quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Greves

Fez o que hoje? Fui ao banco resolver umas coisas. Fui ao "banco", "resolver" umas coisas.

Uma força superior, aquela que conspira para o caos total, programou greve dos correios e dos bancos ao mesmo tempo. Sério, se o objetivo era o caos e pessoas frenéticas em filas enormes, tendo enxaquecas só de pensar nos juros altos a pagar no próximo mês, nada mais genial. Só a conta de luz conseguiu chegar na minha casa. Todas as outras ficaram hospedadas nos Correios.

A melhor parte, claro, é lutar nos labirintos virtuais para conseguir imprimir sua segunda via - o que nem sempre é simples - e então respirar fundo, contar até 10, e entrar na fila para pagar a maldita.

A lotérica não é vinculada ao Banco do Brasil, o Banco do Brasil só aceita depósitos até uma hora da tarde, as máquinas não têm comprovantes, e, há!, a melhor melhor (2x) parte: o sistema sai do ar o tempo inteiro.

Eu hoje de manhã fui à Unimed pagar a conta de outubro que não recebi, e, num espaço de seis metros quadrados, comportando 46 pessoas, das quais 30 eram idosas, o sistema resolveu cair. Quem ia entrando pela porta, o segurança avisava: "o sistema está fora do ar". E, do lado de fora, as pessoas (eu): "fora do aaaarrr?!?!?", e virava de costas em tom de desespero. Mais juros, meu Deus, mais juros! E lá dentro, todos resmungam. Quando resolvo ir embora, afinal não me cabia muito ali dentro, e eu não ia me apertar numa fila à espera da boa vontade do sistema em voltar, todos, lá de dentro, falam em voz alta: "voltou, o sistema voltou!", o segurança grita para fora da porta giratória, as pessoas ali no saguão chamam umas às outras: "voltou, voltou! Voltou!". Todo mundo frenético e ansioso por pagar uma conta (?!).

Parte 2. Vou ingenuamente ao Banco do Brasil, na Afonso Pena. Não sei onde estava com a cabeça! Eu, ingenuamente, gostaria de fazer um depósito. A fila tinha só umas cinquenta pessoas. Enquanto isso, então, vou aqui pagar uma conta. Vou nesse caixa aqui. Sem papel. Vixe, vou nesse outro. Impressora com problemas, comprovante não pode ser emitido. Próximo caixa, ufa!, começo a fazer a operação, ainda bem, vou pelo menos pagar a conta hoje, TRAVOU!. Sá porra. Próximo? Tá, senhor, espero. E uma vida inteira depois, paguei uma conta.

Fila do depósito então. As pessoas (eu) pegando envelopes de dinheiro e cheque para estocar em casa ao longo da greve, porque uma hora vai faltar!, mais ou menos nos moldes do pessoal roubando o supermercado em Ensaio Sobre a Cegueira. Não parava de chegar gente, e o boato de que os depósitos só aconteceriam até uma hora da tarde. Vinte minutos na fila, e, adivinha!, sistema fora do ar! As pessoas começam a ficar nervosas, frenéticas, falam cada vez mais alto. Aqui, ninguém resmunga; grita mesmo, porque não tem ninguém do banco trabalhando, só nós, devedores, lisos e mal educados, que não podemos decretar greve de pagamentos. Seis minutos depois, o sistema volta! O primeiro anuncia: "voltou!", e todo mundo: "voltou!", "voltou o sistema! Ave maria, graças a Deus". Evidente que, dez minutos depois, o sistema cai outra vez, se aproximava de uma hora da tarde, as pessoas continuavam frenéticas, suadas e cansadas, perdendo a paciência e o que lhes restava de gentileza.

Eu já estava entrando no clima, então achei melhor ir embora, tomar banho, almoçar e assistir aula, fingindo que minha vida é só isso, uma ausência de preocupações. Amanhã, meu nome está mais sujo, e eu devendo mais na praça. Uma pena.