sábado, 31 de dezembro de 2011

Menina, vou te dizer, esse meu ano novo vai me dar muito trabalho. Era pra eu ter começado a pensar nele no reveillón passado.

Essa história das calcinhas coloridas... Escolher a cor pra "decidir" como vai ser seu ano, né. Já tive a máxima das idéias. Vou usar várias. Uma por cima da outra. De quebra, ainda vou parecer ter a bunda grande. Uma amarela pra ter dinheiro, uma vermelha pra me apaixonar, uma rosa para eu amar, então é melhor a vermelha vir por baixo da rosa, né? porque aí acontece antes, ou será que a ordem seria de fora para dentro? Ai não. Agora vou ter que pensar nas prioridades.

Quando virar o ano, na contagem regressiva, eu vou comer lentilha, ervilha, uva passa, até azeitona, preta e verde, que é pra garantir a sorte no amor. Quer dizer, no dinheiro. Já não sei.

Vou pular umas quatorze ondas, talvez vinte e uma, e se achar que não houve lentilha suficiente e eu tiver esquecido uma das calcinhas quando fui ao banheiro, 49. Tá decidido.

Também vou assoprar a vela do bolo fazendo um pedido. Vou pendurar uma figa como pingente no meu colar, na pulseira, e na tornozeleira. Vou usar um anel daqueles que a pedra muda de cor dependendo do seu humor. Então, vou usar um em cada dedo, pra... nem sei pra que. Mas vou usar. Também vou pendurar o Santo Antônio de cabeça pra baixo, jogar flores brancas ao mar, desenhar um sol de farinha em cima de um pires, lá no quintal.

Quê mais? Vou providenciar um trevo de quatro folhas, outro de cinco, e um de nove. Vou tomar três banhos de sal grosso no dia 31 e mais três no dia primeiro de janeiro. E não passarei debaixo de escadas, perto de gatos pretos (não estarei por perto da universidade nos próximos cinco dias), nem ficarei muito tempo de frente ao espelho, pra ele não quebrar.

Agora sim, 2012, pode vir! Vou fazer tudo isso mesmo. E mais o que eu lembrar. (Esqueci de mencionar ir à missa! Será que adianta? Já assumi o pecado de ter esquecido e tudo.) Mas ó, te juro, é só pra garantir um pouco mais (!) o que já tenho certeza (?), porque o ano que vem vai ser bom, vai ser jóia, quem sabe, até, "inesquecível". As boas vibrações vêm aí, estão aqui. Eu descobri, menina, que tudo isso só depende de mim. De você! E mais nada ou ninguém. Te juro! Experimenta :)

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Resposta

Como eu falei no post anterior, e como os três leitores desse blog devem saber, eu faço Psicologia. Não que eu ache isso grande coisa, porque não é, mas dizer que está em um curso desses arranca uns suspiros de admiração da galera, de vez em quando. Não sei por que. Acreditem, a gente não lê a mente de ninguém. Não somos todos, cem por cento, amantes da vida e da natureza, apaixonados por diálogos, crianças e velhinhos. Até que eu sou paciente e compreensiva, mas não porque vou ser psicóloga, mas porque sou assim mesmo. E quando não sou, não tenho obrigação de ser - a não ser que a pessoa que mereça minha compreensão seja meu paciente.

E foi por notar toda essa admiração, receber sorrisos espontâneos de algumas pessoas quando eu dizia o que fazia, e por estar diariamente naquelas salas de aula, que eu me perguntava realmente por que eu estava ali. Ou melhor, por que eu continuava ali. Sem gostar tanto.

A escolha se deu por acaso, quando eu paquerei com o capítulo de O Mundo de Sofia que falava sobre Freud, numa época em que meus pais fervorosamente se empenhavam em me fazer desistir da carreira de jornalista. Uma coisa puxava a outra, e, enquanto eu desistia de Nutrição e Ecologia, fiquei pela Psicologia mesmo. Pura eliminação.

Na teoria, como tudo na vida, ser psicólogo parecia quase um êxtase, de tão interessante, de tão "rico", como depois eu viria aprender a falar (e a ouvir frequentemente). E na teoria sobre a prática, lá dentro da faculdade... nem tanto. Vou desistir. Não vou. Vou. Não vou. Tô quase. Espera. Pensa. Se acovarda e fica.

O tempo passa e eu continuo sem saber se quero essa história de Psicologia na minha vida. Se vou fazer Letras, Jornalismo, ou concurso público. Essa estudante-de-psicologia continua se perguntando porque continua sendo isso, porque nunca desistiu. Nunca encontrei resposta... Na verdade, acho que não fiz as perguntas corretas, mas, mais ainda, não fui confrontada com as perguntas e os fatos corretos.

