se lá dessas filas. Isso depois de ter comprado a senha mais barata, já tão cara, no primeiro dia; há uns seis meses atrás. Chegara o dia! Era ali. Era agora. Ia ser o máximo?

Entramos no Morumbi e a estrutura do palco chegava aos cinquenta metros de altura. Uma nave espacial. Uma aranha gigante. Um troço enorme que nem importava o que ele tinha de ser. Era o palco. De onde sairia o Bono Vox, se de cima, de baixo, jogado de um helicóptero, ninguém sabia. Não dava pra acreditar no tamanho daquilo tudo.

O lugar era longe e era perto. Meu 1,61m só me permitia vê-los se pulasse bem forte; o que me dava um milésimo de segundo olhando realmente para os caras. O som era alto; as pessoas cantavam ainda mais alto; pulavam de verdade, e todo mundo sentia uma emoção que não se conta. Subir nos ombros de alguém te dava a melhor e mais emocionante das visões: aquele mar de gente vivendo a mesma experiência indescritível e inebriante.

A cada música, uma surpresa. A consciência social, a pobreza, a conscientização de que cada um, se pensando igual, pode muito, pode tudo. Um telão de 360º na melhor das definições. Mostrava a banda. Mostrava a pobreza, o desejo de paz, a importância da democracia, a homenagem à crianças inocentes, os trezentos e sessenta graus desse mundo - que éramos nós. Os isqueiros acesos. As mãos para cima. Até as lágrimas de alguns. E a risadaria que Bono provocava. "Pizza de jaca", ele falou. E "balada", pois era sábado à noite, em São Paulo.

"City of Blinding Lights" pôs luzes no céu da cidade. E depois duplicou o telão, deixando os músicos dentro de um funil, e a galera em maior êxtase, sem acreditar no que estava vendo - ninguém imaginou que tudo isso seria possível. Depois apareceu pendurado no microfone. Ele levou gente ao palco. Repetiu em português "serei feliz", e cantou Beautiful Day.

Isso tudo não está na ordem. A memória é detalhada e ao mesmo tempo difusa, confusa. Foram muitas informações, emoções, e mais coisas indescritíveis, que a impossibilidade de relatar sobre elas, com propriedade, me deixa até nervosa. Não houve cansaço nem chuva que freasse ninguém. U2 trouxe e fez o inacreditável. E ainda encheu nossas almas de alegria e de muita esperança.

Eu só espero pela próxima vez.

2 comentários:

Nataa disse...

Bia, nossa.. deve ter sido uma super emoção, viu? tenho uma pontinha de inveja branca.. queria muito ter ido e ter sentido a mesma sensação que você sentiu. Quero ver fotos, hein? Beijão

Kursch disse...

vi você na reportagem sobre o show!