terça-feira, 7 de junho de 2011

Espelho

Ela aproximou-se e pediu para sentar de frente pra mim. A disposição das mesas e cadeiras do restaurante, obrigam, direta ou indiretamente, que amigos, colegas e desconhecidos, interajam entre si, nem que seja através do por favor ou muito obrigado.

Aquela voz baixa, que sumia nas últimas palavras, pois para aquele que se propõe a ouvir e o que não tem vontade de falar, o início da frase e a gesticulação adequada bastam para comunicar e conseguir o que quer, e aquele olhar de olhos negros e amendoados, os quais podiam ser expressivos, mas que estavam rasos em si mesmos, contidos e calados. Eles pareciam olhar para dentro dela, que conversava com eles, os olhos. Mas aposto em um diálogo silencioso. Aquele momento quando o assunto termina, o sorriso não vem, a conclusão é óbvia e por isso ambos interlocutores nada dizem; o silêncio reina e, se há a intimidade, não constrange. Era o que acontecia entre ela e seus olhos.

O cansaço já tão cedo na semana e no dia e na vida. A dificuldade em levantar por demais a cabeça, em erguer o queixo, de um modo que parece comunicar aos outros que estamos nos colocando no mundo (!). Por que? Também não entendo. Não acho que seja assim. Mentira, acho. Só não quero.

A alma já vinha vazia. O branco, o claro, o límpido, pelo menos. Não era a escuridão, que bom, vejam só. Mas sim a claridade - porque não havia mais nada.

A alma inócua, os olhos rasos e inexpressivos, os gestos contidos, calmos, sem nem serem calculados, pois não há necessidade disso quando não se tem vontade de mostrar-se nem aparecer; o existir em si mesmo, com essa fala que some, que não faz questão em ser ouvida pelo mundo. Era eu de frente para mim mesma. E não sabia.

2 comentários:

Kursch disse...

homi, escreva direito, chega cansou de ler

-sOliNo- disse...

hauhuahauhauhauhauahuahauhu

esse júlio...