sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Então, hoje.

Hoje é onze do onde do onze. Onze do onze de dois mil e onze, né. Eu não sei se o mundo vai acabar, se as marés dobrarão de tamanho, se a lua vai ser a mais esplendorosa das mais esplendorosas já vistas, ou se é dia para "abraçar, ser gentil, dar bom dia (!), e acender uma vela (!)" - li isso no Estadão de hoje, te juro. (Mas era uma mística falando tá, gente. Uma "bruxa", é como ela mesma se apresenta.) Também não sei se vou meditar às onze e onze da manhã (já passou), ou às onze e onze da noite - talvez eu segure o sono. Mas eu nem sei meditar. Ou não sei se sei. Na verdade, acho que não sei bem nem o que é meditar. Só acho que sei, entende. E finjo que entendo, entende?

Eu podia ter feito um negócio massa, irado, diferente, inesquecível nessa data massa, irada, diferente, inesquecível (...). Ou talvez eu tenha esperado que tenha acontecido algo surpreendente assim, na tal data tão merecida de coisas boas (?) (que na verdade, é a 11ª dos últimos 11 anos(!)). Não sei em que o 11 é mais especial que os números passados, que estiveram nas datas de dez do dez de dois mil e dez, nove do nove de dois mil e nove, oito do oito de dois mil e oito (aqui foram as Olimpíadas! Eu lembro! Foi massa. Irado. Semi-inesquecível).

Eu leio o jornal, pego carona com minha mãe, abro minha caixa de e-mails, e em todas essas situações, as pessoas eufóricas e radiantes, com essa data. Que, é verdade, é legal você ter vivido uma data numerologicamente-legal assim. Ou não. Mas eu penso se eu deveria realmente achar grande coisa. E, por não achar (hoje), imagino se daqui a 30 anos vou me lamentar por não ter vibrado com o onze do onze, nem com o dez do dez, e os demais para trás... Será que vou sentir uma amargura por não ter vibrado tanto, nem ter feito algo fantástico, diferente, nesse dia tão... E então vou me despedir da vida esperando que as próximas gerações não sejam tão lugar-comum como eu fui com as datas, os números, e o calendário?

Mas, ó. Te conto que hoje meu dia poderia ter sido angustiantemente normal, o que se resumiria a ir para a faculdade e terminar minhas lições do inglês. Mas não foi. Me levantei às quatro horas da manhã desse onze do onze, fui para o aeroporto, e vim embora para Brasília. Comi aquele café da manhã suculento e exagerado do avião, li um livro inteiro (Diário de Um Magro, de Mário Prata - autografado, han han!), fui ao Ministério da Previdência, onde fiz xixi em um banheiro com vista panorâmica para toooda a esplanada dos ministérios (algum de vocês já viveu isso?! Hein, hein?), sentei na cadeira do ministro, dormi à tarde ao invés de assistir aula, senti frio (!!!), não terminei minhas lições do inglês, e estou postando, depois de várias semanas em jejum.

É. Até que foi irado, diferente, surpreendente esse dia. Pra mim.

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