Essa semana, então, assisti um documentário que um amigo psicólogo (antes do meu vestibular) já havia recomendado: Estamira. Quatro anos depois, baixei o arquivo, e três semanas depois de baixá-lo, assisti. E aí, pronto, encontrei os motivos. Continuei estudante de Psicologia porque descobri que a vida só faz sentido porque somos muito diferentes, por mais clichê que isso pareça. Porque descobri que é do Outro (sem elementos psicanalíticos) que eu gosto, que me interesso, só porque ele não sou eu. E, mais ainda, é do Outro esquisito, bizarro, excêntrico e autêntico, que eu gosto mais, do qual eu mais quero me aproximar, ouvir, sem esforço em compreendê-lo, porque esse Outro tão excêntrico já é compreensível em si mesmo. Eu gosto desses monólogos infinitos, que começam do nada e terminam de repente, cheios de lucidez em um discurso aparentemente confuso. Em uma pessoa aparentemente confusa.

Não se iludam. Psicologia não é ciência, não é filosofia, não é uma teoria ou um conjunto de teorias sobre o ser humano. Não é uma composição de prismas para ver esse Outro, como alguns divulgam. Não é o exercício de escutar e compreender. Tudo isso são meros detalhes. Fazer Psicologia e ser psicólogo é simplesmente viver e aceitar o diferente, o absurdo, e, mais ainda, gostar de fazer isso, quase-se apaixonando por toda essa esquisitice.

P.S.: E é obrigatório! Todo mundo deve assistir Estamira.

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Quem não queria escrever um livro?

Eu tô pensando, tô pensando. Eu queria muito escrever um livro. Não sempre-quis não, sabe. O povo daqui de casa e os amigos do povo daqui de casa já diziam que eu ia ser escritora. Não sei porque. Eu gosto de escrever trinta linhas assim, e só. E só e sempre pra reclamar de alguma coisa. Se uma criança me pedir pra contar uma história pra ela dormir, coitada, não vou conseguir nem lembrar o início-meio-fim da Chapeuzinho Vermelho, menos ainda inventar algo todo novo. Não tenho capacidade intelectual de escrever umas cem páginas. É criatividade demais. Ou muita capacidade de enrolar quem está lendo. Mas hoje em dia, graças a Deus, mentira, graças a falta de tempo e ao capitalismo que faz parte da vida de livreiros e escritores, tu tem todo direito de fazer um livro só de crônica. Ou de conto. Ou conto e crônica. E não tô falando mal não! Eu mesma acho massa. Dá pra ler num instante, mata o tempo, diverte, e faz a gente pensar numa porrada de coisas que nunca prestamos atenção.

Eu vou fazer um, então. Só de texto. Porque o que eu escrevo eu chamo de texto. Crônica é coisa pra profissional. Vários textos e um tema só, decepções amorosas. BEM original, né não?
E por que tu vai fazer isso?
Porque mulher jovem só ganha dinheiro com livro se escrever um sobre home. Falando mal dos home. Mas tem que ter bom humor. Parecendo, assim, que você tá rindo da própria da desgraça, parecendo não!, sendo assim mesmo, quando na verdade você tá rindo pra não chorar (de novo).
Que conversa é essa.
É. Você quer que eu fale do que? Aquelas coisas de como-vencer-na-vida e ser alguém-de-sucesso é pra homem. Empresário. Bem sucedido, que venceu na vida. Ou que mente, fingindo que venceu, quando na verdade não se esforçou de nada.
Escreve um romance.
Já disse que não consigo. E romance é coisa de escritor renomado, amadurecido, velho, em todos os sentidos, mas capaz, né. O Zé, o Gabriel...
Mas o tema decepção amorosa é clichê demais. Vai ficar uma merda.
Vai. Vai mesmo. Tudo que eu faço é uma merda. E um a cada dois relacionamentos que eu tive, terminaram uma merda.
Claro, se terminou.
Pois é.
Mas eu poderia começar dizendo que tive parceiros com problemas psicológicos.
E daí?
Mas é que eu faço Psicologia.
E daí?
Que merda. Eram transtornos de verdade.
Tipo?
Transtorno de déficit de atenção.
Haha. Ele não te dava atenção. Dã...
Seu cu.
Tá vendo? Foi por isso que terminou. As decepções foram dos seus namorados-pacientes (duplosentido!).
Por quê?
Porque você mandou eu ir a merda e mandou eu tomar no cu. Em cinco segundos de diálogo.
Não foi isso que eu disse não. Mas foi o que eu quis dizer, então vá. Mas, claro! Eu trabalhando de graça. E tendo de ser namorada e psicóloga. Quer o que?
Só não escreva um livro sobre isso, por favor.
Por que?
Porque aí você não vai ter mais namorado nenhum. Nem psicótico grave vai te querer.
Já pensou? É mesmo.

