terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Quem não queria escrever um livro?

Eu tô pensando, tô pensando. Eu queria muito escrever um livro. Não sempre-quis não, sabe. O povo daqui de casa e os amigos do povo daqui de casa já diziam que eu ia ser escritora. Não sei porque. Eu gosto de escrever trinta linhas assim, e só. E só e sempre pra reclamar de alguma coisa. Se uma criança me pedir pra contar uma história pra ela dormir, coitada, não vou conseguir nem lembrar o início-meio-fim da Chapeuzinho Vermelho, menos ainda inventar algo todo novo. Não tenho capacidade intelectual de escrever umas cem páginas. É criatividade demais. Ou muita capacidade de enrolar quem está lendo. Mas hoje em dia, graças a Deus, mentira, graças a falta de tempo e ao capitalismo que faz parte da vida de livreiros e escritores, tu tem todo direito de fazer um livro só de crônica. Ou de conto. Ou conto e crônica. E não tô falando mal não! Eu mesma acho massa. Dá pra ler num instante, mata o tempo, diverte, e faz a gente pensar numa porrada de coisas que nunca prestamos atenção.

Eu vou fazer um, então. Só de texto. Porque o que eu escrevo eu chamo de texto. Crônica é coisa pra profissional. Vários textos e um tema só, decepções amorosas. BEM original, né não?
E por que tu vai fazer isso?
Porque mulher jovem só ganha dinheiro com livro se escrever um sobre home. Falando mal dos home. Mas tem que ter bom humor. Parecendo, assim, que você tá rindo da própria da desgraça, parecendo não!, sendo assim mesmo, quando na verdade você tá rindo pra não chorar (de novo).
Que conversa é essa.
É. Você quer que eu fale do que? Aquelas coisas de como-vencer-na-vida e ser alguém-de-sucesso é pra homem. Empresário. Bem sucedido, que venceu na vida. Ou que mente, fingindo que venceu, quando na verdade não se esforçou de nada.
Escreve um romance.
Já disse que não consigo. E romance é coisa de escritor renomado, amadurecido, velho, em todos os sentidos, mas capaz, né. O Zé, o Gabriel...
Mas o tema decepção amorosa é clichê demais. Vai ficar uma merda.
Vai. Vai mesmo. Tudo que eu faço é uma merda. E um a cada dois relacionamentos que eu tive, terminaram uma merda.
Claro, se terminou.
Pois é.
Mas eu poderia começar dizendo que tive parceiros com problemas psicológicos.
E daí?
Mas é que eu faço Psicologia.
E daí?
Que merda. Eram transtornos de verdade.
Tipo?
Transtorno de déficit de atenção.
Haha. Ele não te dava atenção. Dã...
Seu cu.
Tá vendo? Foi por isso que terminou. As decepções foram dos seus namorados-pacientes (duplosentido!).
Por quê?
Porque você mandou eu ir a merda e mandou eu tomar no cu. Em cinco segundos de diálogo.
Não foi isso que eu disse não. Mas foi o que eu quis dizer, então vá. Mas, claro! Eu trabalhando de graça. E tendo de ser namorada e psicóloga. Quer o que?
Só não escreva um livro sobre isso, por favor.
Por que?
Porque aí você não vai ter mais namorado nenhum. Nem psicótico grave vai te querer.
Já pensou? É mesmo.

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