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Com a sua licença, mas...

Hoje eu vou falar sobre cocô. E se você for uma pessoa educada, de etiqueta, e sensata, tudo que não sou, então, nem continue a ler. Mas é que faz muitos dias que eu queria escrever sobre cocô. O meu, em especial. ((L)).

Já está perto de completar dois meses que ele tem saído não-saudável, se é que vocês me entendem. Também achava que era verme. Mas os dez dias de vermífugos (?) não deram jeito. Nem o soro caseiro. Nem evitar a lactose! Ela só ajudou um pouquinho. Mas o cocô ainda tá me dando trabalho.

E aí, depois de muita resistência, porque eu já sabia o que estava por vir, fui na médica especialista. Esperei só três horas na sala de espera, ela me atendeu em cinco minutos, e falou ao telefone celular nesse meio tempo, mas esse é assunto para outro post, e passou o maldito exame de fezes. E de sangue.

Eu n-ã-o faço cocô no potinho por nada nesse mundo. Nada! Só pelo dinheiro. Meu amigo Daniel disse que me pagaria, mas, ainda assim, eu teria de pensar sobre (menos de cinco reais não vale). Eu não lembro de já ter feito essa exame, mas não gosto nem de me imaginar colhendo FEZES. E me disseram que você tem que fazer direto ali, no potinho mesmo! Como pode?! Por que o laboratório não te dá um penico? O diâmetro do negócio é quase a boca de uma garrafa PET. Não sei que teste de motricidade é esse. Eu não faço!

Então só mais uma semana resistindo... E fui hoje ao laboratório saber se eu tinha de fazer alguma dieta específica antes de colocar as fezes no potinho. Tem. Tem a dieta. Mas, antes fosse um potinho! SÃO TRÊS.

Em um deles, você tem que fazer o cocô e levar direto ao laboratório, no máximo, duas horas depois de fazê-lo! As fezes têm que estar "frescas", o atendente me disse. Aí tem outro, da tampinha vermelha, que já me esqueci que tipo de fezes que eu tenho de colocar nele. Tem um dedinho de uma gelatina transparente dentro dele. Mas acho que esse é para fezes frescas também. E tem o último, o pior de todos, onde você tem que acumular três cocôs que você tenha feito, e levar lá no laboratório pra galera! TRÊS cocôs. Você faz cocô uma vez, e coloca um pouquinho no potinho. Aí faz cocô outra, mais um pouquinho no potinho. E mais outra. Aí, agora sim, pode levar lá no laboratório! "Não precisa guardar na geladeira, esse líquido aqui dentro conserva as fezes!" Bóe, puta que pariu. Eu não queria mais ouvir aquilo. E eu não iria guardar meu cocô na geladeira da minha casa, nem se para isso dependesse a minha saúde. Eu ia parar de comer e de beber água, né, por favor! Só de abrir a porta da geladeira e saber que tinha cocô ali dentro. COCÔ. O meu cocô! Nan.

E, me diga, se eu fizer cocô três vezes no mesmo dia, coloco tudo ali dentro? E levo logo no laboratório? E se o pote é pequeno, minúsculo, do tamanho de uma xicrinha de café, COMO eu só vou colocar um pouquinho de cocô de cada vez? E se vier demais? Vou ter que interromper, é?

Me digam. Expliquem.

Eu não vou fazer isso. Só por dinheiro. E se me arranjarem um penico.

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Não era verdade

E eu que achava que havia endurecido e amadurecido, para ser mais sutil. Que as lágrimas já não me desciam porque não é mais do meu feitio, essa história de sentir uma melancolia que tanto arde. Eu que tinha um texto pronto, na cabeça, no papel, na ponta do lápis e da língua, estava eu pronta para dizer a todo mundo o quanto tinha "melhorado", que, segundo eu mesma, significa esse endurecimento por dentro de si; essa superação (que hoje vejo ser apenas um esquecimento fingido, fingidíssimo); esses dias que ficaram para trás; essa dor que não mais existe.

"Mentira!", disse Chico depois da decepção do amor perdido. Tão iludido e investido da parte dele. "Mentiras", digo eu.

E lá se vai o coração amolecendo e as lágrimas não sutis outra vez. Que amadureci que nada. Mentira!